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Benefícios do bilinguismo
Os políticos dos EUA nunca viram com bons olhos o bilinguismo. Nunca lhes
passou pela cabeça que uma pessoa falando mais do que a língua nativa tem à
partida a vantagem do acesso a outra cultura. E melhor ainda se for
trilingue ou tetralingue.
A imigração converteu os EUA num mosaico multicultural e multiétnico, mas o
grupo anglo-saxónico dominante nunca ligou a esta riquíssima diversidade
cultural e linguística e apostou na assimilação dos imigrantes num processo
natural conhecido como melting-pot.
Os imigrantes começavam por se concentrar nos seus guetos, as Little
Italys, Chinatowns e outros redutos mais ou menos tribais que foram surgindo
em New York, Boston e outras cidades. Falavam a sua língua, rezavam aos seus
deuses e celebravam as suas festas tradicionais. Mas aprendiam o inglês por
razões de sobrevivência económica, acabavam por entrar na chamada cultura
"main stream" anglo-saxónica e deixavam o gueto para os
compatriotas que
continuavam a chegar.
Chegaram a publicar-se 12 diários italianos em New York, hoje sobrevive
apenas um e, em contrapartida, circula uma dezena de jornais em espanhol
dirigidos à comunidade hispânica.
Foi precisamente a crescente influência da língua espanhola que alarmou os
políticos anglo-saxónicos de Washington, quando se aperceberam de que
estavam à beira de passarem à condição de minoria.
A actual minoria dos latino-americanos, caribenhos e afro-americanos já
representa um terço da população dos EUA e, como não se preocupa com
preservativos e controlo da natalidade, não tardará a ser maioria.
A América do Norte sonhava com a "Disneyficação" do continente
americano a
partir do norte, mas está é a "Bolivarizar-se" a partir do sul,
conforme
escreveu o historiador Mike Davis.
Uma das primeiras reacções foi o surgimento do movimento English Only,
iniciativa de um milionário californiano xenófobo que já conseguiu
acabar
em alguns estados com o programa bilingue, que permite aos filhos dos
imigrantes iniciarem os estudos na língua materna.
Embora não passe de um programa de transição para o ensino em inglês, o
bilingue sempre foi alvo de ataques e começa a ceder à ofensiva do English
Only, que não tardará em tentar acabar também com os jornais e os programas
de TV em língua estrangeira, já que, como afirma John Le Carré, "os
EUA
estão só a uma guerra ou a umas eleições de se transformarem naquilo a que
chamamos fascismo".
Os americanos nunca ligaram muito às línguas estrangeiras, poucos dominam
outro idioma além do nativo e o 11 de Setembro de 2001 veio confirmar esse
défice linguístico.
A comissão de inquérito que investiga os atentados apurou que a Al Qaeda
opera em 75 países onde são faladas centenas de línguas que poucos
americanos conhecem e considerou prioritária a aprendizagem das línguas e
culturas estrangeiras.
Em Dezembro do ano passado, o congressista Rush Holt, de New Jersey,
apresentou a National Security Language Act, proposta de lei que considera
importante para a segurança nacional a aprendizagem das línguas
estrangeiras.
De acordo com o jornal Luso-Americano, a proposta recomenda a ³identificação
de comunidades étnicas dos EUA dos EUA com falantes de línguas consideradas
importantes para a segurança nacional e incentivação dos seus membros a
prosseguirem especialização universitária nessa língua². Ao que parece, a
lei contempla também a língua portuguesa e não deixa de ser interessante
esta súbita importância do bilinguismo para a segurança da América e que
ainda por cima também é rejuvenescedor.
Com efeito, segundo Ellen Bialystok, professora da Universidade de Toronto,
falar uma segunda língua ajuda a proteger o cérebro dos efeitos da velhice.
Em estudo publicado recentemente, Bialystok sustenta com brilhantismo a tese
de que as pessoas bilingues têm maior capacidade de concentração do que as
monoglotas, isto é, pessoas que falam só uma língua. A referida senhora
considera que falar uma segunda língua é uma espécie de Viagra do cérebro,
mas isso já eu sabia, embora o meu argumento possa parecer obsceno. Como só
arranho a língua, se tenho que falar inglês, estou literalmente f...
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Inimigos de estimação
O primeiro-ministro de Portugal e presidente do PSD, José Manuel Durão
Barroso, foi convidado para o cargo de presidente da Comissão Europeia,
cargo ocupado actualmente pelo italiano Romano Prodi, cuja gestão acaba em
Outubro.
O comissário português António Vitorino, do PS, também era candidato, mas
nunca conseguiu consenso.
O único que dizia apoiar Vitorino era o próprio Durão Barroso, mas
entretanto o seu nome emergiu como favorito para o cargo por variadíssimas
razões: é novo (48 anos), fluente em vários idiomas e primeiro-ministro de
um pequeno país.
O sucessor de Prodi já deveria ter sido definido na cimeira da União
Europeia a semana passada, mas divergências entre a França e a Alemanha, de
um lado e Grã Bretanha e Itália, de outro, teriam impedido um acordo.
Paris e Berlim teriam presionado a escolha do primeiro-ministro belga, Guy
Verhofsdadt, que teria sido vetado pelos britânicos e italianos pela sua
postura crítica em relação à guerra do Iraque.
Os franceses e alemães, por sua vez, teriam bloqueado o candidato do outro
lado, o comissário de Relações Externas da UE, Christ Patten, que é inglês.
O primeiro-ministro português também terá enfrentado a oposição inicial
de
França e Espanha por causa do seu apoio à guerra, mas os dois países teriam
cedido, abrindo caminho para o consenso em torno de Barroso.
Durão Barroso foi ontem formalmente convidado pelo primeiro ministro da
Irlanda, Bertie Ahern. A gestão da Irlanda na presidência do bloco europeu
termina esta quarta-feira.
A escolha de Barroso surgiu como uma assombração em Portugal, depois dos
resultados das eleições para o Parlamento Europeu lhe terem apontado a porta
de saída. Por muito menos, o socialista António Guterres demitiu-se.
PSD e CDS/PP coligados tiveram menos votos do que o PS sozinho e os
socialistas pressionam agora o presidente da República para dissolver o
Parlamento e convocar eleições.
Barroso já se avistou com o presidente Jorge Sampaio, que não parece
disposto a ceder às pressões da oposição.
Enquanto a oposição reclama eleições, o PSD prepara o novo governo, que
será
chefiado por Pedro Santana Lopes, vice-presidente do partido e actualmente
presidente da câmara municipal de Lisboa.
O jornal Público noticiou domingo que Santana Lopes e Paulo Portas, líder do
CDS/PP e ministro da Defesa já estariam a preparar o novo governo e que
Portas poderá ser ministro dos Negócios Estrangeiros.
O curioso é que Santana Lopes já foi o maior adversário de Barroso no PSD e
Portas o maior adversário dos dois, mas nada disto é novidade nas voltas e
reviravoltas da política portuguesa. Por isso entra também nesta história
João de Deus Pinheiro, cabeça de lista do PSD/CDS/PP nas eleições para o
Parlamento Europeu.
O Público deu há dias destaque a um incidente durante a campanha eleitoral
num comício em que participava João de Deus Pinheiro, no Furadouro. A dada
altura ergueu-se uma voz na assistênica, com uma pergunta (im)pertinente:
"O senhor foi traído pelo actual primeiro-ministro. Aguentou as difamações
do actual ministro da Defesa e vai defender para a Europa os seus cinco mil
contos por mês. Isso é que são valores?"
O eleitor referia-se ao caso da manta supostamente roubada num avião da TAP
por João de Deus Pinheiro, à data ministro dos Negócios Estrangeiros e que
acabou numa condenação de O Independente de Paulo Portas.
A notícia de O Independente acusava Deus Pinheiro de ter sido o "autor
do
desvio" de uma manta, "boa e quente, no voo TAP de 17 de Julho de
1991,
entre Lisboa e New York". O ministro desmentiu categoricamente. O jornal
voltou à carga: " João de Deus Pinheiro levou mesmo a manta, de lã de
muito
boa qualidade, de padrão escocês, em tons de castanho e encarnado-escuro, do
Lockheed". Em 1994, O Independente foi obrigado pelo tribunal a publicar
um
desmentido e a pagar uma indemnização de 10 mil euros a Deus Pinheiro.
Durão Barroso, que era nessa altura secretário de Estado, responsável pelas
relações com África, acompanhava Deus Pinheiro nessa viagem e consta que
teria sido o informador de Portas.
Durão Barroso subiu a ministro em 1993, quando Deus Pinheiro se tornou
comissário europeu e teve nessa altura comentário pouco simpático para com
o
seu substituto: "Se eu não tivesse saído do MNE, se calhar o dr. Durão
Barroso teria sido secretário de Estado toda a vida".
Deus Pinheiro, que prefere ser chamado João de Deus, nunca apoiou Durão
Barroso nas suas candidaturas à presidência do PSD, preferindo Marcelo
Rebelo de Sousa da primeira vez e Pedro Santana Lopes da segunda. Ainda
assim, terá decidido esquecer as guerras entre ambos e aceitou convite para
voltar ao Parlamento Europeu. Um salário de cinco mil contos não é de
desprezar. E que se lixem os valores de que falava o eleitor de Furadouro.
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Morreu Charles Rodrigues. Charles Rodrigues faleceu dia 14 de Junho no Sr.
Luke¹s Hospital, New Bedford. Contava 77 anos, era filho de portugueses
(José e Georgiana Costa Rodrigues) e nascera em New Bedford, onde viveu até
1969, quando se transferiu para Mattapoisett. Era veterano da II Guerra
Mundial (serviu na Marinha) e foi no fim da guerra que casou com uma luso
descendente, Lorraine Vasconcelles Rodrigues, mãe das suas três filhas, e
iniciou uma brilhante carreira de cartoonista. Começou nos anos 50, com
desenhos bem humorados na revista High Fidelity, na qual colaborou desde o
primeiro número. A rádio seria, aliás, umas das suas linhas de trabalho e
desenhou também para a revista HiFi & Music Review (mais tarde Stereo
Review). Os cartoons de Rodrigues sairam igualmente na revista Playboy, mas
a sua especialidade eram as bandas desenhadas para a extinta revista Craked
(tiragem semanal de 300.000), onde trabalhou mais de 40 anos e para a
National Lampoon, onde fez inúmeras capas. Nos últimos 20 anos, Charles
Rodrigues desenhou o cartoon Charlie, sindicalizado pelo Chicago Tribune e
publicado em centenas de jornais.
Policial passional. Março 15, 2003. Parque de estacionamento da CVS, County
Street, Taunton. Dois indivíduos que tinham acabado de chegar nos
respectivos automóveis começaram a agredir-se e a insultar-se. Foi chamada a
polícia e os desordeiros só não foram presos por seremS polícias. O
sargento
Kevin F. Medas e o guarda David de Oliveira foram mais tarde punidos pelo
conselho municipal: Oliveira foi suspenso 18 meses sem salário e Medas
perdeu as divisas de sargento. Medas recorreu, quanto a Oliveira ainda não
voltou ao serviço. As relações entre os dois homens não são fáceis.
Medas
namora a ex-namorada de Oliveira e Oliveira namora a mulher de Medas, cujo
processo de divórcio ainda não está concluido. Ambos esqueceram um velho
princípio: não se deve cobiçar a mulher do próximo quando o próximo está
próximo.
Cianci no cinema. The Prince of Providence, o livro de Mike Stanton,
repórter do Providence Journal, sobre Vincent "Buddy" Cianci, vai
ser
convertido em filme por Michael Corrente, realizador que é natural de Rhode
Island e conta no currículo com outros dois filmes, Federal Hill e American
Buffalo. A rodagem começa no início de 2005. Corrente não conseguiu
interessar Robert De Niro e Al Pacino (filme sobre mayors corruptos já não
são originais) e está a pensar em Paul Giamatti para interpretar a figura do
antigo mayor de Providence, que está a cumprir cinco anos de prisão. Mas há
também a possibilidade de Dustin Hofman, que, quando quer, é mais italiano
do que os próprios italianos.
Restaurantes. O Madeira Restaurante, Warren Avenue, East Providence, é o
quinto na lista dos 25 maiores e melhores restaurantes de Rhode Island do
jornal Providence Business News. O restaurante do casal Albertino e Zina
Milho tem capacidade para 560 pessoas e, na lista do ano passado, figurava
na sexta posição. Pelo segundo ano consecutivo, o Venus de Milo de Swansea,
Wright¹s Farm em Harrisville e Twin Oaks em Cranston figuram nos três
primeiros lugares e têm, respectivamente, capacidade para 3.000, 1.200 e 780
pessoas. O Madeira é o único restaurante português na lista, mas o Evelyn¹s
Villa, Cowsett Avenue, West Warwick, com capacidade para 550 pessoas,
aparece pelo segundo ano consecutivo na sexta posição e é propriedade de
uma
família portuguesa, a família Simas. O Spain of Narraganset, Ocean Road,
Narraganset, com capacidade para 220 pessoas, surge em 20º lugar e é
propriedade de Salvador Gomes. Madeira e Evelyn¹s Villa abriram em 1985 e o
Spain of Narragansett em 1995.
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