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Morreu Ray Charles
O cantor e músico norte-americano Ray Charles, considerado uma das maiores
figuras da música norte- americana e pai da música soul, morreu
quinta-feira, 10 de Junho, em Los Angeles, aos 73 anos.
"Georgia in my mind" foi uma das suas composições mais conhecidas,
em 1979
nomeada canção oficial do Estado da Geórgia.
Ray Charles, cego desde os 7 anos e órfão desde os 15, era descrito como
"o
génio do soul". Estava doente há muito, tendo morrido na sua casa em
Beverly
Hills, rodeado pela família e amigos.
Ray Charles ganhou 13 Grammys, o prémio de música mais prestigiado nos
Estados Unidos.
A 22 de Maio de 2003, deu o seu 10.000/o concerto no Teatro Grego de Los
Angeles.
A sua última aparição pública aconteceu a 30 de Abril, quando a cidade de
Los Angeles designou os estúdios do cantor, construídos há 40 anos, como
edifício histórico.
Nascido a 23 de Setembro de 1930, em Albany, Geórgia, filho de um mecânico,
Ray teve que enfrentar a pobreza e uma sociedade dividida pela segregação
racial.
Aos 5 anos, Charles viu um irmão afogar-se numa tina que a mãe usava para
lavar a roupa, quando a família atravessava um período de grande pobreza, no
auge da depressão.
"A música deu-me forças para sobreviver", contaria mais tarde,
referindo-se
aos tempos difíceis da infância e juventude.
A sua cegueira foi frequentemente referida como tendo origem num glaucoma,
embora o cantor dissesse que nada lhe foi diagnosticado, adiantando que foi
a mãe que o ajudou a lidar com a cegueira, rejeitando falsas piedades.
Começou a familiarizar-se com a música aos 3 anos, encorajado pelo
proprietário de um café que tocava piano. Mais tarde, aprendeu a ler e a
escrever música em braille e a tocar vários instrumentos - trompete,
clarinete, órgão, piano.
O seu primeiro grande sucesso aconteceu em 1959, com "What'd I Say",
apesar
de algumas rádios terem banido a canção.
Seguiram-se, ao longo dos tempos, inúmeros êxitos, como "Born to
Lose",
"Take the Chaines from my Heart", "I can't stop loving you".
Mudou-se para Seattle, em 1947, tocando piano em bares durante vários anos
até encontrar o produtor Quincy Jones. Depois, de 1952 a 1959, foi a subida
fulgurante para a glória.
Compôs então algumas das canções mais ouvidas do repertório norte-americano,
misturando blues, jazz, rythm'n blues e pop, interpretando-as por todo o
mundo.
O último Grammy que recebeu foi-lhe entregue em 1993, com "A Song for
you".
Os críticos garantem que Ray Charles foi um mestre no domínio da música
tradicional negra (blues e gospel), conseguindo romper as formas e
explorá-las para além dos limites, não se coibindo para o conseguir de
experimentar o country (um estilo branco) ou o rock.
Influenciou decisivamente outros músicos de gerações posteriores, como Van
Morrison ou Steve Winwood.
"Quero criar precisamente a minha marca, deixar algo musicalmente bom. Se
for um grande êxito, isso é a cereja em cima do bolo, mas o verdadeiro prato
é a música", disse ele, em 1983, ao Washington Post.

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