Fadista portuguesa Mariza provoca grande interesse nos media egípcios

A fadista Mariza, convidada de honra do X Festival Internacional da Canção
do Cairo, que começou domingo, desperta já grande interesse dos egípcios,
nomeadamente dos meios de comunicação social, que dão grande destaque à
"estrela portuguesa".
Na sua edição de sábado, o semanário de língua inglesa Al Ahram dedicou meia
página a Mariza, referenciando o Fado como "o 'blues' português com raízes
em África e no Brasil² e enquadrando a carreira da fadista cujos dois CDs,
já editados, ultrapassaram as 100.000 cópias vendidas.
A fadista é referida pela imprensa como "mega estrela" e "grande vedeta
internacional".
O semanário salienta a "ascensão meteórica" de Mariza que tem sido
distinguida com prestigiados prémios internacionais, nomeadamente, o BBC
World Music Award para a Melhor Artista da Europa e o European Border
Breaker Award.
Mariza foi domingo convidada de honra do Festival Internacional, estando
presente na cerimónia de abertura, presidida pelo ministro egípcio do
Comércio e Turismo, Ahmed El Magrhabi, no Centro de Congressos do Cairo.
A fadista apresentou-se segunda-feira em dois concertos, realizados no
Palácio Menesterly, antiga residência de Verão do Rei Faruk, na ilha de
Rhoda, e, terça-feira, em Alexandria, no Teatro Sayed Darwish.
No concerto no Palácio Menesterly, Mariza cantou alguns fados do seu último
CD, nomeadamente "Cavaleiro Monge" (Fernando Pessoa/Mário Pacheco), "Anéis
do meu cabelo" (António Botto/Tiago Machado) e "Caravelas" (Florbela
Espanca/T. Machado), e fados tradicionais como "Loucura" (Júlio de Sousa).
"É uma alegria e uma honra estar a representar a cultura portuguesa",
garantiu Marisa, acrescentando sentir-se "orgulhosa por levar o fado a
plateias onde este género musical é ainda pouco conhecido".
"Por respeito pelo país" a criadora de "Ó gente da minha terra" optou "por
apresentar um guarda-roupa ligeiramente diferente".
"Entendo o palco como a minha sala de estar onde tenho de estar bem para
receber os meus amigos", explicou a fadista portuguesa que apresentou dois
vestidos pretos de saia rodada com os ombros tapados por uma "jaqueta".
"Não foi nada que me pedissem, foi por vontade própria" numa "tentativa de
fazer uma espécie de ponte entre as duas culturas", assegurou.
Uma ligação que foi também sublinhada por uma fonte diplomática portuguesa
que salientou "o esforço da embaixada portuguesa no Cairo", apesar dos
"escassos meios existentes para a promoção da Cultura portuguesa".
O convite a Mariza para o Festival Internacional do Cairo é o primeiro passo
para aquilo que o director do Festival, o embaixador Salah Selim, pretende
que seja o futuro deste evento musical.
"Contactaremos mega estrelas como Mariza para participarem no festival que
deve também espelhar as tradições musicais de várias partes do mundo, do
Ocidente e do Oriente", assegurou Selim.
Este ano, além do fado - com o convite especial a Mariza, facto só registado
em 1999, quando a organização convidou o cantor grego Demis Roussos - o
Festival tem a participação de músicos cubanos, da Folk Ópera de Viena, de
grupos de artes performativas de Xangai (China) e do Líbano, alem de vários
artistas egípcios.
Entre os espectáculos previstos, conta-se uma homenagem à cantora egípcia
Umm Kolthoum, considerada a maior estrela de todos os tempos da música
egípcia, cujo centenário do seu nascimento é celebrado este ano.


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