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Henrique Mendes
Faleceu a semana passada em Lisboa, com 73 anos, vítima de cancro, o
conhecido apresentador da televisão Henrique Mendes. A notícia chegou aos
EUA e algumas pessoas telefonaram para o Portuguese Channel pensando que o
defunto trabalhava aqui.
Mais uma vez este vosso criado, Eurico Mendes, felizmente com saúde e ânimo
para uns anos mais de trabalho, foi tomado pelo Henrique Mendes, a quem
nunca conheci pessoalmente, mas que acabou por se tornar um amigo.
Não tem muita piada, mas devido à semelhança fonética dos nossos nomes sou
confundido com o Henrique Mendes desde que comecei na rádio, já lá vão
quarenta anos.
O apelido é o mesmo, Mendes indiciador de antepassados marranos e, embora
Eurico não seja nome raro (em New Bedford somos quatro), confunde-se com
Henrique.
Além das afinidades onomásticas, há também o facto de sermos oficiais do
mesmo ofício, com a diferença de que o Henrique foi uma espécie de Figo na
Superliga da televisão e eu nunca passei dos regionais.
Por sinal, Herman José resolveu fazer há anos, num dos seus programas na
RTP, uma paródia ao Ponto de Encontro que Henrique apresentava com grande
sucesso na SIC e concebeu um Ponto de Desencontro divertido cujo
apresentador se chamava Eurico Mendes.
Herman resolveu gozar o Henrique chamando-lhe Eurico e ainda estou para
saber se devo tomar como elogio ou ofensa.
Quando fiz a minha estreia, em 1960, já Henrique Mendes era uma referência,
apresentava festivais e concursos na RTP e um programa matinal na Rádio
Renascença, o Clube das Donas de Casa.
Comecei num programa semanal de cinco horas intitulado Festival da Noite e
transmitido das duas às sete das madrugadas de domingo na Rádio Voz de
Lisboa, frequência dos Emissores Associados de Lisboa.
O programa foi ideia do dono da estação, Fernando Laranjeira e por sugestão
dele, para evitar confusões com Henrique Mendes, adoptei o nome radiofónico
de Eurico José Mendes.
Tudo isso já lá vai, mas o Festival da Noite fez história. Foi o primeiro
programa da rádio portuguesa a unir a noite ao dia e posso vangloriar-me
disso pois a aventura custou-me 70 contos. Melhor, custou a meu pai, que
teve de pagar ao Laranjeira e naquele tempo era um bocado de dinheiro. Dava
para um andar.
Foi, portanto, um alívio Salazar ter posto ponto final na minha carreira
radiofónica das madrugadas lisboetas, despachando-me para Angola, em 1961.
Possibilitou-me ficar uma dúzia de anos à frente do Rádio Clube do Uige,
experiência inesquecível.
Em Angola ainda não havia televisão e a popularidade do Henrique limitava-se
aos leitores da Flama, Plateia e outras revistas. As confusões só
recomeçaram nos EUA, onde cheguei em 1973 e abreviei o nome para Eurico
Mendes. A vida do Henrique Mendes também mudou com o 25 de Abril, foi
despedido injustamente da RTP, tentou refazer a vida no Canadá e foram nessa
altura os nossos dois únicos contactos.
Uma vez telefonei para a rádio Asas do Atlântico, de Toronto, onde ele
trabalhava e quem atendeu foi o Henrique, outra vez telefonou ele para o
jornal onde eu trabalhava a saber como era New Bedford, pois tinha hipóteses
de trabalho na WJFD.
Em 1979, Henrique Mendes regressou a Portugal e teve a merecida consagração
depois da humilhação. Foi nomeado director de programas da Renascença e a
sua voz ouviu-se mais 18 anos. Passou a integrar também a SIC, onde
apresentou um concurso e logo a seguir o Ponto de Encontro, que esteve no ar
seis anos. O seu nome passou a andar de boca em boca, inclusivamente nos
EUA, onde o programa passou no Portuguese Channel e na SPT. Entretanto, em
1980, comecei a trabalhar no Portuguese Channel e, embora não fossemos
parecidos, uma vez por outra aparecia alguém tomando-me pelo Henrique
Mendes.
Houve um cavalheiro de New Bedford que me cumprimentava efusivamente sempre
que nos cruzávamos, um dia meteu conversa a dizer que sempre desejara
conhecer Henrique Mendes desde que o vira apresentar um festival da canção.
Esclareci que não era o Henrique Mendes dos festivais, mas o Eurico Mendes
dos telejornais e o tipo nunca mais me falou. Muita gente me confundiu com o
Henrique Mendes e não me parece que alguém alguma vez o tenha confundido
comigo.
Enfim, gozei de uma certa fama graças ao Henrique Mendes, que nunca conheci
pessoalmente, mas de quem vou sentir saudades.
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Governo lança alerta. A Al-Qaeda está planeando atacar os EUA e
tentar
abalar as próximas convenções nacionais dos partidos Democrata e
Republicano, a primeira já no fim deste mês, em Boston e as eleições
presidenciais de Novembro, segundo alerta lançado sexta-feira pelo
secretário da Segurança Interna, Tom Ridge. "Relatos com credibilidade
indicam que a Al-Qaeda está levando por diante planos para um ataque de
grande escala nos EUA, num esforço para interromper o nosso processo
democrático", disse Ridge. Contudo, alguns políticos democratas
questionam o
momento do anúncio, sugerindo tratar-se de manobra para desviar as atenções
do relatório do Senado sobre as informações (erradas) da CIA usadas pelo
governo para justificar a invasão do Iraque e que foi conhecido nesse dia.
Segunda-feira surgiu também a notícia de que a Casa Branca estará a
considerar a possibilidade de adiar as eleições se houver um ataque
terrorista e, nesse sentido, o Congresso poderá ser chamado a aprovar
poderes especiais para a comissão eleitoral. O medo dos democratas é que a
Casa Branca vá jogar com os nervos dos americanos até às eleições, na
esperança de que o eleitorado assustado reeleja Bush. É uma situação difícil
para os democratas. Se os terroristas atacarem, Bush será facilmente
reeleito e o país ficará a um passo de se tornar uma ditadura.
CIA acusada de negligência. O Senado americano divulgou sexta-feira um
relatório de 400 páginas criticando duramente a CIA por ter exagerado as
informações sobre os riscos que o Iraque representava antes da guerra. O
relatório critica o ex-director da CIA, George Tenet (deixou o cargo no
passado domingo) por não ter revisto pessoalmente o discurso do Estado da
União de Bush em 2003, em que o presidente fez referência a tentativa do
Iraque para comprar urânio em África, o que se provou ser falso. A
existência de armas de destruição em massa foi a principal justificação
dada
por Bush para lançar a ofensiva militar, alegando que o Iraque representava
uma ameaça para a estabilidade do Médio Oriente. No entanto, até agora, os
investigadores no Iraque só descobriram planos para o desenvolvimento de
armas desse tipo e sinais de que o governo iraquiano estava tentando enganar
a comunidade internacional quanto à existência deles.
O alvo era Vieira de Mello. Sérgio Vieira de Mello, representante do
secretário-geral da ONU no Iraque, era mesmo o alvo principal do atentado
que destruiu a sede da organização em Bagdade em 19 de Agosto de 2003 e
matou 22 pessoas. Quem o revela é o jornal britânico The Guardian, que teve
acesso a um video onde é identificado o suicida. Trata-se de Abu Farid,
egípcio jogador de hóquei em patins que chegou a representar uma das
principais equipas italianas e regressou de Itália com ódio de morte aos
católicos. No que toca a Sérgio Vieira de Mello, Farid acusava o diplomata
brasileiro se deixar usar como bisturi para dividir a Jugoslávia e separar o
território católico de Timor Leste da maioria muçulmana da Indonésia.
John Kerry e a Europa. O que tem separado a União Europeia dos EUA na
questão do Iraque são as divergências quanto ao Médio Oriente. Confrontada
com a ameaça terrorista, a administração de George W. Bush considerou
prioritário o derrube do regime de Saddam Hussein e, partir do Iraque,
iniciar a reforma do Médio Oriente, esquecendo o grande problema da região,
a paz entre Israel e a Palestina. O plano de Kerry coincide com a visão
europeia: o problema israelo-árabe está no centro dos conflitos do Médio
Oriente e americanos e europeus têm que se empenhar na sua solução para que
as reformas democráticas avancem na região. Conforme diz Kerry, "não
conseguiremos resolver o problema do Médio Oriente sem resolver primeiro o
problema israelo-palestiniano".
"Jet seis" ao poder. O novo líder do PSD, Santana Lopes, foi
indigitado
primeiro-ministro pelo presidente da República, sucedendo a Durão Barroso.
Nascido há 48 anos em Lisboa, Pedro Santana Lopes é mais conhecido pelas
noitadas e casamentos desfeitos do que propriamente pelas iniciativas como
secretário da Cultura e presidente das câmaras da Figueira da Foz e de
Lisboa. Em 1995, durante o congresso do PSD, António Capucho chamou "jet
seis" ao famoso colega de partido, numa alusão aos casamentos de Santana.
A
graçola ficou para a história, mas não há dúvida que Santana Lopes é
inovador, tanto que se propõe criar precisamente o Ministério da Inovação.
Propõe-se igualmente descentralizar o governo, com o Ministério da Economia
no Porto, da Agricultura em Santarém e do Turismo em Faro. E também é
provável que proponha a legalização da poligamia, que permitiria cada
português ter três mulheres, sete no caso do primeiro-ministro.
Nunca é tarde. Tracy Silva, 36 anos, de Taunton, foi este ano uma das
surpresas do tradicional concerto de 4 de Julho do Boston Pops, cantou ³Your
Daddy¹s Son², do musical Ragtime e foi aplaudida pelos 500 mil espectadores.
De ascendência cabo-verdiana, Tracy trabalha com deficientes, é casada, mãe
de um rapaz de 18 anos e uma rapariga de 12. Tem bela voz e canta gospels ao
domingo na sua igreja, karoeke com os amigos ao sábado e de vez em quando na
Companhia de Teatro de Norwell, de que faz parte. Aos 36 anos já não está
propriamente em idade de sonhar, mas estimulada pela mãe, Tricia Duarte,
resolveu participar no concurso de revelações que o Pops levou a cabo pela
primeira vez. Apareceram mais de 700 concorrentes e Tracy ganhou. Não sabe
se tem pela frente uma carreira, mas para já volta a cantar no próximo dia
30 de Julho num concerto dos Pops em Cohasset.
Casal Costello em Portugal. A cantora e pianista de jazz canadiana
Diana
Krall e o marido, o compositor britânico Elvis Costello, têm pequenas
interpretações no filme De-lovely, sobre a vida de Cole Porter, que estreou
esta semana nos EUA. Diana e Costello conheceram-se no espectáculo dos
Grammys de 2002 e casaram em Dezembro de 2003 em Inglaterra, na propriedade
de Elton John. Elvis Costello actuou em Julho no Porto, Lisboa e Figueira da
Foz; a mulher cantou em Março no Funchal e actuará em Setembro no Coliseu de
Lisboa e Casino de Espinho. Diana e o marido adoram Portugal, sobretudo o
Algarve, dizem que tem mais americanos do que a Califórnia.
O mundo do soccer. Franklyn Foer, repórter da revista The New
Republic,
acaba de publicar o livro Como o Futebol Explica o Mundo e a sua tese poderá
explicar brios patrióticos que o recente Euro 2004 despertou nos
portugueses: "a paixão pelo futebol é tribal, nacionalista". Mas
nem por
isso deixa de ser universalista e o próprio Foer confirma: no Euro 2004, 118
milhões de pessoas assistiram ao jogo França-Inglaterra e um número ainda
maior assistiu à final entre Portugal e a Grécia, que têm juntos apenas 20
milhões de habitantes. Outro dado curioso: há cinco mil futebolistas
profissionais brasileiros a jogar no estrangeiro e o maior contingente está
em Portugal.
Dízimo de Pedro. Apesar dos prejuízos das elevadas indemnizações
que várias
dioceses foram obrigadas a pagar por processos de abuso sexual, a Igreja
Católica dos EUA continua no primeiro lugar nas doações ao Vaticano,
segundo
declarações do cardeal Sergio Sebastiani, secretário de economia do
Vaticano. O Dízimo de Pedro - como se chamam as doações ao Papa - foram o
ano passado de 55,8 milhões de dólares, 5,7% acima de 2002. Apesar disso, o
Vaticano é deficitário devido aos altos custos com pessoal, 2.674
funcionários, mais de metade laicos.
RETICÊNCIAS...
Não podemos ficar de braços cruzados quando Jesus morreu de braços
abertos...
Para nos falarem da vida eterna, os sermões não precisam ser eternos...
Com perseverança, o caracol também entra na Arca...
Os amigos vão e vêm, mas os inimigos acumulam-se...
O dinheiro não dá a felicidade, mas acalma os nervos...
A verdadeira caridade é abrir os braços e fechar os olhos...
Quando em dúvida, mantenha a esperança...
- Ferreira Moreno
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