Um fraco rei... faz fracas as fortes gentes. A frase, cuja origem se perde no
emaranhado dos tempos, parece ter aplicação, dia após dia, nos tempos que
vão correndo. Mesmo em Portugal, como é evidente. Quando diz, alto e bom
som, frente às "trombetas da fama" que fica no Governo mesmo na
eventualidade de se perder as eleições europeias, Durão Barroso parece
estar
a demonstrar uma certa onda de fragilidade que é capaz de se transmitir aos
que com ele trabalham e ao povo em geral. Por essa altura, deixa no bolso o
discurso mobilizador que poderia fazer aspirar à vitória, esquecendo-se de
aludir aos outros sinais... que são menos duros e mais concernentes à
atitude que o povo parece esperar..
Um fraco rei... faz fracas as fortes gentes. E, no entanto, não parece haver
sinais de que a economia que era (e é) o calcanhar de Aquiles da actual
coligação não esteja a arribar. Bem ao contrário, há sinais de que
tudo
começa a entrar nos eixos que eram os parâmetros do Governo. A crença na
vitória era, assim, o sinal que importava dar, Não o contrário.
E se a frase da descrença "não abandono... mesmo que perca"
é a quase
certeza de que espera receber a prova de desagrado pelo que (não) tem feito,
não restam dúvidas de que há sinais "desencontrados". Que alguém
deveria ter
soprado ao primeiro-ministro. Que era importante dar ao eleitorado.
É que, sensivelmente por essa altura, havia indicações de que as contas
públicas estavam num plano mais ou menos equilibrado. Mais do que isso,
estavam em melhor situação do que o Governo previamente estabelecera. Um
défice inferior 2,8% - ao previsto inicialmente é obra. E isto a despeito
de haver sinais nítidos de descrença. Como será o caso de haver quase meio
milhão de desempregados, serem enormes as listas de espera nos hospitais, de
haver salários congelados, da evasão fiscal ser mais do que ameaçadora.
Apesar de tudo isso, e talvez devido aos sacrifícios pedidos ao povo... o
défice foi "arrumado".
Os sacrifícios feitos por Portugal (quase) no seu todo, parecem, assim,
estar a dar resultados favoráveis. A jeito de sinais de que algo vai mudar.
Assim sendo, ninguém parece entender a frase de Durão Barroso de que, mesmo
que as eleições de Junho para a Europa, não sejam favoráveis ao Governo...
ele fica. Dizer isto é confessar que está à espera do pior. E que os
indicadores económicos, recentemente divulgados, não são mais do que
balelas. O que, de facto, nem pode ser verdade.
A política é a ciência do possível. Só que a leitura tem de ser feita no
seu
todo. Nunca aos soluços. Nunca aos repelões de ocasião. Até porque, dita a
frase na inversa, "um forte rei... faz fortes as fracas gentes".