Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha




Amigos...
A vida é isto!...

Amigos, a vida é isto!...
São alegrias bisonhas,
Cheias de poucas vergonhas
E fantasias, um misto.
À mercê dos que afagam
Os crimes e falcatruas,
Trazendo nús pelas ruas,
Os tristes que tudo pagam.
Há os chulos que se abeiram,
Os que cospem, os que tramam,
Os que chupam, os que mamam.
Também há os que só cheiram!...

 *        *        *

Há que aguentar, meus senhores,
Porque a vida é isto mesmo,
Andar por aí a esmo,
Viver todos  dissabores.

Ter que aguentar as mistelas,
Que nos enviam os mandões
Por todas estas nações,
Estas sangrentas novelas.

Quem está no pedestal,
Dita a Bíblia p¹ró seu povo,
Cada mandão, livro novo.
Há que aceitar, bem ou mal.

Onde o governo é a lei!
Perante um povo patego,
Pacato, míope, cego,
Quem tiver um olho é rei!

Por aqui, podem bem crer,
Há gente esperta, não nego,
Não posso dizer que é cego,
Mas, ao menos, não quer ver!...

Do modo que se inclina
A vida, tudo a subir,
Ninguém já pode suprir
O preço da gasolina.

E nem só há que cramar,
Gritar toda a nossa mágoa,
Contribuições, gás e água,
Ninguém ouço reclamar.

E o Zé metido num beco
Se saída e sem dinheiro,
Faz contas o dia inteiro,
Coitado engolindo em seco!

Sabe-se, em democracias,
(Quando a coisa bem anda!)
É sempre o povo quem manda.
Isto é, nos primeiros dias!

Porque depois o governo,
Mete os pés por entre as mãos,
E talha p¹rós cidadãos
A fogueira do inferno!
Só vemos hoje sobre a Terra,
Os democráticos governos
Com seus tumultos eternos,
Entre revoltas e guerra.

Quando o povo não aceita
E qualquer guerra condena,
O governo muda a cena
P¹ra uma guerra ser feita?

Mentem, fingindo a verdade,
Tudo democraticamente,
Enganando toda a gente,
Com todo o seu avontade.

A vida é isto somente,
P¹ra poder sobreviver,
Todos temos que comer
Uns aos outros mutuamente!

Todos, não há escolhidos,
Vamos comendo o parceiro,
Tentando comer primeiro
Antes de sermos comidos!

Tudo que nos mata a fome,
Sabemos que é relativo,
Também come algo vivo
E depois a gente o come.

No mar, em seu conteúdo,
Há um exemplo estampado,
Temos o peixe mais grado,
Comendo o peixe miúdo!

Cria a terra os vegetais
E outras ervas nascidas,
Que acabam por ser comidas
Por todos os animais.

E estes, nas mesmas sortes,
Acabam por ser tragados,
Mesmo crus ou cozinhados,
Dentro da lei dos mais fortes!

Até cá dentro da gente,
Há glóbulos em disputa,
Uns com outros  numa luta,
Matando-se mutuamente!

E conforme a coisa corre,
Se a luta não é travada,
Com veneno equilibrada,
Aí todo o corpo morre!

Mesmo após termos morrido,
O corpo e tudo que encerra,
É coberto pela terra
P¹ra ser de novo comido!

Não temos mais que cramar,
Amigos, a vida é isto,
Tudo passa, pelo visto
Ninguém veio para ficar!

Que fiquem bem convencidos,
P¹ra poderem  se suster,
Têm que outros comer,
P¹ra depois serem comidos!

E o comedor final,
Que por lei ninguém o come,
É o ser que tem por nome
O animal racional!...

Apesar de tão ditoso,
Quando a selva eles pisam,
Há antropófagos que dizem
Que o ser humano é saboroso!

O humor ou esta graça,
Foi escrita à lua cheia,
E daí, a minha ideia
Traz humor negro, mas passa!

Da maneira que eu entendo,
É uma roda girando.
Onde uns vão se apagando
E outros se acendendo!

E depois, naquela calma,
Inertes, tal como eu penso,
Não há mais sonhos nem senso,
Só nos vai restar a alma!

E é ela que pelo visto
Um dia irá ser julgada
Quando for feita a  chamada
Pelo Senhor Jesus Cristo!

Pensem bem em Jesus Cristo,
Quanto ao resto,
A Vida é Isto!...



      
      


Voltar à primeira página desta edição

 Voltar à Primeira Página


Copyright © 1997/2001 The Portuguese Times
Autorizada a reprodução de artigos publicados nesta página desde que mencionada a origem