Desporto

Afonso Costa



Lusitânia regressou à Terceira e já tem saudades da América
- Afonso Costa

Se não foi um sucesso financeiro, foi um sucesso desportivo e um estágio
para valer que a equipa do Lusitânia fez por estas paragens.
"Não tenho palavras para agradecer o muito que fizeram por nós no decorrer
desta nossa visita aos Estados Unidos" ­ foram algumas das palavras de Paulo
Borges, presidente da direcção do Lusitânia de Angra do Heroísmo,
referindo-se à permanência de duas semanas entre nós.
Mas o insucesso financeiro era coisa esperada uma vez que os responsáveis do
futebol da equipa de Angra estavam avisados sobre a morte lenta que vem
atingindo o futebol local.
Contudo, o objectivo principal foi concretizado, ou seja, a preparação da
equipa para uma temporada que se espera longa e muito complicada acabou por
redundar em pleno sucesso, para satisfação do técnico José Dinis. Para o
antigo jogador do Sporting os jogadores cumpriram na perfeição um plano de
preparação previamente traçado, reconhecendo no entanto que se tornou um
tanto cansativo na medida em que tiveram de participar nas muitas festas de
confraternização que fizeram parte integral da digressão.
"Sei que o Lusitânia tem muito prestígio e que os seus adeptos queriam estar
junto da equipa. Foi assim possível juntar o útil ao agradável e acho que
acabamos todos por ficar cientes do dever cumprido" ­ disse o técnico do
Lusitânia, ele que apreciou alguns valores locais e gostou de maneira
particular do número 10 do São Miguel de New Bedford, jovem uruguaio que fez
um golo espectacular na partida do Paul Walsh Field.
Em termos des resultados não podia ter sido melhor. O Luitânia perdeu o
primeiro encontro frente aos Pioneiros de Ludlow (2-1) mas depois foi um tal
arrecadar de vitórias. Mais difícil foi também o encontro frente aos
Panteras de New Hampshire que o Lusitânia venceu por 2-1, mas pedeu ali o
jovem Tóni Frias que foi vítima de uma jogada mal intencionada que resultou
em lesão um tanto grave, impedindo-o de alinhar nos restanes jogos.
Em New Bedford, frente ao São Miguel,  a vitória de 3-1 também foi
dificultada por dois motivos base: o primeiro veio da irregularidade do
piso, que prejudicou logicamente a equipa de melhor valor técnico, a segunda
pela réplica oferecida pela equipa de New Bedford. Não obstante tratar-se de
um conjunto formado por alguns veteranos à mistura com alguns
jovens-promessa, esta turma do São Miguel esteve muito bem no campo mas foi
traída pela sua falta de preparação já que os seus jogadores marcaram
presença depois de um árduo dia de trabalho, alguns deles acabadinhos de
chegar "dos caminhos". Mas é este, como muito bem se sabe, o momento actual
do nosso futebol, ainda vivo porque alguns carolas continuam teimosamente a
remar contra a maré, continuando a sonhar que é possivel regressar aos bons
velhos tempos em que as equipas da LASA davam e sobravam para os visitantes
açorianos.
Na sexta-feira veio o jogo mais esperado, frente à selecção da LUSA (Ligas
Unidas Soccer Association) também ela feita em cima do joelho e condicionada
pela falta de disponibilidade de alguns jogadores.
"Tinha avisado os meus jogadores que jogar frente a uma equipa profissional
era muito diferente e havia que soltar a bola rápido e não cometer erros
defensivos" ­ disse Edmundo Paulino, técnico da LUSA, ele que já travara
lutas interessantes frente a este mesmo adversário quando orientava o Santo
António na Série Açores.
O certo é que a equipa local acabou mesmo por ser traída pelos tais erros
defensivos sofrendo dois golos muito cedo.
"Nasceram de dois erros da defesa que frente a equipas daqui eram facilmente
emendados. Diferente se torna frente a jogadores mais rápidos e melhor
preparados" ­ disse Paulino, acrescentando no entanto ter ficado com muito
boa impressão do Lusitânia.

"Perdemos por 5-0 mas acho que com um pouquinho de sorte o resultado talvez
fosse o 3-1 já que também tivémos as nossa oportunidades" ­ disse ainda o
antigo treinador do Santo Antio.
No último jogo da digressão, em Hudson, o Lusitânia não encontrou
resistência numa conjunto formado por jovens vindos daqui e dali. Alguns
sabem da coisa mas não tinham conjunto nem pernas para estas andanças.
No aspecto social o Lusitânia foi alvo de várias manifestações de carinho
mas faltou a comparência de muitos "lusitanistas" desta área.

"Esperava realmente mais gente afecta ao nosso clube mas outros houve que
colmataram, e bem, essa lacuna" ­ disse Paulo Borges, não escondendo contudo
uma certa desilusão, para depois realçar a maneira como foi acolhido por
pessoas que muito e simplesmente quiseram estar perto e ajudar o Lusitânia.
Alcindo Reis, proprietário do restaurante Caldeiras, ele que é do Praiense,
ofereceu um almoço à comitiva. Portuguese Sports, Amigos da Terceira,
Taunton Eagles e a família Frias de Hudson entraram também na jogada com
almoço e jantares de confraternização, tudo num ambiente de festa e de
amizade, sobressaindo, sempre, a disciplina dos atletas do clube que se
integraram muitíssimo bem nestes jogos fóra do campo.
Para o presidente do Lusitânia aí estava o lançamento daquilo que pretende
ser uma boa temporada, ele que realçou  o esforço e colaboração prestados
por Tóni Frias e José Gravito, eles que tornaram possível esta digressão do
Lusitânia a terras do Tio Sam.