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Um português na Casa Branca?
Segundo o meu prezado Ted Kennedy, senador democrata e coleccionador de cães
de água portugueses, John Kerry vai ganhar as eleições presidenciais de
Novembro com 52 por cento dos votos e passaremos a ter uma primeira-dama
portuguesa e caldo verde e alheiras na ementa da Casa Branca.
E além de uma primeira-dama portuguesa há também possibilidades de um dia
vermos português na Casa Branca e sem ser cozinheiro ou jardineiro, mas como
presidente.
Depois da eleição do actor Arnold Schwarzeneger para governador da
Califórnia alguns jornais especularam sobre o seu futuro político, mas de
momento apenas poderá candidatar-se a senador ou congressista pelo facto de
ser imigrante, contudo a possibilidade de concorrer à Casa Branca não está
completamente excluida e talvez nem demore muito tempo.
Actualmente, a Constituição permite que apenas os naturais se candidatem à
Casa Branca e, refira-se, é mais fácil do que se pensa. Um cidadão
americano
sem o high school não pode trabalhar para o estado, mas pode candidatar-se a
presidente e, como se viu com Bush filho, nem precisa ser eleito.
Quando da proclamação da independência, os pais da pátria, os chamados
founding fathers, quiseram evitar que herdeiros da Coroa britânica
aparecessem por aí a cobiçar o lugar de George Washington e fizeram questão
de incluir na Constituição a cláusula 5, secção 1, do artigo 2, que
obriga
os candidatos a presidente a nascerem no país, contarem no mínimo 35 anos de
idade e não terem residido os últimos 14 anos no estrangeiro.
Os cidadãos naturalizados americanos podiam e podem exercer qualquer cargo
público com excepção da presidência, mas esta disposição foi contestada
por
um dos constitucionalistas, o presidente Thomas Jerfferson, que moveu
influências para uma revisão constitucional que permitisse a candidatura à
Casa Branca do seu secretário de Comércio, Albert Gallatin.
Gallatin seria mais tarde secretário de Estado na administração de James
Madison, mas o facto de ter nascido na Suíça impediu-o de ser presidente.
Mais recentemente, tivemos outros dois imigrantes como secretários de
Estado, Madelaine Albright e Henry Kissinger, que nasceram na Checoslováquia
e na Alemanha, respectivamente.
Na actualidade temos na administração de George W. Bush a secretária do
Trabalho, Elaine L. Chao, que nasceu em Taiwan e o secretário do
Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano, Mel Martinez, que nasceu
em Cuba.
Além de Schwarzeneger, que nasceu na Áustria, como governador da Califórnia,
temos Jennifer Granholm, que nasceu no Canadá, como governadora do Michigan.
O sucesso político de Schwarzeneger, que já era considerado vencedor das
eleições da Califórnia ainda antes das urnas fecharem, veio reacender a
velha questão da candidatura dos imigrantes à Casa Branca.
Trata-se de uma celebridade de Hollywood e o Partido Republicano deu-se bem
com Ronald Reagan, outro actor que também começou por ser governador da
Califórnia e depois representou o papel de inquilino da Casa Branca.
Mesmo tratando-se de um republicano que dorme com uma Kennedy, Schwarzeneger
poderá ser útil ao Partido e por isso o senador republicano Orrin Hatch, do
Utah, apresentou o ano passado uma proposta de emenda constitucional
permitindo que qualquer imigrante cidadão dos EUA há pelo menos 20 anos
possa candidatar-se a presidente.
A semana passada, em entrevista ao programa de televisão "Meet the
Press",
da CBS, Edward Kennedy disse que apoia emenda semelhante e o facto de
Schwarzeneger ser casado com uma sua sobrinha deve ser apenas coincidência.
De qualquer modo, o facto destes influentes senadores apoiarem uma emenda
constitucional permitindo a candidatura presidencial de imigrantes, traduz
um certo consenso da classe política sobre a controversa questão.
Em Julho de 2000, o congressista Barney Frank, democrata de Massachusetts,
apresentou proposta semelhante que não foi longe e possivelmente a proposta
Kennedy também ficará pelo caminho, pois os opositores já começaram a
reclamar que qualquer dia até um talibã pode ser presidente dos EUA.
Para alguns analistas políticos é uma situação "amazing", pois
em teoria
nada impede que um pobre imigrante pária no país onde nasceu chegue a
presidente dos EUA e o homem mais poderoso do mundo.
Convenhamos que os EUA são talvez o único país onde isso é possível.
Trata-se de uma nação de imigrantes, toda a gente descende de imigrantes e
mais de 30 milhões de habitantes são imigrantes.
Como tal, os americanos talvez sejam mais tolerantes à ideia de um
estrangeiro como presidente do país, do que os franceses, italianos,
ingleses ou portugueses.
No caso dos portugueses, por exemplo, não estou a vê-los a discutir a
possibilidade de terem um espanhol como presidente da República, mas não
estão livres disso.
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LAJES. A escolha da base das Lajes para o encontro de George W. Bush, Tony
Blair e Jose Maria Aznar que precedeu a invasão do Iraque terá partido do
governo português, segundo declarações do subsecretário de Estado John
Bolton à revista Visão, de Lisboa: "Creio que o governo de Portugal nos
convidou e ficámos muito felizes em fazer lá a reunião".
GUERRA. A guerra do Iraque, que a princípio aumentou a popularidade de
George W. Bush, Tony Blair e Jose Maria Aznar, virou-se contra eles, já
custou o poder a Aznar e poderá acontecer o mesmo a Balir e a Bush. Uma
sondagem do jornal Washington Post indica que 57% dos americanos querem que o
próximo presidente mude o rumo político dos EUA e, se as eleições fossem
hoje, o candidato democrata John Kerry Teria 48% dos votos e Bush 44%.
EMPREGOS. Os EUA perderam 2,2 milhões de empregos desde que George W. Bush
chegou à Casa Branca e John Kerry promete que, se for eleito, criará 10 milhões
de empregos em quatro anos. Mas os políticos devem ter cautela com
promessas. O jornal New York Times dá conta do desencanto de muitos
brasileiros com Lula da Silva, que antes de assumir a presidência do Brasil
também prometeu criar 10 milhões de empregos,mas já passou um ano e nada
mudou.
SEGURANÇA. Segundo o Wall Street Journal, o Departamento de Segurança
Nacional está planeando colocar inspectores da imigração em aeroportos
estrangeiros para filmar passageiros dos aviões com destino aos EUA e evitar
o embarque de possíveis terroristas ou simplesmente imigrantes ilegais, cujo
repatriamento custa depois largos milhões de dólares ao erário americano.
SUMIÇO. Mais de quatro biliões de dólares em receitas do petróleo
desapareceram dos cofres de Angola entre 1997 e 2002, segundo o grupo de
direitos humanos Human Rights Watch, com sede em New York, havendo suspeitas
de que tenham ido para as contas secretas do presidente José Eduardo dos
Santos e outros dirigentes angolanos. O governo angolano nega quaisquer
irregularidades, mas também não esclarece o sumiço.
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O inventor do avião foi americano ou brasileiro?
As celebrações do centenário do primeiro voo dos irmãos Orville e Wilbur
Wright indignaram muitos brasileiros que as consideraram uma injustiça
histórica para com um dos seus heróis mais queridos, Alberto Santos Dumont.
A 12 de Novembro de 1906, Santos Dumont voou 220 metros nos arredores de
Paris, num pequeno aparelho que parecia um cometa de asas rectangulares a
que chamou 14-bis.
Foi o primeiro voo público de que há notícia e o brasileiro tornou-se
conhecido na Europa como inventor do avião.
Só mais tarde os irmão Wright reivindicaram serem pioneiros alegando que
tinham realizado um voo em Kitty Hawk, Carolina do Norte, a 17 de Dezembro
de 1903, três anos antes de Dumont, mas para os brasileiros é uma das
maiores fraudes da história.
Os brasileiros alegam que os Wright não cumpriram os parâmetros fixados na
época para um voo e lançaram o seu aparelho no espaço com ajuda de uma
catapulta.
Os americanos contrapõem que, quando Santos Dumont fez o primeiro voo, já os
Wright tinham voado vária vezes, incluindo uma vez em que percorreram 39
quilómetros em 40 minutos.
Voar foi um grande passo para a história da humanidade e cada país
reivindica a liderança. Os franceses, por exemplo dizem que Clement Sader
voou antes dos Wright e de Santos Dumont.
E os portugueses também podem orgulhar-se do seu pioneiro da aviação, padre
Bartolomeu de Gusmão que, em 1709, apresentou na Casa da Índia, em Lisboa, o
seu balão de ar quente.
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Reticências...
As notícias não seriam tão alarmantes se toda a gente respeitasse os Dez
Mandamentos... A diferença entre boato e notícia reside apenas na maneira
como você escuta ou conta... As notícias tornam o mundo muito confuso: o Médio
Oriente está por vezes muito longe e o Extremo Oriente muito perto... As
notícias são sempre a mesma coisa, só que acontecendo a pessoas diferentes...
Nem todas as notícias que são para imprimir são para ler... Quem não se
preocupa hoje em dia com a situação do mundo deve ter problemas de recepção
no televisor... O jornal é uma biblioteca ambulante, mas com elevada tensão
arterial... Entre outras utilidades, o jornal serve para um homem se esconder
de uma mulher de pé à sua frente no autocarro... E não seria má ideia os
políticos lembrarem-se de que os jornais não podem imprimir o seu silêncio...
Ferreira Moreno
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Kerry vai à faca
O senador e candidato presidencial democrata John Kerry, na foto com o
senador estadual Marc Pacheco e o deputado Michael Rodrigues, durante uma
visita à Associação Académica de Fall River. Na altura, Kerry já pensava
concorrer à Casa Branca, não fazia segredo disso e já contaria também com
apoio de Pacheco, que é membro do comité financeiro da sua campanha. Kerry
é
hoje submetido a uma operação no Massachusetts General Hospital, em Boston,
para correcção de uma lesão muscular na omoplata direita, contraída
durante
a campanha eleitoral no Iowa. Regressará quinta-feira a Washington,
retomando domingo a campanha, agora para as primárias democráticas de 17 de
Abril na Pensilvânia e 4 de Maio em Indiana e Carolina do Norte. Se tudo
correr como os democratas esperam, Kerry será eleito presidente em 2 de
Novembro, o que desencadeará movimentações políticas regionais: é possível
que o congressista Barney Frank se candidate ao lugar de Kerry no Senado,
Marc Pacheco ao lugar de Frank na Câmara de Representantes e o antigo
conselheiro municipal de Taunton David Simas ao lugar de Pacheco no Senado
de Massachusetts. A ver vamos.
Nasceu no mar
Faleceu dia 10 de Março em Hayward, Calif., a srz. Josephine Sachem Nunes,
84 anos. Deixa viúvo, Larry Nunes, um filho, Dennis Nunes; seis irmãs,
Christina Pacheco, Minnie Sanchez, Frances Serna, Mable Torres, Matilda
Pasley, e Mary Pacheco; quatro irmãos, Benny Pacheco, Joe Pacheco, Domingo
Pacheco, e Albert Pacheco; cinco netos e um bisneto. Os pais de Josephine e
a numerosa prole fixaram-se inicialmente no Hawaii; mas como muitas outras
famílias portuguesas mudaram para a área de San Francisco. Josephine nasceu
precisamente na viagem de Honolulu para San Francisco e dai os pais terem
decidido dar-lhe o nome do navio em que viajavam, o Sachem. Além do nome do
navio a certidão de nascimento incluia também o ponto oceânico: 24 graus e
47 minutos de latitude e 15 graus e 2 minutos de longitude.
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