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Hoje... sexta-feira, dia 13!... A superstição, o azar e o preconceito!... Porque acordei mal disposto Escrevi desta maneira, No dia 13 de Agosto, Justo numa sexta-feira! O azar, sentença forte, Aonde existe o feitiço. É o acaso, a má sorte, O mau olhado, o enguiço. O preconceito, afinal São visões bem duvidosas, Uma cegueira moral De ideias supersticiosas. Superstição traz o medo De coisas sempre inventadas. Do feitiço, do bruxedo E muitas crenças erradas! Cheios d'uma exorbitância, São três defeitos marcados, Filhos da ignorância, Que incute os mal preparados! No azar, não há afago, Há sempre algo bem forte, Qualquer coisa, um aziago Que lhe está tirando a sorte! Quem acredita em azar, Traz junto a si, com certeza, Algo que o possa salvar, Uma cruz para defesa! Outros, alecrim e louro, Com alho muito desfeito, Raspa de corno de toiro, Numa bolsinha ao peito! Há mais que evita o dano, Que o azarento aceita. No livro de S. Cipriano, Encontra lá a receita!... Preconceitos são terríveis, Porque levem à tendência De coisas inadmissíveis, Por vezes à violência! Preconceito às vezes é Causante de crueldades, Limpeza étnica e até Mal estar das sociedades. Pode inverter a razão, Fazer muitos perseguidos E desta perseguição Nascer muitos genocidos. No preconceito se passa Forte descriminação Social, de cor, de raça, Até da religião. O argumento é imbele, Porque raça e cor são Somente a cor da pele, Ou seja a pigmentação! P'rálém da xenofobia, Dum preconceito errado, Vive no seu dia a dia Um culto exagerado, O preconceito orgulhoso Vive cheio de ilusões, Fanático, religioso De falsas obrigações!... Preconceito é só fachada Não é casa que se gabe. Por fora, muito alindada Por dentro, Deus é quem sabe!... Superstição traz temor, Às vezes, sem um porquê, Andamos sempre em fervor Temendo o que não se vê. E não há quem os convença, Num desconfiar bem vivo, Agarram-se a qualquer crença Com um respeito excessivo. Procuram todas manhãs Levantar c'o pé direito. Confiam em coisas vãs Mantendo um duro respeito. O dia mais azarento Qu'ele tem na vida inteira, Que lhe traz o mau momento, Dia 13 é sexta-feira! Também não lhe agrada nada O ter que atravessar Por debaixo duma escada, Posta em qualquer lugar. Em tudo vêem o mal. P'ra ficarem bem dispostas Costumam atirar sal Para trás das suas costas! Também não forma sentido Nem nada pode mudar Ter um espelho partido. De onde vem o azar?!... São sempre os mais perfeitos, Em tudo que estão falando. Sempre olhando os defeitos Dos outros e apontando. Usam sempre um amuleto Que os trazem defendidos. Se vêem um gato preto, É um dos dias perdidos! Confesso não entendemos, Estas coisas descabidas, Que muitas vezes as vemos Em pessoas instruidas! Ninguém, ouçam, mas ninguém, Pode pensar no atraso Julgando que algo tem Influência no acaso. Quem tiver em si cuidado, Muito pode ele evitar, A não ser que um malvado Nos venha prejudicar. Um ser vivo ou esqueleto, S'algo tem que acontecer, Não é qualquer amuleto Que o faz retroceder! Nós é que tudo formamos, Não há azar nenhum feito. Tudo isto porque usamos Superstição, preconceito! Dois defeitos a pensar P'ra que não venha o azar!.. |
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