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Sagres, um ex-libris de Portugal
A Sagres está de novo nos EUA em viagem de instrução de cadetes e sob
comando do capitão de fragata Costa Carrilho. Deve aportar hoje, 16 de
Junho, a Newport, cidade ribeirinha do estado de Rhode Island que o
navio-escola da marinha portuguesa já visitou várias vezes e onde, por
coincidência, o clube da comunidade portuguesa tem o nome do desbravador do
mar da Índia, Clube Vasco da Gama.
Permanece até dia 21 em Newport e tenciono lá dar uma saltada, visto a
Sagres ser uma das minhas paixões de menino em Cacilhas, na Outra Banda (não
adianta mandar pessoal de Cacilhas à outra banda, já lá estamos).
A Torre de Belém ficou em Lisboa, mas Cacilhas construiu as caravelas dos
descobrimentos e, por sinal, o lugre Gazela Primeira, da frota do bacalhau e
hoje no Hall of Fame dos Veleiros dos EUA, foi construído em 1883, em
Cacilhas, que é a maneira curiosa dos americanos se referirem à minha terra.
Refira-se que o Gazela Primeiro estará de 24 a 27, em Provincentown, para o
57º festival português.
Há 50 anos era terra de catraieiros e a procisão de Nossa Senhora do Bom
Sucesso não saía sem chegarem os meninos da fragata de D. Fernando, que foi
a última nau das Índias, a Banda Pescadores da Costa da Caparica e as
fragatas estarem engalanadas no rio.
A miudagem crescia mergulhando na Margueira (ainda não havia a Lisnave), a
duas braçadas do arsenal do Alfeite e crescíamos vendo a Sagres bolinar no
Tejo.
Como em todos os namoricos, a Sagres dos meus sonhos não é a actual, o
terceiro navio a ostentar o nome do promontório da costa algarvia onde o
infante D. Henrique terá fundado a sua escola náutica.
A primeira Sagres foi uma corveta de madeira construída em 1858, em
Inglaterra que fundeava no rio Douro e serviu de escola de marinheiros de
1882 a 1898.
A segunda Sagres foi construida em Bremerhaven, Alemanha, em 1896 e
chamou-se originalmente Rickmer Rickmers, nome do neto do dono do estaleiro,
sendo mais tarde rebaptizada Max.
O veleiro era utilizado como navio mercante e, em 1916, durante a I Guerra
Mundial, quando escalava o porto da Horta no regresso de uma viagem ao
Chile, foi arrestado pelo governo português, passou a chamar-se Flores e foi
colocado à disposição dos ingleses, que o utilizaram para transporte de
material de guerra.
Em 1924, o navio foi devolvido a Portugal convertido em navio-escola, passou
a chamar-se Sagres e a ostentar nas velas as cruzes vermelhas da Ordem de
Cristo que o tornaram inconfundível em todo o mundo.
A Sagres II navegou até 1962, quando foi convertida em navio depósito com o
nome de Santo André e ficou a apoderecer ingloriamente. Foi salva da sucata
em 1983, pela associação alemã Windjammer fur Hamburg, voltou a ter o nome
de Rickmers e hoje é museu aberto ao público no porto de Hamburgo, contendo
uma vitrine dedicada aos 36 anos em que navegou com a bandeira de Portugal.
Portanto, a actual Sagres, muitas vezes referida como Sagres II, é na
verdade o terceiro navio-escola com esse nome.
Foi construido em 1937, nos estaleiros Blohm & Voss, de Hamburgo, recebeu
o
nome de Albert Leo Schlageter e fazia parte de uma série de quatro navios
construidos para a marinha e que os EUA e a URSS repartiram em 1945, depois
da capitulação alemã: a URSS ficou com o Gorch Fock (o actual Tovarish da
armada da Ucrânia) e o Mirea da marinha romena; os EUA preferiam o Horst
Vessel (actual Eagle da Guarda Costeira dos EUA) e o Albert Leo Schlageter,
cedido ao Brasil pelo preço simbólico de cinco mil dólares para ser o
Guanabara, navio-escola da marinha brasileira e que foi adquirido por
Portugal em 1962, tornado-se a Sagres.
Para além das viagens de instrução, é uma autêntica embaixada naval de
Portugal e já esteve em meia centena de países, participando em festivais
náuticos com outros navios-escola, que formam uma frota alegre.
A sua presença em qualquer porto é sempre uma festa para os apreciadores dos
tall ships em geral e os imigrantes portugueses em particular.
As pessoas gostam de visitar o veleiro, ouvir as explicações dos oficiais
sobre os seu funcionamento e tirar uma fotografia junto do enorme leme ou do
sino com o nome do navio inscrito.
De dia, com os cabos alinhados, os metais reluzentes e os cadetes e oficiais
vestindo de branco, a Sagres é sempre um regalo. Mas é ainda mais
espectacular à noite, quando tem a mastreação iluminada.
Além de escola de marinhagem e embaixada itinerante o navio tem
ocasionalmente missões vinícolas e, em Março de 2000, largou de Lisboa rumo
ao Brasil e aos EUA, trazendo no porão seis barris de Moscatel de Setúbal,
cada um com 600 litros, regressando em Agosto ao Tejo com a preciosa carga
que a firma José Maria da Fonseca, de Azeitão, comercializou a bom preço.
Longas viagens por mar em climas quentes contribuem para melhorar a
qualidade desses vinhos, que se tornaram conhecidos como torna-viagem. Daí
os capitães dos navios portugueses se terem acostumado a levar barris de
vinho a bordo com dupla finalidade: serviam como lastro e tinham venda
garantida.
Ao Funchal, que funcionou nos séculos XVI e XVII como entreposto comercial,
aportavam inúmeros navios que atestavam os porões de barris de vinho e foi
assim que o vinho da Madeira se tornou conhecido nas cortes europeias onde
as damas chegaram a utilizá-lo como perfume para os lenços.
Na corte inglesa, o Madeira rivalizava com o vinho do Porto e conta-se que
um nobre inglês o duque de Clarence, irmnão de Eduardo IV, ao ser
sentenciado à morte na sequência de um atentado contra o irmão, escolheu
morrer por afogamento num tonel de vinho da Madeira.
Mas onde o vinho da Madeira se tornou quase uma obrigação foi na América
colonial e uma das razões da sua popularidade foram as facilidades
aduaneiras. Naquele tempo, todos os produtos europeus destinados à América
tinham que passar primeiro por portos britânicos e uma rara excepção era o
vinho da Maderia, exportado directamene desde 1690.
Não foi portanto por acaso que os brindes da independência dos EUA em 1776 e
da tomada de posse do primeiro presidente. George Washington, em 1789,
tivessem sido com vinho da Madeira, que era um luxo e estava na moda.
Há 200 anos, as famílias importantes de Boston, New York e Filadelfia
disputavam umas às outras os melhores vinhos da Madeira e chegava a pagar 40
dólares por garrafa, importância considerável para a época.
Se hoje fosse assim, a Sagres ganharia uma fortuna cada vez que viesse aos
EUA.
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De cabeludo a cavaleiro
Paul McCartney cantou recentemente no Rock in Rio Lisboa. Aos 61 anos e com
uma fortuna de 730 milhões de euros (é o músico mais rico da Grã-Bretanha),
o ex-Beatle não pára, prepara um novo disco de originais para 2005 e dará o
seu concerto 3000 em São Petersburgo, no dia 20 de Junho. McCartney já
esteve várias vezes em Portugal que parece inspirá-lo. Segundo revelou à
revista Visão, na primeira visita, em 1964, estava com a noiva de então,
Jane Asher e escreveu a letra de Yesterday, um dos seus grandes sucessos.
Segundo o próprio autor foi durante a travessia do Alentejo, a caminho do
Algarve, substituindo a que tinha então: "Srambled eggs/ Oh my darling
you¹re got lovely legs". Yesterday é considerada a canção pop com
mais
versões, cerca de três mil e também a canção mais tocada nas rádios de
todo
o mundo. Voltou em Dezembro 1968 com nova noiva, a americana Linda Eastman e
nessa altura acabou por tocar com o conjunto que actuava no hotel algarvio
Penina e fez uma música intitulada Penina, que seria popularizada por Carlos
Mendes. Quando casou com Linda voltou ao Algarve para a lua de mel, tendo
ficado em casa de Cliff Richard, outro Sir da música pop.
O negócio do século
A venda de 33,34% das acções que o Estado Português detém na petrolífera
nacional Galp Energia (a troco de 667 milhões de euros pagos em dois anos),
promete polémica política e económica devido ao interesse do grupo
norte-americano Carlyle, também apelidado de "banco da CIA" ou
"clubes dos
ex-presidentes" e que, entre outros, integra George Bush pai, John Major
e
James Baker. A Carlyle lidera o consórcio Luso-Oil, de que faz também parte
o grupo Espírito Santo. Os outros interessados são por exemplo, o Grupo
Mello e a disputa promete ser renhida. O presidente da Carlyle e Frank
Carlucci, embaixador dos EUA em Lisboa no período 1974-75 e que continua a
movimentar-se à vontade em Lisboa e a deixar os restantes candidatos
intrigados. Nos últimos meses, Carlucci teve quatro ou cinco encontros eom
Durão Barroso. Por outro lado, nomeou em Fevereiro para seu consultor,
António Martins da Cruz, ex-ministro dos Negócios Estrangeiros e amigo
pessoal de Durão Barroso, que foi afastado do governo em Outubro de 2003.
Não sendo necessariamente suspeito, é pelo menos curioso.
Fahrenheit 9/11 estreia para a semana
O documentário Fahrenheit 9/11, do polémico realizador Michael Moore, que
ganhou a Palma de Ouro em Cannes, o mais prestigioso festival europeu de
cinema, estreia nos EUA dia 25 de Junho. O filme critica a forma como o
presidente George W. Bush respondeu aos ataques de 11 de Setembro de 2001 e
mostra as supostas ligações entre a famíla Bush e a família bin Laden.
Moore, que é declaradamente anti-Bush disse esperar que os americanos vejam
o documentário antes das eleições presidenciais de Novembro e anunciou que
tenciona fazer também um documentário sobre o papel do primeiro-ministro
britânico Tony Blair na guerra do Iraque. Moore considera Blair ainda
"mais
responsável por esta guerra do que George W. Bush". E esclarece: "Blair
não
é um idiota".
ORIGINALIDADES.No estado de Ohio, um homem atingido or um raio no parque de
estacionamento de um recinto de diversões, processou a empresa por não ter
sido avisado de que iria acontecer. Ainda no Ohio, um rapaz de 18 anos
processou o colégio e exige uma indemnização de milhões de dólares por não
ter sido escolhido para a equpa de beisebol, perdendo assim oportunidade de
vir a fazer carreira numa equipa profissional. Na Califórnia, a família de
um marginal morto pela polícia processou o fabricante da arma.
TOPÓNIMOS. Nos primórdios do século passado, a comunidade alemã em Newark,
NJ era influente e muitas artérias tinham nomes alemães. Veio a I Guerra
Mundial (1914-18), Newark baniu os topónimos alemães e ficou renitente aos
topónimos estrangeiros, nomeadamente portugueses. Hoje, a comunidade
portuguesa é (quase) tão influente como eram os alemães há 900 anos, mas a
rua dos portugueses, Ferry Street, apenas se torna Avenida Portugal nas
celebrações do 10 de Julho. A única excepção de topónimos lusófonos é
a
Peter Francisco Square.
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