Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha




Só não vê quem é ceguinho!...

O que está acontecendo,
Na América, sem um porquê,
Vai seguindo um mau caminho.
O mundo todo está vendo,
Creio até que só não vê
Aquele que for ceguinho!

Esta nação se orgulhava
De tudo quanto fazia
E da sua caridade.
Todo o mundo  a invejava
E à sua democracia
Rendiam-se a tal verdade.

No mundo éramos queridos,
Espécie dum Pai Natal
De bondade e de mão cheia.
Hoje, de ódios temidos,
Meio mundo a nos querer mal
O resto, até nos odeia!...

E neste andar, afinal,
De tudo se esbanjar,
De sumir o dinheirinho,
Tem que haver um Pai Natal
Vindo de um outro lugar
Para encher o sapatinho!

O povo americano,
Não é no mundo odiado,
Mas sim só o seu governo.
Porque este Povo é humano,
E o mundo tem ajudado,
Dum modo puro e bem terno!

O pior, entre as vinganças,
Às vezes é o inferno
De loucura e devaneio.
Luta-se sem mais lembranças
Qu¹ao castigar um governo,
O povo está no meio!

É sempre o povo que sofre
As faltas, pressões e mudas,
Cortes ou diminuição.
P¹ra que alguém enche o cofre
Tiram aos velhos ajudas,
À saúde e educação!

Quem descontou ou desconta,
Legal, aqui radicado,
No seu cheque da semana,
Está vivendo uma afronta
E sendo discriminado
Contra a Lei Americana!...

Porque a lei deste país,
Cheia de humanidade,
É no mundo das mais boas.
Bem clara quando diz:
-Igual oportunidade
Para todas as pessoas!

Sempre teve esta nação
Uma liberdade imensa
Com uma lei a rigor
De livre religião,
De partidos, da imprensa,
Etnia, raça e cor!

Desde que estejam legais
A Constituição nos diz,
Por lei, p¹ra todos efeitos;
Que somos todos iguais,
Dentro do mesmo país
E com os mesmo direitos!

Sem haver bobo nem rei,
Nem plebeus nem nobres,
Ou tampouco esta vileza
De passar sempre uma lei
De exterminar os pobres
P¹ra combater a pobreza!

Os senhores do diapasão
Que afinam, sem ré, sem dó,
Vendo as notas na pobreza,
A quem atingindo vão,
Tentam sacudir o pó
Sobre quem não tem defesa!

P¹ra chegar ao pedestal
O governo é presenteiro
Santo, puro e muito  terno.
Ao ter do povo o aval
Muda, esbanja o dinheiro,
Faz deste povo um inferno!

Tal como os republicanos,
Gritavam, abriam o bico,
Tudo era mal governado.
Agora, são soberanos,
Tiram do pobre p¹ró rico,
Inverso ao Zé do Telhado!

Deram cabo do dinheiro
Sem lhes vir o rubro às faces,
Nem um qualquer gesto nobre.
Dividindo o povo inteiro
Somente em duas classes,
Muito rico e muito pobre!

O país mais justiceiro,
Hoje, tudo aqui se faz
Com razão ou sem razão.
Até se some o dinheiro
E se manda para tràs
Quem aqui se fez ladrão!


E o povo vai nos engates
Dum modo que nunca vi
E agora até parece
O dito:-Quando me bates
Mais gosto ainda de ti.
(É isto o que acontece!)


Precisa duma virada
A fim de calar os bicos
Destes povos mal dispostos
Que os deixaram sem nada,
Em benefício dos ricos
Pagarem menos impostos!


Agora, nada se encobre,
Tudo é feito descarado
E com bem pouco civismo.
Antes, calavam o pobre
Com o pão mal amassado,
Temendo o comunismo.


Comunismo é ilusão,
Pensar nele é devaneio,
Nunca foi das coisas boas.
Mas era sempre um travão,
Pedra no sapato, um freio
Detendo certas passoas!



PS
Agora, com muito afinco,
É uma necessidade
Possuir cidadania.
Quem já fez sessenta e cinco
Tem toda a possibilidade
De a obter hoje em dia.

Depois, é só registar,
Para através dos anos
Podermos ir dar um jeito,
Ir às urnas e votar
Nestes tais republicanos
Que tanto bem nos tem feito!


Quanto aos outros, meus amigos,
Para a crise atravessarem
O que se aconselharia,
Rezar e fugir dos perigos,
Ou cheios de fé estudarem
Tirando a cidadania!


Não descansem, ouçam bem!
Quem ficar olhando a Lua,
O vento vai-lhe levando.
Do lado que o vento  vem,
O mau tempo continua
E ninguém sabe até quando!...


Cada qual veja o que ajeita
E não esperem parados,
Seja qual for a idade.
O tempo não endireita,
Enquanto for deste lados
Será sempre tempestade!

Há uma caixa que eu noto
Que a mudança é segura,
Se o quizer toda a gente!
Deitando lá o seu voto,
Dá volta à temperatura
Para o calor ambiente.

O voto é uma receita
Que de todo o mal dá cabo
E deixa tudo diferente.
Tão eficaz,tão perfeita,
Consegue até que o Diabo
Se transforme em boa gente!...


E o Diabo, que se diga,
Tem estômago e barriga!...








      
      


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