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Dia D
Assinalados no passado domingo os 60 anos do Dia D, o desembarque aliado nas
praias da Normandia, França, a 6 de Junho de 1944, iniciando a ofensiva
aliada contra os exércitos alemães que ocupavam a maior parte da Europa.
A operação recebera o nome de código de Overlord, mas Winston Churchill
chamou-lhe O Dia Mais Longo e foi o nome que ficou como um legado de coragem
para as gerações futuras.
As forças invasoras eram constituídas por britânicos, canadianos e
americanos.
Ao contrário do que acontecera na I Guerra Mundial, quando duas divisões
portuguesas sofreram pesadas baixas em França, na II Guerra Mundial Portugal
adoptou uma neutralidade cautelosa e a maioria dos portugueses escapou aos
horrores da guerra.
Ainda assim, nos EUA morreram uma boas centenas de luso-descendentes. Por
sinal, no Canadá, onde vivem hoje muitos portugueses, eram poucos nos anos
40, pois começaram a fixar-se naquele país precisamente depois da guerra.
Ergue-se no Kennedey Park, em Fall River, um belo monumento aos
luso-descendentes na II Guerra Mundial, inaugurado a 30 de Maio de 1951. É a
estátua em bronze de um soldado de arma à tiracolo e contém nomes dos
luso-americanos da cidade caídos em combate.
Noutras cidades com portugueses existem monumentos idênticos, pois todas as
comunidades, como a generalidade dos imigrantes, manifestavam lealdade para
com a pátria adoptiva e procuravam apoiar o esforço de guerra.
Tal como hoje fazem em favor de conterrâneos em dificuldade ou da igreja da
terra natal, há 60 anos os portugueses promoviam festas para ajudar o
esforço de guerra. Em 1942, a League of Portuguese Fraternal Societies of
California ofereceu $10.000 para dois canhões "como pequena prova da
solidariedade luso-americana para com esta grande nação".
Não faltam histórias da nossa gente na guerra, é como um casal
cabo-verdiano
de New Bedford que chegou a ter quatro filhos mobilizados ao mesmo tempo,
mas uma das mais curiosas é a intervenção dos pescadores de atum de San
Diego na guerra do Pacífico.
Refira-se que os portugueses foram pioneiros da pesca comercial do atum na
Califórnia, caso dos irmãos Medina que vieram do Pico em 1910. Manuel de
Oliveira Medina passa por ter mandado construir em 1919 o Oceana, o primeiro
barco destinado exclusivamente à captura de tunídeos.
No livro "Os Primos da América", Ferreira Fernandes recorda que
Roosevelt
tinha prometido aos marines que combatiam no Pacífico que teriam o
tradicional peru na festa do Thanksgiving. Mas só os atuneiros podiam
proceder à distribuição dos perus por terem refrigeração e baixo calado
para
abordar as ilhas do Guadalcanal e as embarcações foram requisitadas pelo
governo.
Joe Medina capitaneou uma Landing Strip Tank (LST), barcaça de desembarque,
a bordo da qual seguia a bandeira que foi içada no cimo do monte Suri-bachi,
na ilha de Iwo Jima, momento imortalizado numa foto famosa.
Os atuneiros requisitados recebiam uma sigla (yp e três algarismos), mas
conforme refere Urbino San Payo no livro "Os portugueses na Califórnia",
quando regressaram depois à pesca retomaram os nomes dos seus antigos
armadores, capitães e tripulantes e lugares de origem tais como Madeirense,
Azoreana, Picaroto, Madruga, Mascarenhas". Como se nada tivesse
acontecido.
Dos 16 milhões de americanos que comabateram na II Guerra Mundial restam
apenas uns quatro milhões, hoje respeitáveis octogenários que estão a
desaparecer à razão de mil por dia. Mas meia dúzia de anos e já não haverá
muitos.
Mas no que diz respeito à comunidade portuguesa, essa geração teve grande
influência. Os veteranos partiram rapazes e regressaram homens integrados na
sociedade americana e constituiram associações como Portuguese American
Servicemen's Club e Portuguese American Citizen's Club, para intervenção
política e defesa de interesses comuns. Muitos aproveitaram as bolsas de
estudo concedidas aos veteranos e tiraram cursos ou ingressaram na polícia,
nos bombeiros e função pública.
Se a I Guerra Mundial, conforme se diz, permitiu que os portugueses das
velhas cidade industriais da Nova Inglaterra tivessem dado o salto dos
campos agrícolas e da pesca para as fábricas, a II Guerra contribuiu para
que saltassem das fábricas para os escritórios.
Memória portuguesa de Reagan
Ronald Reagan morreu dia 5 de Junho, aos 93 anos, na sua casa em Los
Angeles. O ex-presidente, que sofria de Alzheimer, não era visto em público
há anos.
Foi presidente dois mandatos consecutivos, de 1981 a 1989 e ganhou a
admiração de outros chefes de Estado ocidentais pela sua abordagem das
questões relativas à conjuntura mundial da época.
Mas os americanos não passaram a viver melhor depois da sua passagem pela
Casa Branca, pelo contrário. Criou uma política de crescimento que diminuiu
a tributação dos ricos enquanto os pobres viam aumentar os impostos e o
colesterol.
Nascido em 1911, Ronald Wilson Reagan trabalhou como locutor de rádio na
juventude. Em 1937, fez um teste em Hollywood e nos 20 anos seguintes
trabalhou no cinema. Mais tarde, diria que não era propriamente actor e
tinha 57 filmes que o podiam provar.
Contudo, os oito anos de Reagan na Casa Branca tiveram elementos de um filme
de Hollywood. Envolveu-se em escândalos, cometeu gafes e até sofreu uma
tentativa de assassinato no primeiro mandato, que contribuiu para aumentar a
sua popularidade ao dirigir-se aos médicos perguntando se eram do Partido
Republicano.
O bom humor foi uma das marcas de Reagan, assim como as várias gafes que
cometeu. Uma delas atingiria em cheio o orgulho dos brasileiros. Em 1982,
num banquete durante uma visita a Brasilia, Ronald Reagan levantou-se e
propôs um brinde ao "povo da Bolívia".
Percebendo rapidamente a gafe, Reagan tentou corrigir, dizendo que a Bolívia
seria o próximo país que iria visitar na sua viagem pela América Latina e
foi mais uma gafe: depois do Brasil, o presidente seguiria para a Colômbia,
Costa Rica e Honduras. A Bolívia não estava previsto no roteiro.
Essa ligeireza na abordagem dos problemas, fez com que Reagan se tornasse
amigo de Saddam Hussein na década de 80 e recebesse Jonas Savimbi na Casa
Branca, fechando os olhos aos seus actos terroristas.
Outra embrulhada do seu governo foi o escândalo Irangate. O inquérito ilibou
Reagan pessoalmente, embora recriminado-o por não ter controlo sobre as
decisões tomadas pelos seus assessores. Um deles um tal coronel Oliver
North, que hoje apresenta programas na TV Fox News.
Apesar do escândalo, Reagan deixou a presidência em 1989 como um dos mais
populares líderes americanos de todos os tempos, sendo substituido pelo seu
vice, George Bush, pai do actual presidente, George W. Bush.
Reagan visitou Portugal em 1984, sendo recebido em Lisboa pelo então
presidente Ramalho Eanes e pelo ex-primeiro ministro Mário Soares.
Em declarações à RTP, Soares recordou um jantar na Casa Branca durante o
qual Reagan se borrifou no protocolo e sugeriu familiarmente que visse a
origem da faiança em que estava a ser servida a refeição. Tratava-se de um
serviço de Vista Alegre.
Essa capacidade de ser simpático e engraçado, mesmo quando controverso, foi
a marca de Ronald Reagan. Rest in peace.
Pete Souza, fotógrafo de Reagan
Pete Souza foi durante seis anos fotógrafo particular de Ronald Reagan.
Nascido há 49 anos em New Bedford, cresceu em South Dartmouth e começou a
trabalhar para a Casa Branca em 1983, depois de vários anos de
fotojornalismo.
A função era fotografar todos os momentos oficiais do presidente, na Sala
Oval e nas deslocações pelo país e estrangeiro. Mal saiam da camera de
Souza, os rolos fotorgráficos eram enviados ao Arquivo Nacional.
Souza reside em Arlington, Va. Em entrevista ao jornal Standard Times, de
New Bedford, disse que a última vez que se encontrou com Reagan foi em 1992,
quando se deslocou a LApara lhe oferecer um álbum fotográfico que publicou
sobre os seus anos na Casa Branca.
Portuguesa detida
Segundo o Luso, a portuguesa Céu Duarte foi detida dia 24 de Abril nos EUA,
à saída do avião, algemada, interrogada sobre a ligação às FP 25 e
devolvida
a Portugal. A referida senhora já tinha visitado os EUA várias vezes sem
qualquer problema, mas desta vez foi barrada a sua entrada no país.
Perante a ameaça de terrorismo, as autoridades americanas reforçaram as
medidas de segurança, apuraram que Céu Duarte esteve presa entre 1984 e 1987
e, embora tenha sido julgada e absolvida, preferiram não arriscar.
Qualquer dia até o primeiro ministro português corre o risco de ser detido
no aeroporto e repatriado para Lisboa. Durão Barroso foi membro do MRPP e,
ao que consta dos mais barulhentos.
Colombo era alentejano
Gozando delícias dos netinhos e da reforma, o dr. Manuel Luciano da Silva
fez uma pausa na Tribuna Médica que apresenta no Portuguese Channel e deu
uma saltada à santa terrinha, aproveitando para proferir uma palestra em
Cuba, Alentejo, sobre a teoria defendida por investigadores portugueses e de
que é divulgador nos EUA: Cristovão Colombo era português, judeu e natural
daquela vila alentejana.
Estas e outras teses sobre a nacionalidade de Colombo não passam disso mesmo
e não estão historicamente fundamentadas. Simon Wisenthal, o célebre
"caçador de nazis" também atribuiu ascendência judaica a Colombo
e publicou
um livro intitulado ³Velas de Esperança - Cristovão Colombo em Busca da
Terra Prometida".
Na sua obra, Wisenthal apontou paralelismos entre a data de expulsão dos
judeus de Espanha, pela Inquisição, em 1492 e a partida da expedição de
Colombo no mesmo ano. Wisenthal tenta provar que Colombo era judeu e
descobriu o continente americano quando procurava uma pátria para o povo
judeu.
Contudo tudo indica que Colombo era português. Basta lembrar que procurava a
descoberta das Índias e o que encontrou foi índias descobertas.
Batata-doce torna viagem
A batata-doce, também conhecida como batata da ilha, faz parte dos hábitos
alimentares açorianos e um açoriano passa por ser o introdutor do cultivo
deste tubérculo nos EUA ou pelo menos na Califórnia.
Em 1888, o açoriano João B. Ávila comprou 20 acres de terra perto de Merced
e iniciou o cultivo da batata-doce que depois se espalhou por outras áreas
especialmente no Vale de Sacramento e San Joaquin.
Ao que parece, as batatas utilizadas pelo Ávila para iniciar a plantação
terão vindo dos Açores e, se assim foi, tratou-se de um regresso às origens.
A batata-doce é nativa da América. Era cultivada pelos índios do México e
do
Peru muito antes dos europeus terem chegado ao continente americano. Foi
levada pelos portugueses para Angola e Moçambique e dali passou à Europa.
Opiniões curiosas
Se todos os candidatos tivessem o bom humor de João de Deus Pinheiro, do
PSD, a campanha para as eleições do próximo dia 13 para o Parlamento
Europeu
teria sido mais divertida. Em recente comício e a propósito de Portugal ser
o país europeu com mais telemóveis, proporcionalmente, o candidato não
resistiu a lembrar que o telemóvel é a única coisa que os homens, quando
discutem uns com os outros, afirmam que a deles é mais pequenaS
Solicitado, em entrevista à RTP, a dar uma opinião sobre George Bush, o
jurista José Lamego, que foi até há pouco conselheiro da junta governativa
iraquiana, lembrou célebre frase de Marcelo Caetano sobre um catedrático com
que não simpatizava: "É uma pessoa que tem coisas boas e coisas
originais.
Só é pena que as coisas boas não sejam originais e as coisas originais não
sejam boas".
Destinos turísticos
Antes de fazer a sua escolha para a viagem deste verão, saiba quais são os
dez países preferidos dos turistas: França, 77 milhões de turistas por ano;
Espanha, 51,7; EUA, 41,3; China, 36,8; Reino Unido, 24; Rússia, 21; Canadá,
20, México, 19,6; Áustria, 18,6; Alemanha, 17 milhões de turistas.
Portugal surge na 17ª posição com 11,6 milhões de turistas por ano.
Já houve tempos em que férias portugueses eram em conta, mas hoje não são
nenhuma pechincha. Segundo o instituto oficial alemão de estatística, Lisboa
é a terceira mais cara capital da União Europeia, a seguir a Londres e a
Berlim.
Lisboa é mais cara que Paris, Roma, Viena e Madrid, o que talvez ajude a
explicar preferências.
Coca-Cola em Angola
A Coca-Cola anunciou que vai investir 50 milhões de dólares nos próximos
cinco anos em Angola, considerada pela multinacional americana um "mercado
estratégico".
Recorde-se que nos tempos dos outros senhores, a Coca-Cola era consumida em
Angola, mas proibida no Puto, como Portugal era conhecido dos angolanos.
A Coca-ACola só começou a ser consumida pelos portugueses depois do 25 de
Abril. Por alguma razão Salazar sempre impediu a entrada da Coca-Cola em
Portugal. Talvez desconfiasse de refrigerante que também serve para
desentupir cano.
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