Rhode Island

AUGUSTO PESSOA (Correspondente)
Delegado em Rhode Island
Tel. (401) 728-4991

 

100 anos do Benfica
José Augusto convidado de honra da Casa do Benfica N.º 65 de RI:
"A década de 60 foi a época que tornou o Benfica no mito do futebol europeu e mundial e acabou por tornar o clube da Luz a equipa portuguesa de maior dimensão no mundo"

José Augusto, que na década de 60 fez parte daquele famoso onze benfiquista
que acabaria por tornar o Benfica no mito do futebol europeu e mundial e
acabou por tornar aquela equipa portuguesa a de maior dimensão no mundo, foi
o convidado de honra à festa dos 100 anos do clube da águia, festejados em
Cumberland.
 A Casa do Benfica N.º 65 sediada no Clube Juventude Lusitana, em Cumberland
e sob a presidência de Luís Candeias, foi uma das que através do mundo
festejou o centenário do Clube da Luz.
A presença de José Augusto fez com que se revivessem os tempos áureos do
maior embaixador desportivo que Portugal teve até hoje.
Tempos em que só três jogadores do Benfica tinham carro. Tempos em que se
sentia pulsar nas veias o vermelho da Luz e o orgulho de se "transportar"
Portugal sob os ombros quando se saía do Aeroporto da Portela.
Eram tempos diferentes mas mais sentidos na alma lusitana que José Augusto
espelha na entrevista que concedeu ao PT e Canal 20 (a transmitir sábado
na íntegra no Comunidade em Foco). A entrevista teve o apoio de Rui
Henriques, que foi mestre de cerimónias e que uma vez mais deu muito boa
conta de si.
Por limitação de lugares, o salão do Clube Juventude Lusitana recebeu uma
presença de 500 pessoas. Com o vermelho a ser a cor predominante, esta
presença benfiquista serviu para festejar os 100 anos do Clube da Luz e ao
mesmo tempo prestar homenagem a José Augusto que tantas alegrias deu aos seu
adeptos e aos portugueses em geral.
Mas se as alegrias ultrapassam as tristezas dos anos 60 os tempos actuais do
Benfica não serão tanto assim e independentemente dos resultados, o mundo
viu tombar no relvado Miklos Féher, para grande tristeza não só dos adeptos
do clube da Luz, como também dos desportistas em geral.
Assim Féher foi recordado e a camisola com o nº 29 descerrada junto à mesa
de honra.
Mas a velocidade vertiginosa dos tempos actuais não se compadece com
tragédias desta envergadura e a vida tem de continuar. E assim depois de
recordado com as devidas honras o desaparecimento daquele promissor atleta,
José Augusto falou aos presentes numa apresentação de Rui Henriques.

José Augusto convidado de honra da cada do Benfica Nº 65
José Augusto Pinto de Almeida, nasceu a 13 de Abril de 1937 no Barreiro.
Iniciou-se no Barreirense em 1953, onde se manteve até 59. Entrou para o
Benfica a 1 de Setembro de 1959 ocupando a posição de extremo direito até
1972. Na época de 63 foi considerado o "melhor jogador europeu". Participou
em 8 campeonatos nacionais, 3 taças de Portugal, Taça de Honra da Imprensa,
4 taças de Honra da Associação de Futebol de Lisboa, 5 presenças na Taça dos
Campeões Europeus. conquista de 2 Taças dos Campeões Europeus nos anos de
61-62 (Benfica 3-Barcelona 2); 62-63 (Benfica 5-Real Madrid 3).
 Presença em 2 jogos da UEFA (selecção internacional europeia); na selecção
nacional A 45 jogos, sendo sete vezes capitão da equipa. Terceiro lugar no
Campeonato do Mundo em 66. Presente na selecção nacional B, selecção
olímpica, selecção de júniores, selecção militar sendo campeão mundial.
Na carreira de treinador à frente do seu glorioso sagra-se campeão nacional
e ganha a Taça de Portugal em 69-70. Pela Federação Portuguesa de Futebol,
2.º lugar na Mini-Copa do Brasil.
Condecorado com a "Comenda da Ordem de Mérito Desportivo", comendador da
Ordem do Infante D. Henrique, Medalha de Prata da Cidade de Lisboa, Sócio de
Mérito da Associação de Futebol de Lisboa, Sócio de Mérito do Sport Lisboa e
Benfica, "Membro Honorário da Casa do Benfica N.º 65 de RI"

Impressões sobre a Casa do Benfica
"A melhor das impressões. Em todos os estados do EUA onde existem Casas do
Benfica são locais bem frequentados, não só pelos benfiquista, mas pelos
portugueses em geral", começou por dizer José Augusto.
"O Benfica dos meus tempos e antes dos meus tempos, já era campeão latino.
Já tinha a verdadeira mística. O amor, a paixão, a determinação. Aos 10 anos
de idade já era benfiquista, quando o Benfica fez uma festa de homenagem ao
meu pai que se encontrava doente e quando o Benfica tinha metade da sua
equipa de homens do Barreiro. Aliás o Barreiro e o Barreirense foram os
maiores fornecedores de grandes jogadores ao Sport Lisboa e Benfica. Depois
anos mais tarde tive o privilégio de ter sido aquilo que fui como jogador de
futebol, muito embora quando cheguei ao Benfica já tivesse todas as
internacionalizações. Quero com isto dizer que tinha passado por todas as
selecções desde os juniores, equipas B e A, selecção olimpica e militar
tendo aqui sido campeão mundial de futebol. Cheguei ao Benfica já com alguma
consagração, mas foi no Benfica que a veia despertou através de um trabalho
diferente, de uma competitividade muito maior, acabou por fazer um jogador
de outra dimensão. Participei em 5 finais. Ganhei 8 campeonatos nacionais, 3
taças de Portugal, 2 taças de Campeão Europeu", prossegue José Augusto.

"O Troféu Latino foi o primeiro troféu internacional que o Benfica ganhou"
"O Troféu Latino foi o primeiro troféu internacional que o Benfica Ganhou.
Depois surgiu a Taça dos Campeões Europeus. A década de 60 foi a época que
tornou o Benfica como grande mito do futebol, europeu e mundial e acabou por
tornar o Benfica como a equipa portuguesa de maior dimensão no mundo. Não
somos o mais rico, mas somos através de todos vós aqui radicados pelos EUA e
por todo o mundo o clube de maior dimensão e projecção no mundo", continua
estrela dos anos 60 do Benfica.

O Benfica actual
"Os tempos são diferentes. O futebol hoje tem uma outra expressão que não
tinha no meu tempo. No meu tempo jogava-se com paixão, com amor. Eram
contratados a tempo inteiro, à decada inteira. Não existia um regulamento de
jogadores. Este regulamento e do qual eu fiz parte surge em 1974, com o
Sindicato dos Jogadores. Este regulamento viria a libertar o jogador da
tutela do clube. Mas não era por existir a tutela que existia o amor à
camisola. O amor à camisola é um valor que vinha como exemplo dos grandes
dirigentes. Vinha como exemplo de uma dedicada massa associativa. Era o
tempo do associativismo. Hoje existiam as SADS que não vieram beneficiar o
futebol em nada e fez com que determinados valores se perdessem. As novas
gerações chegaram ao futebol como praticantes e ao dirigismo como dirigentes
sem terem a cultura clubista dos valores determinantes que fazem com que os
jogadores se possam dedicar de alma e coração ao clube. Isto não quer dizer
que os actuais profissionais são menos profissionais do que nós eramos
verdadeiros "amadores" na altura. Creio que todo o atleta que entra em campo
dá o seu melhor. Mas temos valores que se perdem em todos os campos, quer no
dirigismo quer no associativismo. São valores que não permitiram às actuais
pessoas que dirigem o futebol que não viveram, não sentiram, ou se o fazem é
de forma diferente. O que leva a perder a grande dedicação, tal como nós
tinhamos naquela altura", disse José Augusto.

"Quando cheguei ao Benfica senti uma alma muito grande"
"Fui um jogador sempre fiel ao Benfica. Fui o único que só vesti a camisola
encarnada. O Benfica era a equipa da solidariedade, a equipa do povo. Quando
cheguei ao Benfica senti uma alma muito grande e hoje tenho o privilégio de
dizer que o meu filho também vestiu a camisola do Sport Lisboa e Benfica,
mas na prática do basquetebol", disse José Augusto, para acrescentar logo de
seguida:
"O país onde estamos e que nos dá a felicidade de podermos gritar pelo
Benfica é aquele onde devemos permanecer. A todos os benfiquistas e
portugueses os votos das maiores felicidades. Sei que sentem e revivem as
origens, mas a terra onde vivemos, o país onde estamos e que nos dá a
felicidade de podermos gritar pelo Benfica é aquele onde devemos
permanecer", concluiu José Augusto.

Há 100 anos nasceu
Aquele que viria a ser
O rei dos clubes portugueses
E campeão a valer

Teve fama e teve glória
Atravessou todas as fronteiras
Levou Portugal ao mundo
Foi campeão sem barreiras

Da Luz foi baptizado
O palco onde actuou
Durante todos estes anos
Agora tudo mudou

Por ali passaram grandes
Jogadores de muito vulto
Um deles está aqui presente
De nome José Augusto

Eusébio grande campeão
Foi do futebol o rei
Não vos posso dizer mais nomes
Porque de futebol nada sei

Sou mulher de um benfiquista
Pelo clube tenho simpatia
Sempre que o Benfica ganha
Lá em casa é uma alegria

O Euro 2004
Vai ser um grande festival
Com gente de todo o mundo
Que vai ir a Portugal

O futebol é um desporto
Por vezes violência traz
Mas ouçam bem meus amigos
Em vez de guerra façam paz

Como as pessoas com 100 anos
As coisas começam a estar pretas
Assim também vai o Benfica
A ficar fraco das canetas

E como se isto não chegasse
Para esta crise a valer
O juiz de Vale e Azevedo
Pô-lo na rua sem a cama fazer

Que juiz tão repentino
Devia ter a cabeça às voltas
Nem deu tempo ao Vale e Azevedo
Vir à rua trocar de botas

Somos imigrantes no destino
Portugueses de nação
Trouxemos Portugal na alma
e o Benfica no coração

Ser benfiquista ou portista
Ser do Sporting ou da Madeira
Somos todos portugueses
Debaixo da mesma bandeira

Idalina Martins


Oficialização da Casa do Benfica N. 65 trouxe Eusébio a Cumberland em 1995
A historia do Benfica ali por Cumberland faz parte do livro de ouro da
"catedral erguida em nome de Portugal". Curiosamente há quem chame
catedral ao novo estádio do Benfica.
Modéstia à parte, mas "catedral" como o Clube Juventude Lusitana não é
fácil encontrar no mundo. A portugalidade que encerra em sucessivas gerações
em país de língua e costumes diferentes ultrapassa tudo o que se possa
imaginar.
Eusébio esteve no Clube Juventude Lusitana na oficialização da Casa do
Benfica N.º 65. Viveu com quantos encheram o salão a alma benfiquista e esta
sim em plena catedral erguida pela força de vontade dos beirões que se
foram radicando por estas paragens.
José Augusto no passado sábado viveu uma homenagem semelhante. Por certo
sentiu ele também a alma benfiquista, embora destroçada por resultados que
teimam em não aparecer, mas sempre na esperança de dias melhores.
É este o Benfica dignamente representado pelas Casas do Benfica de
Cumberland, Fall River, Cranston, Cambridge, New Bedford, que a seu modo
festejaram os 100 anos do Sport Lisboa e Benfica.
Curiosamente quem pôs de pé estas celebrações são os mesmos que receberam
Eusébio no salão do Clube Juventude Lusitana.
São os mesmos que desfilam nas paradas do Dia de Portugal, são os mesmos que
vão em romagem de saudade ao Cemitério do Monte Calvário. São a alma
benfiquista.

Comissão responsável pela Casa do Benfica N.º 65
A comissão que passou à história dos benfiquistas de RI e que teve honras de
receber José Augusto na passagem dos 100 anos do clube da Luz foi presidida
por Luís Candeias.
Com este activo encarnado estiveram Rui Henriques, Jack Costa, Manuel
Pestana, Mário António, Herculano Salústio e Luís Almeida.
O grupo "Os Amigos do Benfica" surge em 1963 para em 1995 ser criada a Casa
do Benfica N.º 65, que foi apadrinhada por Eusébio.



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