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A pobreza!... Não vale a pena ser pobre, Nem por dinheiro nenhum!... Há muita gente que sonha, Gritando muito avontade, Dizendo: Não ser vergonha Ser pobre na sociedade! Quem tal disse, foi um rico Que tinha herdado uns milhões! Mas, encavacado eu fico Com tamanhas ilusões. A pobreza não anima, Quem no mundo não tem nada, Tudo lhe cai bem em cima, Em tudo ela é culpada! É muito triste a pobreza, Anda sempre desprezada. Até pela Natureza A pobreza é castigada! A pobreza, na verdade Pouco tem, ou não tem nada. E em caso de tempestade É sempre ela a molestada. O pobre é sempre um vadio! Mas se um rico põe a mão Nuns milhões, é um desvio. Ladrão é quem rouba um pão!... Ser pobre é uma tristeza, Nem ao menos se tem nome. Vive o pobre na pobreza Na pobreza vive a fome! Hoje, com tantos desenlaces, De mentiras, se descobre Só haver duas classes, Muito ricos, muito pobres! A média, classe nobre, Pagando tudo indiferente, Cada vez está mais pobre, Digo até, quase indigente! E o pobre, sem um centavo, Cada vez mais à distância, Vai ser de novo um escravo Da riqueza e da ganância. Caminhamos p'rá pessão, Que ainda hoje se lamenta; Andar de chapéu na mão, Comer pãozinho e pimenta! É um acto desumano, Sem compaixão e sem zelo, Cujo sonho americano Se vai tornar pesadelo! O rico, na aparência, É pessoa bem formada. No pobre, a inteligência Por vezes nem é falada! O pobrinho nada tem, P'ralém do seu braço forte, Tratado como um ninguém, Ou pessoa de mau porte. Conhecemos hoje em dia Gente lá no pedestal, Ricos em sabedoria, Pobres na vida real! Há quem precise de ajuda E ainda lhe fazem danos. Saber muito, nada muda, Perciso é sermos humano. Quem não quiser ajudar, Desinteressado esteja Calado no seu lugar, Sem preterir quem deseja. Pode alguém nos querer tramar, Às vezes sabemos quem! Com receio de o apontar Prejudicando outro alguém! Quem lá do alto procura Amesquinhar outro, eu acho, Ao vê-lo naquela altura, Como vai descer tão baixo!... Ter instrução, com certeza Nada difere, quanto a mim Na pobreza ou na riqueza. Pobreza d'espírito, sim!... Vejam onde eu cheguei Mudei, já fiz duas mudas. Falei, falei e não sei Porque falei em ajudas? Na idade que atravesso, A vida vai avançada. Quanto a ajudas, confesso Já me valem pouco ou nada! Perciso é de salvação, Também uma vida calma, As contas e o bordão P¹ra rezar por minha alma. Antes de ficar tarouco, Como eu sou um pecador Dos que rezam muito pouco, Quero rezar mais ao Senhor!... Mas continuo afirmando, A classe média agora Vai aos poucos se acabando, Cada dia, cada hora. Ela já estava chupada, Mas continua o vampiro Trazendo-a explorada Até ao último suspiro! Voltando à ânsia medonha De afirmar o ditado: "Ser pobre não é vergonha!" Melhor senhores, é calado! É uma grande verdade Que o dinheiro no entanto Não dá a felicidade. Mas ELE ajuda-nos tanto!... Por ele há quem se enforca, Quem faz tanto acto errado. Sendo ele a coisa mais porca, Que guardamos com cuidado! Dinheiro de prata, de cobre, De papel, qualquer fabrico, É ele que faz o pobre, Tal como também o rico!... PS Fiz p'raqui uma embrulhada, Mas só quero que a riqueza, (Esta gente endinheirada!) Não se esqueça da pobreza! Muita coisa se encobre Sobre o pobre, um a um. Mas ele não quer ser pobre, Nem por dinheiro nenhum!... Dos pobres, já disse Deus, Será o Reino dos Céus!... |
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