A Velhice em Portugal
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O envelhecimento, segundo um estudo recentemente realizado em Portugal, é um
fenómeno que se tem acentuado nas últimas décadas e cujas causas, segundo
valores encontrados, se devem às profundas transformações económicas,
sociais e culturais que se verificaram nos últimos anos no nosso país.
Contudo, nunca como hoje, segundo a mesma fonte, a imagem do envelhecimento
foi tão negativa, o que se deve sobretudo, em parte, a uma má qualidade de
vida dos nossos velhos, à sua perda progressiva de autonomia e a uma maior
vulnerabilidade à doença, o que contraria a tese ³de que a longevidade
estaria associada à boa qualidade de vida².
São os factores atrás referidos que levam normalmente os velhos a procurarem
os serviços de saúde, que, por razões várias, não poderão nunca substituir
os chamados serviços informais (os prestados pela família), daí a
necessidade urgente, particularmente em Portugal, de um apoio cada vez mais
acentuado à família, enquanto prestadora de cuidados, envolvendo-a o mais
possível no processo de cuidar, privilegiando-a até, em relação às
instituições de solidariedade social ou, como muitos autores defendem,
integrando a família nas próprias instituições.
Os estudos a que nos vimos reportando, indicam-nos sociedades onde ao longo
dos tempos se concluiu que, nos casos onde o apoio é informal (famílias) os
velhos vivem uma vida melhor e até na doença os resultados são sempre mais
satisfatórios e acentuados, sobretudo quando os técnicos de saúde chamam à
coacção e integram no processo de cura os familiares do velho doente.
Em Portugal, possivelmente por ser um país de emigração e de nível cultural
muito baixo, os hospitais abarrotam de idosos, uma parte significativa não
doente, que devido ao seu estado deveriam manter-se integrados na família
com o apoio da Segurança Social, o que seria muito menos oneroso para o
Estado, porque libertaria centenas de camas, milhares de técnicos de saúde e
todos os outros serviços que normalmente funcionam como apoiantes dos
hospitais.
Mas no nosso país o sistema actual está inquinado e o que acontece no que ao
idoso diz respeito, acontece com muitas outras coisas e em muitos outros
sectores da vida portuguesa, onde, quase nada funciona, ou funciona como
deveria funcionar.
Os hospitais são instituições destinadas a receber e a manter
hospitalizados apenas doentes, independentemente da idade de que cada um, e
nunca instituições destinadas a receber e a manter acamados milhares de
velhos como, aliás, hoje acontece, idosos cujo destino devia ser outro, para
seu bem, para bem do Estado e para bem da própria sociedade.
Há que cuidar dos nossos idosos, ajudando a mantê-los o mais tempo possível
no seio das famílias, método menos dispendioso para o Estado e sobretudo
eticamente mais correcto, já que a família, em nossa opinião, é considerada
como o espaço onde se concentra a força de maior suporte informal, e é
também aquela que melhor assume o papel na prevenção de crises, sobretudo as
crises criadas pela doença.
Há que mudar com urgência o rumo das coisas se não queremos ver cada vez
mais sobrelotados os nossos hospitais com pessoas não doentes,
sobrecarregados os nossos técnicos de saúde e amargurado o viver dos nossos
velhos.
Portmundo@iol.pt

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