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Bushismos
George W. Bush é conhecido pelo uso muito particular da língua de
Shakespeare. Quando era governador do Texas já tinha as suas escorregadelas
gramaticais e equívocos, como este de 1994: "É hora da raça humana
entrar
para o sistema solar".
Mas as limitações tornaram-se mais conhecidas desde que entrou na Casa
Branca e passou a chamar mais a atenção. Jornalistas, analistas políticos,
comediantes e humoristas passaram a estar atentos às gafes presidenciais,
que acabaram por ser apelidadas de "bushismos" pela imprensa
americana.
Outros presidentes deram as suas calinadas, caso de Clinton com o seu
sotaque arkansiano, mas Bush dá para encher uma enciclopédia. E quem melhor
definiu este fenómeno foi James Carville, ideólogo do Partido Democrático e
antigo assessor de Clinton: "Durante a administração de Clinton, a
nossa
preocupação era que o presidente abrisse a braguilha. Durante a
administração Bush a preocupação dos seus assessores é que abra a boca".
Quando dos atentados do 11 de Setembro, o mundo ocidental ficou preocupado
ao constatar que o homem mais poderoso do mundo era incapaz de articular uma
mensagem minimamente coerente e referiu-se aos terroristas como "guys"
e
"folks" ou "amigos", mas não adequadas para referir
assassinos.
Vale a pena consultar na Internet o sítio www. bushisms.com, que recolhe o
melhor de Bush, como esta passagem de um discurso sobre o holocausto: "O
holocausto foi um período obsceno na história da nossa nação, quer dizer,
na
história deste século. Mas todos vivemos neste século. Eu não vivi neste
século".
Os descuidos e confusões quando viaja são tantos que põem em causa os
professores de Geografia de Yale, a universidade que frequentou. Chamou
grécios aos gregos e ao presidente Fernando Henrique Cardoso, do Brasil,
perguntou candidamente: "Também tendes negros"?
Noutra ocasião, referindo-se ao continente africano, disse "Passamos
muito
tempo falando de África. África é uma nação que sofre uma doença incrível".
Na Suécia, o verão passado, não lhe ocorreu outra coisa que dizer que a
"Europa deveria ter mais países".
Em Fevereiro, no final de uma conferência de imprensa com o primeiro
ministro britânico Tony Blair, Bush fez esta importante declaração: "Os
dois
usamos pasta Colgate nos dentes".
Muitos republicanos reconhecem que George W. Bush é um embaraço, mas o
curioso é que assume desportivamente as asneiras e não hesitou falar disso
no discuro que proferiu no jantar da Associação dos Correspondentes de Rádio
e Televisão, que se realiza anualmente em Washington: "Alguém organizou
uma
colectânea da minha perspicácia e sabedoria acidentais (risos). Estou muito
orgulhoso de já ter as minhas palavras num livro. Portanto, a exemplo de
outros autores, achei que deveria ler um pouco dele esta noite (risos). É
como ler os pensamentos do presidente Mao, só que com gargalhadas".
Com o título de George W. Bushisms, que em bom português significa Bushismos
de George W., a obra de Jacob Weiseberg tem 96 páginas, já vendeu mais de
200 mil exemplares desde que foi lançada em Janeiro e inclui pérolas como
esta: "Cada vez mais as nossas importações vêm do exterior".
Ainda que Bush possa ser um sujeito simpático, o escritor italiano Humberto
Eco tem razão quando escreve que, embora "agora já ninguém pretenda,
como
queira Platão, que os Estados sejam governados por filósofos, conviria que
estivessem nas mãos de pessoas com ideias claras".
A semana passada, discursando perante generais do Pentágono, George W. Bush
saiu-se com uma contribuição para o próximo dicionário de bushismos:
"Os nossos inimigos são inovadores e plenos de recursos, e também nós.
Eles
nunca param de pensar em novas formas de prejudicar o nosso país e o nosso
povo, e também nós..."
Desta vez, como diz a nossa gente, fugiu-lhe a boca para a verdade.
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Se Kerry for eleito teremos outros se...
Se o senador John Kerry for eleito presidente em 2 de Novembro, teremos de
145 a 160 dias depois, em Massachusetts, uma eleição especial para
preenchimento do lugar que ocupa há 20 anos no Senado de Washington.
Se isso acontecer, teremos pelo menos três congressistas democratas
concorrendo ao lugar de Kerry no Senado: Edward J. Markey, de Malden, Martin
T. Meehan, de Lowell e Barney Frank, de Newton.
Christy P. Mihos, membro da Massachusetts Turnpike Authority, é o único
republicano que há manifestou intenção de concorrer ao lugar de Kerry no
Senado, mas começou a especular-se também com o nome de Paul Cellucci,
antigo governador de Massachusetts e desde 2000 embaixador no Canadá.
Carlucci, que está com 56 anos, resignará do cargo em Janeiro e regressa a
Massachusetts a tempo de concorrer.
Se o antigo governador William Weld, que em 1996 concorreu contra Kerry (e
perdeu), decidir voltar à política activa, poderá ser outro candidato
republicano.
Se Barney Frank deixar o 4º Distrito Congressional, que inclui as cidade de
New Bedford, Taunton e parte de Fall River, Westport, e Wareham, os
senadores estaduais Mark Montigny, de New Bedford e Marc R. Pacheco, de
Taunton, e o deputado António F.D. Cabral são possíveis candidatos.
Montigny
confirmou que concorrerá se Barney Frank deixar o 4º Distrito, que
representa há 24 anos. Pacheco também não descarta a possibilidade de
concorrer ao lugar de Barney, mas para já diz estar concentrado na reeleição
para o sétimo mandato no Senado estadual.
Por outro lado, se Montigny for para o Congresso, um dos candidatos ao seu
lugar actual será o conselheiro municipal Joseph DeMedeiros.
Fahrenheit 9/11 não concorre ao Oscar
Fahrenheit 9/11, o documentário mais visto de todos os tempos e cujas
receitas já ultrapassaram 200 milhões de dólares continua em exibição nos
EUA e já chegou a Portugal e outros países. O realizador Michael Moore é um
homem amado pelos democratas e odiado pelos republicanos. Mas uns e outros
devem ver o filme. Nada que revela é novidade, o envolvimento da família do
presidente com a família bin Laden, as falhas de defesa que facilitaram o 11
de Setembro e o interesse económico por detrás da Guerra no Iraque, já é
sabido. O que Moore fez foi reunir e divulgar as imagens que revelam quem é
o actual inquilino da Casa Branca: Bush sentado como um menino de castigo
numa escola da Florida, ao ser informado do segundo ataque ao World Trade
Center; o cinismo do presidente fazendo um pungente e patriótico discurso
contra o terrorismo durante uma partida de golfe e que acaba pedindo a
atenção para a sua jogada. O filme deu a Palma de Ouro do Festival de Cannes
a Michael Moore e previa-se que fosse concorrente aos próximos Oscares,
prémio da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, mas
foi desqualificado. O regulamento é claro quanto aos requisistos: um filme
fica desqualificado para concorrer à categoria de melhor documentário caso
tenha sido exibido na televisão ou na internet menos de nove meses após a
estreia nos cinemas. Ora acontece que Fahrenheit 9/11 foi exibido no início
deste mês na televisão de Cuba. A distribuidora do filme nos EUA, Fellowship
Adventure Group, diz que a transmissão do filme não foi autorizada. A
distribuidora internacional, Wild Bunch, nega também ter feito qualquer
contrato para exibição do documentário em Cuba, admitindo que passa
tratar-se de uma cópia pirateada. Moore ganhou o Oscar de Melhor
Documentário em 2003, com Bowling For Columbine, a tragédia de dois
estudantes que matam 13 colegas e um professor antes de se suicidarem. Nessa
altura, ao receber o prémio, não poupou Bush: "Shame on you, Mr.
Bush". A
própria Academia não está interessada em mais incidentes do género. Desta
vez Moore não deverá ia aos Oscares e Bush pode dormir descansado.
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O luso-americano que combateu com Kerry
A pouco mais de três meses das eleições, o Partido Republicano está a
gastar
um milhão de dólares por dia em propaganda a denegrir o passado do candidato
democrata, John Kerry, como combatente medalhado da guerra do Vietname. Um
dos anúncios, que desagradou até mesmo a republicanos como o senador John
McCain, mostra três antigos camaradas de armas acusando Kerry de traição,
por se ter tornado oponente da guerra. Mas embora não façam propaganda, não
faltam outros antigos combatentes apoiando Kerry e um deles é o sargento
Michael Medeiros, que esteve na convenção democrática de Boston com outros
dez antigos camaradas. Segundo o San Leandro Times, Medeiros nasceu em San
Leandro, onde residem a mulher, Letícia, o pai e um irmão, Walt Medeiros.
Tem três filhos já adultos. Fez parte da tripulação do barco comandado
pelo
então tenente John Kerry na segunda comissão no Vietname. Cada um seguiu o
seu caminho quando deixaram o Vietname, em 1969. Kerry liderou o movimento
anti-guerra, tirou o curso de advogado, foi promotor de justiça,
vice-governador de Massachusetts, senador e agora candidato a presidente.
Medeiros trabalhou na base militar de Alameda, no Serviço Nacional de
Parques e já estava na reserva quando foi chamado e treina agora recrutas no
Fort Bliss, Texas. Em 1996, quando concorria a novo mandato no Senado e
tinha como oponente o antigo governador William Weld, Kerry contactou
Medeiros e outros antigos camaradas de armas, que vieram a Massachusetts
colaborar na campanha e voltaram em 2002. O grupo está agora a colaborar na
campanha presidencial e Medeiros já esteve em New Hampshire, Arizona e West
Virgina. Agora aguarda a visita de Kerry a Oakland e diz ter uma fezada de
que ainda o irá visitar ao 1600 Pennsylvania Avenue.
DISCURSOS. "Sou John Kerry e apresento-me para a missão". Com estas
palavras, o senador de Massachusetts iniciou dia 29 de Julho, na convenção
nacional democrata, em Boston, o discurso como candidato do partido à Casa
Branca. Foi provavelmente o mais importante discurso da vida de Kerry,
escreveu o New York Times, lembrando que a última vez que Kerry fizera um
discurso de tal importância foi aos 27 anos, quando testemunhou no Congresso
contra a Guerra do Vietname. Nessa altura, contou com a ajuda e a
experiência do redactor de discursos de Robert F. Kennedy para escrever o
depoimento, que foi um sucesso. Desta vez, para escrever a intervenção em
Boston, Kerry recorreu ao auxílio de Theodore C. Soresen e Richard N.
Goodwin, que escreviam os discursos de John F. Kennedy, outro senador
católico de Massachusetts que chegou à presidência (1960) e de Robert Shrum,
autor da maioria dos discursos do senador Edward M. Kennedy. Não admira
portanto que a oratória de Kerry lembre a dos Kennedy.
DELEGADOS. Estiveram na convenção democrata de Boston 56 delegações de
todo o país num total de 5.000 indivíduos, dos quais 20% negros e 11% hispânicos,
a começar pelo presidente da convenção, Bill Richardson Lopez, governador
do
Novo México, cuja mãe é mexicana. A única delegada de Fall River foi a
senadora estadual Joan Menard, antiga presidente do Partido Democrático de
Massachusetts. Foi a quinta convenção de Menard, mas ainda não ganha a Ida
Cabral, também de Fall River e veterana de sete convenções nacionais
nomeadamente as de Michael Dukakis e Bill Clinton. Com um longo passado
sindicalista, Ida Cabral ainda tentou conseguir um lugar no Comité
Democrático Laboral, mas não foi eleita. Foi pena. Estar presente na
convenção de outro candidato presidencial de Massachusetts teria sido um
tributo a uma mulher que tanto trabalhou pelo partido.
MINISTROS. Que têm Paulo Portas e Ronald Rumsfeld em comum? Ambos são
ministros da Defesa sem terem ido à tropa e, embora não saibam distinguir
uma Uzi de um canhão sem recuo, mandam homens para a guerra.
COMÉDIA. Durante a convenção democrática em Boston apresentou-se em vários
locais um divertido grupo de jovens comediantes denominado Bilionaires for
Bush. Metendo-se na pele de ricos apoiantes do presidente, os comediantes
satirizavam na realidade a actual administração, que providencia "wealth
care not health care". O grupo é dirigido por Todd Tavares, que
interpreta a
figura de Neil B. Forman. Natural de Fall River, Tavares graduou pela
Northeastern University e faz carreira em Boston, a sonhar com Broadway e
Hollywood.
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Reticências...
Algumas pessoas vão à igreja regularmente, mas não significa irem
religiosamente...
Quem espera ir para o céu tem de passar algum tempo a estudar o caminho para
lá chegar...
Há muita música celestial para quem estiver na sintonia certa...
Água destilada e água benta congelam rapidamente...
Se a sua religião não melhora a sua vida, é melhor mudar para outra...
Muitas pessoas talham a sua religião à medida dos seus interesses...
Ferreira Moreno
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