Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha




Coisas da bola...
Os compadrios!...


Neste Globo Celeste,
Bola do mundo chamado,
Que revolta tantas tolas
E de farrapos se veste,
Hoje, tão louco,  esfarrapado,
Entre alguns tipos de bolas.

A bola, chamada mundo,
Este globo ou esfera,
Por humanos governado,
Tornou-se tão nauseabundo,
Que atravessamos a era
De tudo apadrinhado!

Hoje, democraticamente,
P¹ra ser eleito, primeiro
Há que se apadrinhar
Da força da alta gente,
E de quem tem o dinheiro,
Para ensinar a falar!

Não esqueçam, nas nações,
Estes senhores do penacho,
Que andam lá nos altares,
Estragam muitos milhões,
Para apanharem um tacho
Que só pagam uns milhares!...

E quem lhes deu tal quantia,
Tem na mão este senhor
Por ele bem bafejado.
À espera do tal dia
De receber o favor,
Mas agora em triplicado!...

Às vezes é de ter dó,
Vê-los de mãos amarradas,
De cordelinho esticado.
Ninguém dá ponto sem nó,
Todas estas somas dadas
São pagas em triplicado.

Não vou dizer algo novo,
Lembrar qu¹o exorbitante
E chorudo conteúdo
É pago pelo Zé Povo.
O pobre do Zé Pagante
É quem no fim paga tudo!

E quando existe um desvio,
(Roubo não, que fica feio!)
Estes nunca roubam, não!
Por uns tempos cala o pio,
Foi loucura, devaneio,
Foi só uma tentação!...

O compadrio, com estima,
Encobre toda a verdade,
Perante todo o seu povo.
Deita-lhe a capa por cima,
Lava toda a sujidade,
E ele fica como novo!

É o que agora acontece,
Nem só co¹a  bola do mundo,
Mas com a do futebol,
Que segundo o que parece,
S¹esgravatam bem a  fundo,
Vai ter que aumentar o rol!...

Gente que, (se é verdade!)
É de se bradar aos Céus,
Sempre tão moralizados.
Gritando moralidade,
Agora, valha-nos Deus,
No suborno enterrados

Lembra-me estes cortesãos,
Aquele ditado antigo
Do sacerdote devasso,
Que dizia p¹rós irmãos:
< Façam vocês o que eu digo,
E não façam o que eu faço!

Hoje, por todos os países,
Há sempre que lamentar
Estes senhores interesseiros.
Bem pior, são os juizes,
Que se deixam subornar,
Por favores ou por dinheiros!

PS
De novo eu vou-lhes contar
Como é tão infeliz
O suborno dum juiz
Que  se deixa subornar.
Com tantas facilidades,
Como sejam meretrizes,
Hoje se compram juizes,
De todas as qualidades!

P¹ra esta gente interesseira,
É bater em ferro frio,
Pois não têm nenhum brio,
Só lhes interessa a carteira.
Contra esta garotice,
Vou tornar a insistir,
Voltando a repetir
O que há tempo aqui disse.

Um juiz, p'ra quem pensar,
O que ele é na verdade,
E a responsabilidade
Que ele tem ao julgar,
Tem que ser um Salomão,
Justo, justo, muito justo,
Qualquer que seja o seu custo,
Sempre ao lado da razão!

Mas os há, infelizmente
Que se trocam por dinheiro,
E algum menos interesseiro,
Só por vinho ou aguardente.
Também há os valdevinos,
Que sendo uns incompetentes,
Castigam os inocentes
Libertando os assassinos.

Estes são nos tribunais,
Mas há os tipo reinol
Que reinam no futebol,
Àrbitros e outros mais,
Que pela ignorância
Da responsabilidade,
Impõem  sua vontade
Mostrando a sua importância!

Dão motivo a divergência
Com zaragata infernal,
Às vezes, sem ser por mal,
Mas sim por incompetência.
Do nada fazem mistérios,
Dando má reputação
D¹alguns juizes que são
Ainda justos e sérios!

Quanto ao público que assiste
Aos erros imperdoáveis
Dos árbitros indesejáveis
E que no fim não resiste
Sem gritar nomes grotescos,
Deve ser aconselhado
Por alguém mais moderado
A ir tomar uns refrescos!...

Deste modo, ao fim ao cabo,
Não se resolve a questão,
Vem a briga, a discussão
E depois é o diabo,
No meio de tanto barulho
Envolvem-se outras pessoas,
Que sabemos que são boas,
Mas também vão no embrulho!...

Vai haver novos desvios,
Tal como a Casa Pia,
Ainda no dia a dia,
Já cheia de compadrios,
Que depois de tanta volta
E de muito remexido
Vai ficando esquecido,
Com os culpados à solta!

Não quero o mal p¹ra ninguém,
Este não é meu desejo,
Só digo aqui o que eu vejo
E as notícias que contêm
Nos meios de informação,
Um enrolar de pessoas
Que ainda as julgo bem boas,
Mas não sei se são ou não!...
Aberto o fruto, acontece
Que se há podre, aparece!...

À última hora!...
No hotel, bem sentado,
Sem esforço ou aflição
É o Porto campeão,
O que já era esperado.
Mas o Leiria teimou
Que havia de anticipar
E o título lhe entregar
Quando ao Sporting ganhou!...

E hoje, com todo o conforto,
O Campeão, é o PORTO!...


      
      


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