Festival folclórico

Realizou-se no passado fim de semana, em New Bedford, um festival folclórico
promovido pelo Clube Madeirense do SS. Sacramento, integrado no 25º
aniversário do Grupo Folclórico Madeirense do SS. Sacramento. Participaram,
além do grupo aniversariante, 14 ranchos e o evento saldou-se de sucesso
assinalável, não obstante as condições atmosféricas adversas no sábado e as
temperaturas baixas que se fizeram sentir no domingo. Mas nem por isso o
público deixou de comparecer e a iniciativa deverá continuar em anos
futuros, uma vez que estes agrupamentos são em nossa opinião autênticos
baluartes e veículos de divulgação e celebração dos nossos costumes e
tradições, sobretudo junto dos luso-descendentes, que por sua vez irão
preservá-los aqui em terras do Tio Sam.
Aliás, ao que nos foi dado constatar, na maior parte dos nossos ranchos
folclóricos abunda muita juventude aqui nascida e que, incentivada pelos
pais e amigos, adere a essa forma de celebração da nossa cultura.
Este festival foi rico nessa manifestação de tradições musicais oriundas das
mais diversas regiões de Portugal Continental, Açores e Madeira e todos os
ranchos estão de parabéns pelo excelente contributo dado ao sucesso desta
iniciativa, que teve ainda o apoio de algumas firmas comerciais e contou com
o entusiasmo de um público que soube aplaudir todos os ranchos que
desfilaram no passado sábado e domingo pelo Madeira Field, em New Bedford.
Gostámos particularmente de ver a pequenada dançar (de miúdo é que se
aprende) com aquele entusiasmo de quem sente nas veias as nossas tradições
musicais, numa demonstração da nossa afirmação como portugueses em terras do
estrangeiro. Estes miúdos dão uma grande lição de portugalidade, bebendo da
nossa cultura e com isso contribuindo de alguma forma para a nossa
sobrevivência. É que se não alimentarmos e investirmos nessa juventude pode
ser que um dia muitos desses sinais da nossa presença venham a desaparecer.
Quanto a nós é através da música que um povo mais se identifica com a sua
terra. A música é pois o maior elo de ligação e identificação de um povo.
Para além de tudo isso, este festival folclórico tem ainda a particularidade
de nos mostrar o que temos em termos de agrupamentos do género por aqui e
permite também convívio salutar entre todos eles. Foi isso o que se
verificou, com todos a aplaudir todos.
Não sabemos se os responsáveis por este festival pretendem dar continuidade
à iniciativa em anos futuros, mas por tudo aquilo que ela significa e
engloba sugerimos que faça parte do calendário artístico comunitário anual
de New Bedford e se possível mais cedo, talvez no primeiro fim de semana de
Setembro, uma vez que inclui o feriado do "Labor Day" e duas semanas mais
cedo faz alguma diferença em termos de temperaturas mais amenas para o
público poder assistir mais confortavelmente ao ar livre.
Resta-nos endereçar os parabéns aos responsáveis por este festival e saudar
o Grupo Folclórico Madeirense do Santíssimo Sacramento, de New Bedford,
pelos seus 25 anos de existência, sendo na realidade um dos mais importantes
instrumentos de preservação e divulgação das tradições musicais madeirenses
nos EUA. Vamos lá rapaziada a preparar o festival do próximo ano...

Já se sabe
É já grande sucesso o tema "Já se sabe", de Nuno Brito, que chegou aos EUA
empacotado numa das cassetes que o programa da RDP-Açores, "Rota das Ilhas",
envia para as rádios portuguesas de todo o mundo. O sotaque micaelense que o
intérprete imprime à canção, bem como o reviver da cena rural acaba por ter
a sua graça. A primeira vez que ouvimos o tema pensámos que fosse da autoria
do repatriado Sandro G, o tal da "Galinha", que a editora Universal, de
Lisboa, lançou em todo o país.
Um amigo nosso, que não é de São Miguel, aposta que a febre de "Já se sabe"
venha a superar a do início dos anos 90, com o tema dos General D "Não sabe
nadar".


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