Estou extremamente satisfeito com a vitória do Capelense no campeonato
regional de São Miguel. Sim, sim, eu sei que primeiro está o meu
estimadíssimo Santo António que fez um percurso brilhante até chegar à
II
Divisão, mas os que comigo viveram os tempos de infância sabem que o
Capelense foi a minha primeira paixão. Eram os irmãos Vicente, António e
Pedro Paulo ou os primos Rodrigues - Miguel, Messias (infelizmente já
falecidos), Eduardinho ou o Rasquinha que pintava a manta com a bola e fazia
um barulho desgraçado quando acabava o jogo, a rir, sempre a rir.
Mas este Capelense dos últimos anos tem passado por crises de identidade e
há quatro anos fechou mesmo as portas ao futebol sénior, um autêntico
escândalo para os que sempre viram nas Capelas um viveiro de jogadores, ao
ponto de sustentar durante anos a fio equipas como a União Micaelense e
Micaelense, de Ponta Delgada, e dar dois emdiabrados avançados ao Lusitânia
Miguel e Messias quando os "leões" da Terceira eram o ponto
de
referência do futebol açoriano.
Até que, há três anos, um jovem nascido nos Estados Unidos, muito bem
acompanhado por uma das mais recentes glórias do futebol de São Miguel,
feito nas escolas do clube e consagrando-se no Santa Clara, de cuja equipa
foi capitão quando esta militava na III Divisão Nacional, decidiu dar vida
a
um projecto ambicioso que dois anos e meio depois dava este saboroso fruto
vitória no campeonato e entrada directa na Série Açores.
Roberto Câmara, jovem nascido em Fall River e com residência na vizinha
Swansea, decidiu aos 23 anos, depois de completar com sucesso o seu curso de
engenheiro, mudar-se para as Capelas, muito por inflência do amor da sua
vida com quem casou e vive prolongada lua-de-mel. A senhora acontece ser
filha do Rogério Lucas (lembram-se dele o Rogério maluco da loja do
Rossio?!...) e logo aí começou o Capelense a ganhar. Fez uma aliança que
elvolveu uma família inteira a começar pelo sogro e irmão deste, o Dionísio
(outro doido pelo Capelense) e o filho deste, que é nem mais nem menos do
que o já referido Ricardo Lucas, com quilómetros de experiência num Santa
Clara ganhador.
O projecto começou com uma equipa certinha e meio eficaz que o ano passado
ficou a meio da tabela e acabou na vitória de domingo passado frente ao
Desportivo de Rabo de Peixe.
Uma freguesia inteira em alvoroço, à boa maneira antiga e a certeza de que
este Capelense está para durar.
Falei terça feira com o jovem presidente, que conheci o verão passado
aquando da última visita do Capelense a estas paragens. Falou dos projectos
futuros, da rivalidade sã mas muito amiga que diz ser possível ter com o
vizinho Santo António, da visita que já receberam do Vitor Cruz e Berta
Cabral (ano de eleições, é preciso aproveitar!) e falou essencialmente
deste
momento de uma alegria enorme que vivem todos os capelenses. Uma conversa
que vou espiolhar mais tarde, com mais tempo e com mais dados, na certeza de
que este é também um momento muito feliz para mim, mais não fosse do que
para relembar as minhas eternas e saudosas fugas domingueiras às Capelas,
com paragem obrigatória no campo de jogos e no cimena do "sô"
Artur. À
noite? Chegava a casa, levava com a galocha da tia Mariquinhas e sonhava que
ía ser um craque como o Miguel Dias e mais tarde iria casar com a Sofia
Loren. Sonhos perdidos, "of-course"!...