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Gatos e superstições
Vêm estes gatinhos a propósito de recente artigo da Time sobre gatos nos
EUA, são o animal de estimação preferido, sobretudo de velhinhas que há
andam de gatinhas e existem no país 50 milhões de gatos.
Refira-se que os gatos estão presentes na sociedade do homem como animais
domésticos há nove mil anos, mas não tem sido uma relação fácil e umas
vezes
foram vistos como deuses, outras como animais de mau-agouro.
Existem mais superstições sobre gatos do que sobre qualquer outro animal. Na
Mitologia acreditava-se que tinham influência sobre o tempo e ainda hoje há
quem acredite que choverá se um gato lavar as orelhas. E é capaz de haver
algum fundo de verdade nisso.
Há dois mil anos os gatos eram sagrados no Egipto. Bastet, a deusa da
fertilidade e da felicidade, era representada por uma mulher com cabeça de
gato. Ainda hoje, na Escandinávia e na Índia, o gato simboliza fertilidade.
Os budistas acreditam que o corpo do gato é uma casa temporária para a alma
de uma pessoa e os cristãos também abençoaram os gatos durante muitos
séculos porque alguns exemplares malhados tinham um M na testa que as
pessoas consideravam ser o Selo de Maria, mas no início da Idade Média os
pobres felinos passaram a ser vistos como animal do diabo, principalmente os
de cor preta e milhares foram queimados na praça pública.
Somente no final da Idade Média os gatos puderam descansar e passaram a
viver confortavelmente nas casas dos humanos como caçadores de ratos.
As caravelas dos descobrimentos marítimos quinhentistas levavam muitos
gatos, para prevenir desastres no mar e os primeiros colonizadores
americanos acreditavam que uma sopa de gato preto curaria a tuberculose, mas
ninguém queria arriscar a sorte matando o animal.
Não sei se já reparou, mas o gato tem nove vidas nos EUA, enquanto na Europa
são "só" sete. Haverá razões, pois embora todos gatanhem do
mesmo modo e
escondem o presente com a patinha, os gatos americanos não são iguais aos
europeus.
Nem sequer falam a mesma língua. Em Portugal, chamamos um gato dizendo
bsh-bsh-bsh-bsh-bsh-bsh e ele vem. Mas o gato americano não percebe
bsh-bsh-bsh. Só vem se dissemos kiti-kiti-kiti-kiti-kiti-kitiS
Braga Bridge
Diz-se que a Braga Bridge é a maior ponte do mundo, visto ligar os EUA a
Portugal. Na verdade, a ponte sobre o rito Taunton liga Fall River a
Somerset, localidades com numerosas comunidades portuguesas e daí ser
também conhecida como "portuguese slide" na gíria camionista.
O nome vem-lhe de homenagem prestada a Charles Braga Jr., luso-americano
morto no bombardeamento de Pearl Harbor.
No dia 7 de Dezembro de 1941, 190 caças japoneses descolaram de seis porta
aviões ancorados 275 milhas a norte da ilha havaiana de Oahu, a fim de
bombardear a armada dos EUA fundeada na base de Pearl Harbor.
A operação beliscou o orgulho americano: cinco navios de guerra afundados e
os restantes seriamente danificados, o mesmo acontecendo a 200 aviões. Havia
2.300 mortos entre soldados, marinheiros e civis e um deles era Charles
Braga Jr. tripulante do USS Pennsylvania natural de Fall River.
Depois de Pearl Harbor, os EUA entraram na II Guerra Mundial e viriam a
sofrer um milhão de mortos. Centenas de mancebos de Fall River foram
mobilizados e muitos perderam a vida, mas Charles Braga foi sempre
considerado o primeiro natural da cidade morto na guerra e, quando a ponte
foi inaugurada ninguém contestou que lhe fosse atribuido o seu nome.
Contudo, segundo Wreck Finders, uma organização de historia
segunda vaga de bombardeiros japoneses, às 9.06 e Braga terá morrido a essa
hora; contudo, às 8:30, portanto 36 minutos antes, no primeiro
bombardeamento, terá morrido outro natural de Fall River, Donat G. Duquette
Jr. Contudo, a notícia da morte de Braga chegou aos jornais de Fall River um
mês antes da notícia de Duquette.
Em 1992, o município de Fall River rendeu homenagem a Duquette colocando uma
placa com o seu nome na Stafford Square. Na altura a imprensa regional
levantou a questão de que, se a intenção era homenagear o primeiro natural
de Fall River morto na guerra, a ponte devia chamar-se Duquette, mas não
surgiu nenhum movimento nesse sentido e é de pressupor que continuará a
chamar-se Braga, tanto mais que a comunidade francófona nunca se preocupou
com isso e, por outro lado, nada garante que os relógios dos Wreck Finders
estejam certos.
Fortes Beach
Fevereiro foi mês da história afro-americana, mas ainda vai a tempo de
Eugénia Fortes, cabo-verdiana que imigrou menina, num tempo em que os EUA
adoptavam um apartheid do tipo sul-africano.
Apesar da Declaração de Independência de 1776 proclamar a igualdade de
todos os homens e dos seus direitos, os negros americanos ainda têm lugar
contra a discriminação.
Só em 1954 o Supremo Tribunal considerou a segregação contrária à
Constituição e, ainda assim, em 1962 o célebre governador George Wallace
barrou a entrada dos primeiros negros que tentaram matricular-se na
Universidade do Alabama, despolentando uma crise que obrigou o presidente
Kennedy a mobilizar a Guarda Nacional para manter a ordem.
Imagina-se portanto o que não eram as coisas em 1940, quando a jovem Eugénia
Fortes resolveu ir com uma amiga à East Beach, uma praia de Hyannis e, mal
tinham acabado de se estirar ao sol, apareceu um agente da autoridade a
exigir que saíssem, visto a praia ser reservada a brancos.
Desafiando segregacionismos, a cabo-verdiana ficou na praia até anoitecer e
entrou para a galeria dos heróis da luta pelos direitos civis nos EUA.
Decorridos mais de 60 anos já não há, pelo menos, segregação racial nas
praias de Hyannis, mas a coragem da cabo-verdiana não caiu no esquecimento.
Numa das suas últimas sessões de Dezembro de 2003, o conselho municipal
aprovou uma proposta de Greg Milne para rebaptizar a East Beach como Fortes
Beach considerando o incidente de 1940 "um triungo do espírito humano".
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McDonald's com programa polémico no Euro 2004
A Câmara Municipal de Lisboa, a UEFA e a McDonald's estão envolvidas numa
polémica selecção de crianças para acompanhar os craques durante o Euro
2004. Trata-se do programa Player Escort, iniciativa com todos os ingredientes
para ser um sucesso mas que poderá estar agora comprometida.
Cerca de 500 crianças que de outro modo talvez não pudessem assistir aos
jogos do Euro iriam poder entrar em campo pela mão dos jogadores, mas a
iniciativa não está ao alcance de todos devido aos critérios de selecção.
Num comunicado da Câmara Municipal de Lisboa assinado pela vereadora Helena
Lopes da Costa e dirigido às escolas do primeiro ciclo, pode ler-se que
"as crianças seleccionadas não devem possuir deficiência física ou
mental em
virtude da necessidade de acompanhamento especial (pedido da McDonal¹s)².
A exclusão despoletou reacções, visto tratar-se de "uma violação dos
direitos humanos", segundo o Sindicado dos Professores de Lisboa e a
contestação aumentou quando veio a público que a UEFA e a McDonald¹s
tinham feito idêntica proposta à Câmara Municipal do Porto, mas foi
recusada por ser "discriminatória e nazi", segundo o vereador
Agostinho Branquinho.
Pedro Santana Lopes, presidente da Câmara Municipal de Lisboa veio a público
em defesa da vereadora, adiantando que a senhora anda tão atarefada que nem
teve tempo de ler todas as cláusulas impostas pela UEFA e que reconheceu não
fazerem sentido.
Gilberto Madaíl, presidente da Federação Portuguesa de Futebol, também se
descartou alegando que o programa Player Escort não é uma organização da
UEFA e, como tal, as perguntas teriam que ser dirigidas à McDonald's.
Por último a McDonald's veio a público afirmando que as normas são da UEFA
e
que "nunca discriminou qualquer pessoa com base na sua incapacidade e que
este programa sempre esteve aberto à participação de todas as crianças que
sejam capazes de acompanhar as actividades de diversão e entertenimento".
Portanto, à boa maneira portuguesa, continua a não se saber quem foi
responsável pelo discriminatório critério de selecção e nem quais são as
crianças que poderão entrar em campo - todas ou só algumas?
O último Don
Juan. Jorge Guinle morreu sexta-feira no Rio de Janeiro e aos 88 anos,
depois de ter recusado submeter-se a uma cirurgia para remover um aneurisma
da aorta e foi sepultado segunda-feira no jazigo da família no cemitério de
São João Baptista, sem velório e acompanhado apenas por 30 pessoas e três
coroas, uma da companhia de teatro que está apresentar um espectáculo sobre
a sua vida. A morte foi notícia no New York Times e muitos outros jornais
dos EUA, por Jorginho, como era conhecido popularmente, ser um dos mais
famosos playboys latino-americanos, rivalizando com Rubirosa e outros.
Embora medisse apenas 1,65 metros de altura, namorou as mulheres mais
desejadas de Hollywood. Era de uma das mais ricas famílias brasileiras cuja
fortuna remontava a 1890, quando o seu pai, Eduardo, filho de imigrantes
franceses, ganhou a concessão por 90 anos para construir e operar o porto de
Santos, que se tornou o maior do Brasil. Quando Jorginho tinha 16 anos, o
presidente Franklin Delano Roosevelt hospedou-se na casa de seus pais. Nos
anos 40, Guinle teve o que foi talvez o seu único emprego, ao lado do seu
amigo Nelson Rockefeller, então o coordenador de Assuntos Latino-americanos
dos EUA. A sua função era rever os guiões de Hollywood para assegurar de
que
não havia filmes com a capital brasileira em Buenos Aires ou brasileiros a
falar espanhol em vez de português e, o resto do tempo, tomar uns copos com
Orson Welles, Ronald Reagan e Errol Flynn. Casou três vezes, uma delas com
uma enfermeira norte-americana, tocava saxofone e era uma autoridade no
jazz, tendo publicao em 1953 o livro Panorama do Jazz, mas o seu verdadeiro
know-how eram boas mulheres, bons restaurantes e bons vinhos. A década de 50
foi o seu período áureo. Copacabana, a "princezinha do mar",
segundo um tal
Dick Farney, atraía o jet-set e isso terá contribuido para que Jorginho
tivesse tido romances com algumas das mais glamorosas estrelas do cinema
como Rita Hayworth, Hedy Lamarr, Veronika Lake, Jane Russel, Kim Novak, Lana
Turner, Jane Mansfield, Romy Schneider, Anita Ekberh e Claudia Cardinale.
Desnecessário acrescentar que esbanjou a fortuna, mas quanto ao dinheiro
tinha uma teoria: "A gente vive o que gasta bem e não o que tem". O
ex-milionário considerava mesmo que "o segredo de uma boa vida é morrer
sem
um centavo na algibeira". Contudo, admitia: "Mas cometi um erro de cálculo
e
o dinheiro acabou-se demasiado cedo".
Vinhos para a América. "Está a acontecer uma revolução neste país
(Portugal), mas ainda ninguém deu conta disso". Foi desta forma que o
americano Christopher Melone, do Monitor Group, caracterizou o cluster de
vinhos portugueses, durante a apresentação da segunda fase do Relatório
Porter para o sector vinícola português. Na opinião da equipa do economista
Michael Porter, o vinho português ten enormes potencialidades comerciais,
mas é preciso mostrá-lo e saber como vendê-lo". O objectivo do relatório
é
quadruplicar as receitas de exportação para os mercados americano e inglês,
passando dos actuais 36 milhões de euros para os 136 milhões até 2010. Mas,
para tal, é preciso partir do princípio de que exportar não é "vender
para o
estrangeiro", mas sim "vender no estrangeiro", o que implica
promoção e
mudança de mentalidade e qualidade. Convém acrescentar que a maioria do
vinho português exportado para a América é consumido nas comunidades
portuguesas. Quanto a preços, podemos partir deste princípio: vinho que em
Portugal custa cinco dólares por exemplo, custa o triplo numa liquor store
dos EUA.
Prémio Reebok. Uma índia brasileira figura entre os vencedores de 2004 do
Reebok Humans Rights International Prize, prémio anual de direitos humanos
concedido pela multinacional de calçados e artigos desportivos Reebok, de
Canton, Mass. Trata-se de Joénia Batista de Carvalho, 30 anos, advogada que
coordena o departamento jurídico do Conselho Indígena de Roraima e pertence
ao povo Wapixana. Os escolhidos foram anunciados segunda-feira, Dia
Internacional da Mulher, por Paul Fireman, director da empresa e incluem
outras duas mulheres: Yinka Jgede-Ekpe, nigeriana portadora do vírus HIV que
actua no combate ao AIDS na África e Vanita Gupta, americana que luta contra
o racismo no sistema judicial dos EUA. Além delas, foi premiado o activista
afegão Nader Nadery, que foi preso por três distintos regimes no seu país.
O
prémio é no montante de 50 mil dólares.
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