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Convenção republicana
Depois da convenção do Partido Democrata no fim de Julho, em Boston, na qual
o candidato presidencial do partido, John Kerry, se apresentou fazendo a
continência e dizendo-se pronto para o combate, temos esta semana a
convenção do Partido Republicano em New York, coreografada para apresentar
George W. Bush como o "presidente da guerra", embora não tenha
sequer feito
a tropa.
Tradicionalmente, a melhor maneira do presidente dos EUA, que é também
comandante-em-chefe por inerência, unir a nação é arranjar uma guerrazita.
Nada une tanto os americanos como uma guerra, mas o Iraque teve efeitos
contrários e desde os tempos de Nixon que republicanos e democratas não
estavam tão assanhados.
Uma sondagem feita pelo jornal New York Times e pela rede de televisão CBS
revela que 96% dos delegados da convenção republicana acham que foi correcto
invadir o Iraque, mas apenas 46% dos eleitores em geral concordam com isso.
Há também alguns republicanos que não estão de acordo e o jornalista Pat
Buchanan, que já foi candidato-presidencial, considera o Iraque a "maior
asneira estratégica em 40 anos, um erro mais custoso do que o Vietname".
A invasão do Iraque e o derrube de Saddam Hussein foi consequência dos
brutais atentados cometidos em 11 de Setembro de 2001 por 19 saudistas
ligados à Al Qaeda, franchise terrorista de outro saudita, Osama bin Laden.
Foi como se Franklin Roosevelt tivesse atacado o México em retaliação ao
ataque japonês de Pearl Harbor e, embora Bush afirme que a América está
mais
segura com Saddam na prisão, não é verdade.
George W. Bush tornou-se um advogado do terrorismo ainda melhor que Bin
Laden, a sua cruzada tornou o mundo menos seguro, conforme escreve o
Washington Post, que encara com reservas a convenção republicana, cuja
segurança sem precedentes custa 60 mil de dólares e mobiliza 40 mil
polícias.
Para o New York Times, a realização da convenção no Madison Square Garden
insere-se na estratégia de projectar Bush como líder com capacidade de
segurança.
Foi a curta distância do Madison Square Garden, menos de cinco quilómetros,
que há três anos Bush teve o apogeu da sua trajectoria de estadista,
prometendo vingança nas fumegantes ruinas das torres gémeas do World Trade
Center.
Ainda assim, Bush não vai perder muito tempo com a convenção. Sabe que 40%
do eleitorado aprova o que fez no Iraque e na economia, 40% não aprova e,
para garantir o emprego, tem é que se preocupar com os 20% de independentes
que não acompanham a convenção e nem se manifestam nas ruas de Manhattan.
Já se sabe que a convenção republicana dará um prejuizo enorme, como foi o
caso da democrata em Boston, onde só os hotéis facturaram e a cidade
(leia-se contribuintes) vai levar anos a pagar o prejuízo.
Todos os naviorquinos dizem estar a perder dinheiro com a convenção, a
começar pelos taxistas devido aos problemas de tráfego.
A indústria hoteleira está decepcionada, o Partido Republicano já cancelou
mais de quatro mil reservas. Os comerciantes queixam-se de que os
republicanos gastam pouco, não vão a restaurantes, só festas organizadas
pelo partido.
Os probushistas desiludiram e a esperança são os antibushistas. Mais de meio
milhão de manifestantes têm andado desde domingo a gritar contra a
administração Bush nas ruas de Manhattan, mas toda essa gente precisa comer,
beber e dormir e acaba por encher os restaurantes e os hotéis. O presidente
deve chegar hoje, quarta-feira, discursa amanhã e abala.
New York, cujo eleitorado é 75% democrata, não é o tipo de cidade de Bush,
que prefere falar da importância da sua cruzada, a chamada "guerra
contra o
terror", que afirma ser uma missão divina.
As tentativas para acabar com o terrorismo têm é contribuido para o
surgimento de mais terroristas, mas George W. Bush afirmou que o próprio
Deus lhe confiou essa missão, o que me deixa preocupado.
Uma pessoa dizer que fala com Deus é naturalíssimo. Todos falamos com Deus
quando rezamos.
Mas quando um tipo afirma que Deus fala com ele, começa a ficar
maluco.14-8-1945: Times Square
Embora só tivesse sido assinada a 2 de Setembro de 1945, a bordo do
porta-aviões Missouri, fundeado na baia de Tóquio, a rendição dos
japoneses
na II Guerra Mundial foi anunciada pelo presidente Truman a 14 de Agosto de
1945, que se tornou o VJ-Day e ainda é hoje feriado no estado de Rhode
Island. Milhares de pessoas juntaram-se nesse dia na Times Square, New York,
onde um fotógrafo da Time, Alfred Eisenstadt, tirou a fotogradia de um
marinheiro beijando uma enfermeira e que se tornou simbolo da celebração da
guerra. O ângulo não permite identificar o casal e ao longo dos anos muitos
indivíduos reclamaram ser o beijoqueiro, caso do luso-americano George
Mendonça, de Newport, filho de um pescador português e ele próprio
pescador. Segundo Mendonça alistou-se aos 19 anos na Marinha e andou pelo
Pacífico, tendo regressado aos EUA a 15 de Junho de 1945. A futura esposa,
Rita Petry, foi ter com ele a New York e, no dia 14 de Agosto, assistiram ao
espectáculo do Radio City Musical Hall, onde as Rockettes anunciaram a
rendição e mais tarde, em Times Square e já com umas cervejas, Mendonça
beijou a enfermeira pensando ser uma que o tratara no Pacífico. A fotografia
ampliada mostra as letras GM (as iniciais de Mendonça) tatuadas no pulso
direito do marinheiro e noutra fotografia do beijo que Eisenstaedt tirou
aparece Rita Petry a curta distância do casal abraçado. Apesar das
coincidências, a Life nunca reconheceu o luso-americano como o marinheiro
beijoqueiro e, em 1995, por acasião do cinquentenário, a revista divulgou a
identidade do casal, Carl Muscarello e Edith Shain.
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Reticências...
ALGUNS cartazes vistos ultimamente "God Bless America" (antes da
chegada dos
americanos); "Welcome US Marines" (à chegada dos americanos);
"Yankee Go
Home" (depois da chegada dos americanos)...
DIZ-SE que o casamento é uma estrada com dois sentidos. E por isso há tantas colisões...
É INCRÍVEL, mas há pessoas que se deliciam bebendo uísque com doze anos e são incapazes de beber um café da véspera...
DIZ-SE que a melhor prenda que você pode dar a seus filhos é o tempo que passa com eles e é verdade. Mas eles irão apreciar ainda mais se lhes deixar também um milhão de dólares...
SE ESTIVESSE, por exemplo, num supermercado e lhe
dissessem que podia levar o que quisesse da loja, o que escolheria? Por mim,
escolhia a caixa registadora...
Ferreira Moreno
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PRATA HISTÓRICA
Uma festa grega com interlúdio chinês encerrou domingo, em Atenas, a 28ª
Olímpiada. A chama olímpica apagou-se com a pompa e circunstância costumada
e os deuses despediram-se até aos próximos Jogos Olímpicos de 2008 na
China.
Para Portugal, o balanço foi positivo: conquistou três medalhas e, além
disso, nove diplomas correspondentes a presenças em finais, umas das quais
do canoista Emanuel Silva, 18 anos, em K1 1000 metros, que foi o
porta-estandarte de Portugal na cerimónia de encerramento.
Primeiro foi Sérgio Paulinho, medalha de prata na prova de ciclismo em
estrada, a primeira medalha olímpica do ciclismo português. A proeza foi de
tal modo inesperada que os dirigentes do Comité Olímpico português nem
chegaram a tempo de assistir à entrega da medalha...
Francis Obikwelu conqustou a medalha de prata dos 100 metros, sendo apenas
batido pelo americano Justin Gatlin, que cortou a meta com menos um
centésimo. O atleta, de origem nigeriana, terminou com 9,86 segundo, marca
que constitui recorde da Europa da distância.
Rui Silva conseguiu a medalha de bronze nos 1.500 metros.
À primeira vista pode parecer pouco três medalhas, mas são os melhores
resultados de sempre em Jogos Olímpicos. Melhor do que em Sidney ou Atlanta,
onde os portugueses só ganharam duas medalhas.
CAMPEÃO DO FAIRPLAY
Há 2.500 anos, em 490 antes de Cristo, o mensageiro Filipito correu 42
quilómetros e 195 metros entre Maratona e Atenas, para informar o imperador
da Grécia da vitória do seu exército sobre os persas. Depois de entregar a
mensagem caiu morto, mas a história ficou imortalizada, inspirando a mais
gloriosa prova das Olímpiadas. Este ano a maratona foi corrida no percurso
original, entre Maratona e Atenas.
O português Alberto Cansado, Chaiça conseguiu um honoroso oitavo lugar na
prova (2h14m16), o que é notável para um tipo há Cansado de nome.
O brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, 35 anos, foi o campeão do fairplay
e, além da medalha de bronze correspondente ao terceiro lugar, recebeu a
medalha Narão Pierre de Coubertain, pelo fairplay.
Lima liderou boa parte da maratona, mas, já nos quilómetros finais, foi
agredido por um ex-padre irlandês que profetiza a segunda vinda de Jesus e
já tinha invadido o autódromo de Silverstone o ano passado furante o GP de
Fórmula Um de Inglaterra.
No momento em que foi agarrado, perto do quilómetro 32 da prova, Vanderlei
estava 30 segundos à frente do segundo, mas foi ultrapassado pelo italiano
Stefano Baldini e, em seguida, pelo americano Mebrathom Keflezighi, que
acabaram ficando em primeiro (2h10m55) e segundo lugar (2h11m29),
respectivamente.
Ainda não foi desta que foi batido o recorde olímpico de Carlos Lopes
(2h9m21), estabelecido há 20 anos em Los Angeles.
CUSTO DA GUERRA
O custo da guerra no Iraque começou dia 26 de Agosto a ser divulgado em
tempo real, segundo a segundo, num ³relógio² digital instalado na Times
Square, em New YOrk. Além das perdas humanas, os americanos ficam a saber
que pagam 177 milhões de dólares por dia pelo Iraque, o que representa 7,4
milhões por hora e 122.820 dólares por minuto. Os EUA gastaram até agora
perto de 135 biliões de dólares no Iraque e, com todo esse dinheiro poderiam
ter implementdo 18 projectos para aumentar a segurança interna e externa
incluindo a criação de duas divisões do Exército e contratação de
100.000
polícias.
RDP/RTP
A rádio RDP transmitiu algumas horas a cores na manhã do passado dia 25 de
Agosto. Devido a falha técnica ou humana, o audio da RTP tornou-se o da RTPi
durante cerca de duas horas, e não perdemos com a troca, uma vez que os
locutores da RDP são melhores que os da RTP. É certo que a narrativa não
correspondia às imagens que víamos no telejornal, mas isso não é nada de
novo na RTP.
MADONA
A cantora americana Madona estabeleceu o quartel general em Londres,
prepara-se para iniciar uma digressão europeia e vai realizar mais um
concerto no Pavilhão Atlântico, em Lisboa, a 14 de Setembro, depois de os
bilhetes para o concerto do dia 13 tererm esgotado em apenas nove horas.
Trinta mil portugueses pagaram 151 euros (balcão) e 126 euros (plateia) para
ver Maddona em fim de carreira e com um espectáculo cheio de mensagens
antiguerra que parece não estar a impressionar os seus compatriotas, mas
pode agradar aos europeus.
PROPAGANDA
A propaganda turística de Portugal nos EUA ainda está muito áquem da Grã
Bretanha, Itália, França, Espanha e outros países europeus. Tanto assim que
entrei há tempos numa agência de viagens de Boston e a única propaganda de
Portugal de que dispunham dizia respeito à ilha da Madeira e vinha inserida
numa brochura da Grã Bretanha.
AUTOMOBILISTAS
Em Portugal quase todos os automobilistas usam no carro a imagem de São
Cristovão e basta-lhes. Nos EUA, não sei se pelo facto do tráfico ser mais
infernal, os automobilistas portugueses identificam-se facilmente pelos
crucifixos, rosários e medalhas de santinhos que penduram no carro. À
cautela, entregam-se à protecção do Criador, mesmo não sabendo se tem
carta
de condução.
ELÉCTRICOS DE LISBOA
O transporte público urbano de tracção eléctrica ainda sobrevive em
algumas
cidades, caso de Lisboa e São Francisco e, em Lisboa, completou ontem 103
anos. Foi a 31 de Agosto de 1901 que os eléctricos começaram a circular em
Lisboa e os primeiros modelos foram importados dos EUA, sendo por isso
conhecidos como os "americanos". Hoje, os eléctricos já não levam
lisboeta à
praia de Algés ou à bola no Campo Grande, mas continuarão, pois só eles
conseguem circular nas ruas estreitas e de curvas apertadas da Graça, Lapa e
outros bairros antigos.
AMAZÓNIA
Segundo Marina Silva, ministra brasileira do Ambiente, fazendeiros e
lenhadores destruiram o ano passado 9.169 milhas quadradas da floresta da
Amazónia, o que corresponde à superfície do estado de Massachusetts. Em
2002, foram destruidas 8.980 milhas quadradas. A floresta amazónica cobre 60
por cento do território do Brasil e é tão grande como a Europa Ocidental,
mas já perdeu 1,6 milhões de milhas quadradas de área florestal e, por este
andar, não durará muito.
CASAMENTO
O deputado estadual de Massachusetts António Cabral inicia no próximo dia 7
de Setembro uma visita a Timor Leste, a convite de José Ramos Horta,
ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor e Prémio Nobel da Paz.
Entretanto, António Cabral assistiu no passado domingo ao casamento de
Maubere Lorosae, filho de Ramos Horta, no Hotel Sofitel Central de
Banguecoque.
A escolha da Tailândia para a festa deve-se ao facto da noiva, Soraya
Siusiri, ser tailandesa.
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