Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha




Por onde anda
a consciência?!...

O que agora se está vendo,
A consciência actual
Está bem modificada.
Confesso que não entendo
Hoje em dia quem faz mal
Já não a sente pesada!

Existe sempre a tendência
Do que se faz e se diz,
Haver sempre dentro em nós
O peso da consciência,
Que corta como um juiz,
Como uma divina voz!

Deve-se pensar primeiro
Porque a consciência tem
Uma força que derrama
Sobre o nosso travesseiro.
Se limpa, dormimos bem!
Suja, rolamos na cama!

Consciência é gravação
Que Deus pôs dentro do peito
Do humano ao ser moldado.
Ela fala ao coração,
Acusa o acto feito,
O bem e o mal empregado!

Prá consciência valer,
Deve ela ser preparada
Com muita perseverança.
Quer seja homem ou mulher
Tem de a trazer moldada,
Usando-a desde criança.

A consciência é um bem
Que nos defende a alma,
Por vezes, com muito esforço.
Ao prejudicar alguém,
O corpo jamais acalma,
Daí nascendo o  remorso!

Quem o remorso sustenta
Anda sempre num lamento
Que o massacra e deprime.
Uma força violenta,
No íntimo em sofrimento,
Lembrando a falta ou crime!

Consciência é a razão
Que limpa e desfaz a dor
E evita a malvadez.
Entendimento, a noção,
Compreensão e amor,
Pureza e honradez!

A consciência é um nível,
Um juiz sempre presente,
Até mesmo nos ateus.
Uma voz firme invisível
Que incute em qualquer mente
Sempre a palavra de Deus!

"E força de Providência
Presente no dia a dia
Constantemente a dizer:
- Só com limpa a consciência
Há paz e muita alegria
E vontade de viver!

Por isso a consciência,
Segundo os nossos tratos,
A nossa poeira escova.
Ela é a advertência,
Diário dos nossos actos,
Força que aprova e reprova!

A consciência em nós
É como um monitor
Que avisa constantemente.
Vem da alma a sua voz,
Reclamando sempre amor,
Carinho p'ra toda a gente!

A consciência acalma
Cada alma ao seu cuidado,
Mesmo a dos fariseus.
Por isso, corpo sem alma
Pode viver descansado,
Mas vive longe de Deus!

Quem chegou a este mundo,
E não lhe dão o amor
Monitor da consciência,
Entra num negro profundo,
Cheio de ódio e rancor
Sem qualquer condescendência.

Será...quem sabe, sem querer,
Se ninguém o ensinar
Com amor que Deus existe,
Um marginal qualquer,
Mais um para caminhar
Neste caminho bem triste.

Olhem bem pela criança,
Dêem-lhe amor e carinho,
Digam-lhe como é querida.
Mostram-lhe um mundo d¹esperança,
Ensinando um bom caminho,
Pondo Deus em sua vida!

Ajudem, sem que se peça,
Ao jovem descaminhado,
Com a mão na consciência.
P¹ra que jamais aconteça
Ser o aqui viciado
Devolvido à procedência.

E, em vez destas prisões,
Onde há tanto desacato
E o jovem fica sabido,
Façam-se instalações
Tipo Casa do Gaiato
P'ró jovem ser corrigido.

Fechar jovens nas prisões
São métodos ultrapassados
Que, confesso, eu condeno.
Prendem antes os patrões
Que de cofres recheados
Lhes impingem o veneno!

Estes, sem condescendência
Por tanto jovem que sofre,
Andam p'raí à vontade.
São os tais sem consciência
Que, para encherem o cofre
Definham a mocidade!

A consciência existe
Não se compra na verdade,
Mas há quem, sem repugnância,
Duma maneira bem triste
Sacrifica a mocidade
Levados pela ganância!

Nascemos todos iguais,
Envoltos em igual roupagem,
Com fechada inteligência.
O falar e tudo mais,
Vem com a aprendizagem,
Tal como a consciência.

Quem nunca foi ensinado,
Bem aprendido em bebé,
Na sua adolescência,
Pode ser um revoltado,
Incrédulo, sem sentir fé
Em Deus e sem consciência!

Depois, prendem o rapaz
E duma maneira atroz,
Sem ver quanto ele padece,
Mandam o jovem p¹ra trás,
P'rá terra dos seus avós
Que o moço nem a conhece!

Afinal, quem é culpado
Desta criancinha ser
Tudo quanto ela é?!
Ele, que não foi ensinado!
Ou quem tinha este dever
Com ele desde bebé!

E fico pensando a esmo
No que mais a mim me exalta
Com todas as ocorrências.
Matuto comigo mesmo:
- Mas, afinal a quem falta
As benditas consciências?!...

Onde a consciência habita
Nestes senhores que dispõem
Dos cordelinhos da vida!?
Quanto mais o povo grita,
Mais impostos nos impõem
Numa azáfama seguida.

Pagamos com muita mágoa,
Vai-se todo o nosso apuro,
Num custo que desatina.
A contribuição, a água,
Luz, gás, óleo e seguro
E agora, a gasolina!

Ficamos sem um ceitil,
Com a gasolina então
Vamos entrar em falência.
Desce o preço do barril,
Sobe o preço do galão,
(Isto é que é consciência!?...)

Sempre que o povo calar,
É pagar e não bufar!...





      
      


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