Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha




A Hora!...

A hora, quem considera,
Na chegada, na partida,
Ela é,  durante a vida,
O final da incerteza
De quem pela hora espera.
Pode trazer na verdade
Esp¹rança, felicidade,
Alegria ou a tristeza!

A hora é sempre esperada,
Ela é que nos desperta
A estar na data certa,
Com a maior precisão.
Quem chega na hora errada
Encontra sempre revezes,
Pode sofrer muitas vezes
A maior desilusão!

Qualquer hora sempre é
Desejada, indesejada,
Quando a hora é chegada
É ela que nos conduz.
A mãe que vai ter bebé,
Desejando a boa hora,
Aflita ela implora
Aos seus santos ou Jesus!

A hora é muito importante,
Marca o tempo que se passa,
Regulando o que se faça,
Como a hora da comida.
Ela marca a cada instante
O infortúnio ou a sorte.
Desde o nascimento à morte
É o ponteiro da vida!

Cada minuto ou segundo,
Lá está a hora marcada.
Sem hora, ninguém faz nada,
Ela é quem tudo comanda,
Dos movimentos do mundo,
Desde o atraso ao avanço,
Do trabalho ao descanso,
Tudo à sua volta anda!

A hora, em seu conteúdo,
Regula a vida em geral,
Marca tudo, o bem, o mal
Da vivência vida fora.
Da hora, depende tudo!...
Mas porque estou teimando,
Sempre na hora falando?!...
Àh... já sei... mudou a hora!...

Perante uma tal mudança,
Aproveitemos agora,
Já que mudaram a hora,
Vamos nós também mudar.
Trazer ao mundo a esperança
Duma muda radical.
Numa mudança geral
Pouco há que aproveitar!

Vamos mudar os destinos,
Deste mundo tão selvagem,
Deitar homens de coragem,
Na frente das nossas sortes.
Afastar os valdevinos
Que em troca de cofres cheios,
Em loucuras, devaneios,
São cúmplices de tantas mortes!

Desviar do pedestal
Todo ou quem o mundo ilude,
Cuja instrução e saúde
Do seu povo extermina,
Desviando o capital
P¹ró pior erro da Terra,
A devastadora guerra
Que destrói, mata, chacina!

Mudar para quem transforme
Este mundo tão carente,
Pensando em toda a gente,
Todos têm direito à vida.
A desgraça é enorme.
Um mundo cheio de drogados,
De fome e de maltratados,
Cheio de venérios e sida!

Mudar tudo que na Terra,
Por ganância mal se emprega,
E a quem precisa se nega,
Só p¹ra ter muito e ter nome.
O que gastam numa guerra,
Às vezes bastante extensa,
Curava toda a doença
Matava no mundo a fome!...

Quem é rico, mais deseja,
Ninguém quita os seus milhões,
Nem o cargo de mandões.
O pobre só pensa ter
Mesmo pouquinho que seja,
Pãozinho na sua mesa,
Ter na véspera a certeza
D¹ amanhã ter p¹ra comer!

Mudar o todo poderoso,
Preso na beira do tacho,
Pronto a fazer capacho
De quem tanto trabalhou
E que hoje, já idoso,
Cansado, é quem se aponta,
Que se lhe corta e desconta
Da miséria que alcançou!

Mudar aqueles na Terra
Que não olham para o povo
E venha alguém de novo,
Mais humano, menos rude,
Renegando qualquer guerra.
Sabendo de antemão
Ser o cerne da nação
Educação e saúde!...

Que esta gente vindoura,
Não caia na esparrela,
Faça uma varredela,
Tragam bem limpos seus cacos,
Mas, passem bem a vassoura,
Limpando bem os cantinhos.
Não deixem alguns restinhos,
Esgravatam os buracos!...

O futuro se aproxima,
O mundo, com o seu povo,
Terá que nascer de novo.
Tirar toda esta escumalha
Que lhes vai caindo em cima.
Nascer a paz e o amor,
E o mundo dar mais valor
Ao braço que lhe trabalha!...

O rei terá  seu lugar!
Quem é sábio será  grande,
Mas, todo aquele que mande
Será bem recto e justo.
Não há que apadrinhar,
A justiça é a verdade,
A razão da sociedade,
Custe lá o que nos custe!...

PS
Eu cá por mim não me ralo,
Estou no fim da viagem,
Qualquer que seja a viragem
Não afecta a minha vida.
Mas confesso,  não me calo,
Eu sofri tanta injustiça,
Por maldade ou por cobiça,
Até de gente instruída!

Como o tempo se passou...
E tudo o vento levou!...




      
      


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