Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha




Batendo na mesma tecla!...
De novo o combustível!...

De novo eu vou alvitrar
Que não é admissível
O qu'a ganância encobre
E se está a passar
C'o preço do combustível
Num gesto bem pouco nobre!

Formou-se um tal clima
Tão pesado, que eu acho
Que é digno de censuras.
Depois d'estar lá em cima,
Vai acima, vai abaixo,
Mas sempre lá nas alturas!

É um subir sem razões,
Que não dá p¹ra perceber,
Só dá para se sentir.
Lá perto das eleições,
O petróleo vai descer
E depois... torna a subir!

Tudo se encerra na mão
De dez ou quinze magnatas,
Ditos os reis do petróleo.
Como donos da nação
Têm as rédeas e chibatas
Do terrível monopólio!

Não admitem inventos!
Se o ouro negro não entra,
É o Carmo e a Trindade.
Dão-lhe uns quaisquer argumentos,
Algo mau que se concentra
E prejudica a sociedade!

Todos nós sabemos bem
Qu¹a América tem competência
De resolver a questão.
Os poderes, isto ela tem,
Por meio da sua ciência,
Com motores sem poluição!

Gritando aos quatro ventos,
Anda o mundo reunido
Sem que haja um braço forte
Impondo nos parlamentos
Que o mundo está poluído
E caminhamos p¹rá morte!...

Está envenenado o mar,
Os rios, lagos e prados
São uma autêntica lixeira,
As terras, matos, o ar,
Também estão envenenados
Por toda esta Terra inteira.

E não é nenhum segredo,
Pois sabemos de antemão
Quais os venenos terríveis
Que nos provocam mais medo!
Os cancros da poluição,
São estes tais combustíveis.

Todos os males e danos
Que a poluição tem tramado
E trama neste momento,
Há mais de sessenta anos
Podiam ter evitado
Com um precioso invento!

E só não o evitaram,
Porque alguns magnatas
Trataram de o impedir.
Juntaram-se e o quitaram
C¹os nozinhos das gravatas,
Vendo o oiro negro a fugir!

O inventor!...
Foi nos anos de quarenta
Que um engenheiro, n¹altura,
Fez uma grande invenção.
Uma gasolina inventa,
Sólida, leve e bem pura,
Com bem pouca poluição!

Pois este invento em questão,
Tão bom e tão precioso,
É um produto compacto
Que quase sem poluição,
P¹ró mundo maravilhoso,
Num custo ultra barato.

Esta preciosidade
Feita por um felizardo
Inventor tão soberano,
Engenheiro de qualidade
De nome Gaetano Fuardo,
De origem Siciliano.

PS
Hitler, na guerra da Alemanha
Conseguiu os impossíveis
Através do engenheiro.
Aguentou toda a campanha
Usando tais combustíveis,
Enfrentando o mundo inteiro.

Pois, sem tal sintético gás,
Tão leve de transportar
Que Fuardo inventou,
Não era a Alemanha capaz
De enfrentar tanto lugar,
Nem chegar onde chegou!

Na Alemanha, á vontade,
Havia a fabricação
Mesmo logo ao após-guerra,
Já em tanta quantidade
Que se tornou um papão
P¹rós magnatas da terra!

Fizeram reunião
E dela ficou assente
Eisenhower pressionar,
Pôr fim à fabricação.
Em resposta o presidente
Mandou a fábrica fechar!

E dum modo absoluto
O presidente fechava,
Sem qualquer condescendência
As fábricas, cujo produto
O mundo necessitava
P¹rá sua sobrevivência!

Ninguém teve a caridade,
Nem pensou de antemão
Que o produto maravilha
Servia a humanidade
Sem ter a tal poluição
A preço de cascarrilha!

Ninguém sentiu os pesares
De ver barcos navegando
Aí por estas nações,
A poluirem os mares
E os peixes envenenando,
Em troca de alguns milhões.

Isso traz-me á lembrança,
Um doente a expirar
E a família com cegueira
A chorar, sem ter esperança,
C¹ô remédio para a curar
Na mesa de cabeceira!

O álcool, outra opção!
E a mina onde é extraído
Limpa esta Terra sebenta.
Sem ter qualquer poluição,
Feito de lixo moído,
Ou tudo quanto fermenta!...

Mas há mais, nos nossos dias,
Que resolvia a questão
Sem poluir e baratas,
Força solar, baterias,
Que nunca mais longe vão
Por causa dos magnatas!

Desculpem-me, mas consiste
Que tenho que gritar fundo
Contra estes tais senhores.
Porqu¹ isto é um caso triste
Abrangendo todo o mundo,
Mesmo até os arredores!

O que se está passando
É uma calamidade
Que nos causa muita pena.
Deixar correr, só olhando
Lesar toda a humanidade,
Em pról de uma centena!...

Não falo de mim, confesso,
Eu só ando aqui à roda,
Gasto pouco combustível.
Nisto não me afecta o preço,
Mas a vida sobe toda,
Ficando a vida impossível!

Afecta mais, com certeza,
Quem não lucra... é a pobreza!...





      
      


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