Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha




O Ivan!...
O Ivan do folhetim "Explode Coração"
E o Ivan Ciclone!...

O Ivan, uma figura
Que no último folhetim
Era bom, cheio de ternura,
Nada tinha de ruim.

Homem maduro e forte,
Em bolandas sempre andava,
Porque tinha pouca sorte
Com as mulheres que amava.

Por vezes, era um joguete
Nas mãos da mulher amada
Que lhe tirava o tapete
Dos pés, quando ela gostava.

Nada mais vou avançar,
Este Ivan na verdade
Não é o que eu quero falar,
Mas o da calamidade!

É do Ivan furacão,
Este vil da mortandade,
Que foi ciclone, tufão,
E mudou p¹ra tempestade.

Mas onde quer que passou,
Ficou seu nome gravado.
Destruiu, feriu, matou,
Deixou tudo revirado.

Foi um carrasco assassino,
Potente, sem que se torça,
Empurrado por um Nino
Que lhe dei tamanha força.

Sinto às vezes confusão,
Pensando como se forma
Um ciclone, um furacão
E fui procurar a norma.

Não se forma a tempestade,
Enquanto o ar for igual,
Com a mesma densidade,
Seja em qual for o local.

Em densidades diferentes,
O ar vai-se elevando,
Daí vêm as correntes
As tempestades formando!

É aí neste momento
Com esta desigualdade,
Que se forma o forte vento,
A chamada tempestade!

O vento, ar atmosférico
Soprando sempre conforme
O estado climatérico,
Por vezes, com força enorme.

Este ar chamado vento,
Muda com facilidade
O nome, com seu aumento,
De vento, p¹ra tempestade.

S¹é um vento que rebenta,
Ventania com pressão
Súbita e violenta,
Já passou a furacão!

Ondas altas, bem cavadas,
Trovoada, vento irado,
Chuvas fortes, bem pesadas,
Dão-lhe o nome de tornado!

Vento forte, repentino,
Numa e noutra direcção,
O mar em redemoinho,
A isto, chamam tufão!

Mas quando este tufão troca
E alguma direcção toma
Cheio de fúria se desloca,
É ciclone o seu nome!

Mas o vento, na verdade,
Não é só redemoínho,
Tem muita finalidade
Na boca do Zé Povinho.

Ouve-se a todo o momento
Na boca do tagarela
Dizer que, quando há vento
Deve-se molhar a vela!

Um rapaz ou rapariga
Que muda de pensamento,
Logo aparece quem diga:
< Estes mudam como o vento!

Se um tipo é enganado
Ou por falta de assento
Se se deixa ser levado,
Foi-se na maré do vento!

Quando um rapaz namora,
Mas não acerta o tento,
Uma dentro e outra fora,
Chamam-lhe um catavento!

Um tipo de grão na asa,
Que sem qualquer argumento
Faz um borburinho em casa,
Chamam-lhe um pé-de-vento!

Mas, se leva uma grossura,
Pensa que ninguém o topa,
Muito teso de cintura,
Este vá de vento em popa!

Aos que têm a tendência
Dos intestinos inchados,
Chamam-lhes uns flatulência,
Outros, ventos encanados.

Não fazem redemoinhos
Nem qualquer coisa anormal,
Os ventos são bem fresquinhos,
Só que cheiram muito mal!

PS
Depois de andar de roda,
Para fugir ao pensar
Nesta vil tristeza toda
Que deixou tanto pesar.

Rogo a Deus que dê confortos
Aos que ficaram com vida
E o descanso eterno aos mortos,
Nesta hora da partida.

Peço muita fé ao povo
Vítima da tempestade.
Pois que começar de novo
Precisa muita vontade!

Por mim, cá com meus cansaços
E minha idade avançada,
Somente cruzava os braços
E não fazia mais nada!...

Mas sou um caso de lado,
Porque eu já nasci cansado!...



      
      


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