Em Junho, para apresentação do seu livro
Autor de "Fado Português, Songs from the Soul of Portugal" vai estar em New Bedford e Fall River

Donald Cohen, um advogado reformado, natural de Nova Iorque e a residir
actualmente em Los Angeles, California e que publicou há alguns meses atrás
um livro sobre fado ("Fado Português, Songs from the Soul of Portugal"), vai
estar dias 1 e 2 de Junho em New Bedford e Fall River para apresentação da
publicação nesta área, na Baker Books. Refira-se que a primeira edição está
já esgotada. O livro, tal como PT anunciou a semana passada, será
apresentado em Portugal, com nova edicão revista e aumentada.

Em conversa telefónica na passada semana para PT, no mesmo dia em que era
entrevistado pela RTP Internacional, Donald Cohen começou por explicar o seu
interesse por Portugal e pelo fado:

"Tudo aconteceu por acaso, quando em Los Angeles, numa viagem de carro
sintonizei uma estação americana e ouvi uma linda voz e uma canção fabulosa.
Tratava-se de Amália Rodrigues a cantar um fado. Esse foi na realidade o meu
primeiro contacto com a música portuguesa e o fado em particular. Fiquei
muito impressionado. Senti emoções muito fortes. Fui logo a uma loja de
discos e a minha primeira colectânea editada pela Columbia Records continha
nomes do fado como Maria Clara, Max e Hermínia Silva", confidenciou-nos
Donald Cohen, que em 1970 foi a Portugal "apenas por amor à música
portuguesa".

"Durante as minhas viagens a Portugal no início dos anos 70, tive
oportunidade de observar as mudanças profundas nas atitudes para com o fado
e a sua relação com a sociedade portuguesa. Nas primeiras viagens a
Portugal, o fado podia ser ouvido em toda a parte, cantado não apenas por
profissionais, mas também frequentemente por amadores talentosos, de idade
avançada e muito pouca juventude. Durante esse período o fado foi conotado
com o passado e com o regime ditatorial fascista de Salazar. Contudo, nos
últimos vinte anos, tem-se registado profundas alterações de mentalidade em
relação ao fado, considerado parte vital da herança portuguesa e não como
uma identificação ao velho regime salazarista. Nos últimos anos tem-se
notado uma 'explosão' de novos valores, como Mariza, Mísia, Camané, Mafalda
Arnauth, Katia Guerreiro, Cristina Branco, Margarida Bessa e muitos outros",
afirma Donald Cohen, que se mostra entusiasmado com a oportunidade de poder
contactar a comunidade portuguesa desta área:
"Vou estar aí a 1 e 2 de Junho, na Baker Books, em Fall River e New Bedford,
para apresentar e autografar a segunda edição deste meu livro, uma vez que a
primeira está esgotada. Esta segunda edição foi revista e aumentada. Espero
que os portugueses gostem do livro. Desta vez estará à venda não só em lojas
de música como ainda em livrarias", diz-nos este grande admirador e
apaixonado pelo fado. "Adoro o fado, Lisboa e os portugueses e até na
matrícula do meu carro uso a palavra fado e o meu website é o seguinte:
www.fado.org", conclui Donald Cohen.

"Fado Português, Songs from The Soul of Portugal", tal como PT anunciou na
edição do passado 4 de Fevereiro, é um livro de 144 páginas, escrito em
inglês, contendo uma breve história sobre o fado juntamente com transcrições
musicais, acordes de guitarra e poemas em português e inglês. O livro contém
ainda um CD com 26 populares fados, extensivos apontamentos sobre cada fado
e seus autores, para além de fotos históricas da cidade de Lisboa, clubes e
restaurantes de fado e intérpretes, podendo também consultar aqui as mais
populares casas de fado, com endereços e números de telefone.

O CD contém os seguintes fados: "Lisboa Antiga" (interpretado por Amália
Rodrigues), "Coimbra" (Amália Rodrigues), "Ai Mouraria" (Amália Rodrigues),
"Por morrer uma andorinha" (Carlos do Carmo), "O embuçado" (João
Ferreira-Rosa), "A Rosinha dos Limões" (Max), "Vinte anos" (Celeste
Rodrigues), "E foi-se a mocidade" (Carlos Ramos), "Meu Bairro Alto" (Nuno da
Câmara Pereira), "Valeu a pena" (Carlos Ramos), "Rosa enjeitada" (Maria
Teresa de Noronha), "Fado Hilário" (Luís Goes), "Da janela do meu quarto"
(Tristão da Silva), "A moda das tranças pretas" (José da Câmara e D. Vicente
da Câmara), "Júlia florista" (Max), "O pagem" (Alfredo Marceneiro), "Bons
tempos" (Carlos Ramos), "Fado da defesa" (Margarida Bessa), "Lisboa não
sejas francesa" (Amália Rodrigues), "Há muito quem cante o fado" (Manuel de
Almeida), "Lisboa é sempre Lisboa" (Tristão da Silva), "Fado trinta e um"
(António Mello Corrêa), "Tamanquinhas" (António Mello Corrêa), "Ah, quanta
melancolia" (Filipe Pinto), "Maria Madalena" (Lucília do Carmo) e "Minha mãe
foi cigarreira" (Filipe Pinto).

Donald Cohen, que se revela grande amigo de Carlos do Carmo, leccionou
História durante vários anos na universidade UCLA e Ciências Bibliotecárias
na U.S.C..
Na sua nota de agradecimentos, Donald Cohen reconhece a colaboração dos seus
amigos Celeste Rodrigues, Carlos do Carmo, Rodrigo, João Pestana Dias, José
Elmiro Nunes, Cidália Maria, Hélio Beirão e o saudoso Aniceto Baptista. O
autor refere ainda nomes conhecidos da diáspora, como o radialista Tito
Rebelo, o fadista Aurélio Oliveira, Glória Melo, o cônsul de Portugal em Los
Angeles, Edmundo Macedo, o professor Eduardo Mayone Dias.
O autor, recomenda uma visita a Portugal e particularmente à Casa de Fado e
da Guitarra Portuguesa (Museu do Fado), em Alfama, Lisboa.



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