Não, não me refiro ao mordomo das Festas do Divino Espírito Santo, que
esta
semana se realizaram com o habitual sucesso em Fall River, até porque para
mim o mordomo destas só tem um nome Heitor Sousa, Rabo de Peixe Village,
grande mentor e dinamizador deste festivo e alegre movimento mas sim ao
mordomo do futebol português, que como toda a gente sabe é o todo poderoso
F.C. do Porto. Refiro-me, com certeza, ao mordomo da próxima temporada,
aquela cuja procissão saiu agora à rua e tem como pretendentes ao trono os
suspeitos do costume Porto, Sporting e Benfica, aparecendo depois os
ameaços do Boavista, que se fosse assim num jogo de cacetada ganhava por
cinquenta e tantos pontos de avanço, fóra os pontos extra ganhos na parte
de
fóra por Jaime Pacheco, já que os pontapés na relva, no balde da água e
no
banco de suplentes também entram na contagem final.
Não sei, porque ainda ninguém que perceba de futebol me explicou com mais
ou
menos detalhes, como se pode acreditar que o Benfica, por exemplo, possa ser
campeão. Gostaria ainda que alguém do próprio Benfica, refiro-me àquela
gente que manda, me explicasse, a mim e outros menos crentes como eu, como
é
possível o até agora empresário José Veiga vir à rua gritar para quem o
quis
ouvir que este Benfica é ganhador e que a vitória frente ao Beira Mar foi
mesmo uma bofetada sem mão aos que querem mal ao seu (dele?!...) Benfica.
Imaginem o feito que é ganhar ao Beira Mar e acreditar que já andam por aí
fantasmas e bichos venenosos a tentar derrubar o nosso querido perdulário
Benfica.
Vamos então ser realistas e apreciar¸de cabeça fria e dentro das razões
que
a razão me dá, que garantias dá esta equipa do Benfica para ser campeã,
começando pela dolorosa verdade de que a época ainda mal começou e já
duas
provas foram para o galheiro, uma delas frente ao inimigo de estimação e
outra a resultar numa perda global de 6 milhões de euros, tanto quanto vale
a presença de uma equipa na primeira fase da Liga dos Campeões.
A começar pelo treinador, que o meu estimadíssimo amigo padre Gastão
Oliveira já alcunhou de "Trapalhoni", entrou a matar com asneiras
de bradar
aos céus. A não ser que alguém no seu pleno juizo acredite que Argel é
mesmo
melhor do que Ricardo Rocha ou que aquele "pitcheno" trapalhão e
franzino
chamado João Pereira tem mesmo valor para ser titular do Benfica. Mas é
verdade, o técnico italiano não foi aprender nada para Portugal. Trata-se
de
um homem com excelente folha de serviço e com nome na montra maior do
futebol europeu. Mas que tem feito montes de asneirasS lá isso tem! Depois
vem a realidade nua e crua de que o plantel do Benfica é fraco em qualidade,
até porque os reforços foram todos pescados com caniço de apanhar sargo
miúdo ali para os lados do Ribatejo e na costa do Estoril. Não me esqueço
do
novo Torres que se tiver a sorte que teve domingo até pode ir longe. Sim,
sorte, porque jeito por ali é coisa que não se vislumbra.
Este Benfica, meus amigos, pura e simplesmente não convence e só desejo
que
o engano seja meu.
Mas há mais. O treinador do Sporting, que tem peso, mais não seja de nome,
afirma sem qualquer tipo de reservas que a sua equipa vai papar tudo. Fala
à
Mourinho, desabrido e sem complexos, mas gosto mais dele porque não é
arrogante como o outro. Mas o outro, malvado Mourinho, disse e cumpriu. Não
sei, não sei, mas ainda não vi nada de especial ali para os lados de
Alvalade, embora seja de opinião de que tem melhor material do que o
vizinho
do lado.
E se comecei por falar em mordomo, então sempre vou adiantando que na minha
modestíssima opinião, e para meu desgosto e de não sei quantos outros
milhões, o Porto reúne todas as condições para no final da época
distribuir
as pensões e cantar a pombinha à moda do Espírito Santo dos Remédios da
Bretanha. E se querem fazer contas bem feitas entre futebol e festas do
Kennedy Park, até aí o Pinto da Costa leva vantagem. É que começou a
ganhar
em 84 e o mordomo de Fall River, Heitor Sousa, entrou em palco dois anos
depois, também ele sempre a marcar pontos, como se viu este fim de semana.