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A saúde está doente
A saúde nos EUA está doente. O país tem a melhor medicina do mundo, mas só
para quem for rico, e possa, por exemplo, pagar mil dólares por mês por um
seguro médico razoável ou então muito pobre e, nesse caso, paga o governo.
Os seguros médicos atingem preços exorbitantes e são cada vez menos as
companhias que os oferecem aos empregados. Há mais de 45 milhões de
trabalhadores americanos sem seguro médico e seis milhões nos últimos
quatro
anos, desde que George W. Bush chegou à Casa Branca.
O presidente prometeu um plano nacional de saúde aos iraquanos, mas recusa
aos americanos. O candidato democrata à Casa Branca, senador John Kerry,
propõe um plano em que o Estado assumirá 75% das despesas com doenças, mas
Bush acusa-o de pretender nacionalizar a medicina.
Os planos de George W. Bush são preocupantes, milhares de americanos
deslocam-se ao Canadá para comprar remédios, que são mais baratos do que
nos
EUA e o presidente tenta proibir a compra desses medicamentos para não
estragar o negócio aos amigos das grandes empresas farmacêuticas.
Nesta altura, milhões de americanos, a maioria da terceira idade, esperam e
desesperam por vacinas contra gripe, que não se encontram em parte alguma e
a sugestão do presidente é fazerem como ele, não se vacinarem este ano.
O problema é que a gripe é uma doença viral aguda que afecta todos os anos
15 por cento da população mundial e a Organização Mundial de Saúde
alertou
para o risco da falta de vacinas numa época em que aumentam os riscos da
doença.
Telefónamos para vários hospitais, centros médicos e farmácias de
Massachusetts, ninguém tem vacinas. No Departamento de Saúde Pública de
Massachusetts uma mensagem gravada informa que o público será avisado se
vierem vacinas.
Tentando explicar o problema, Bush saiu-se com esta patacoada: os
laboratórios farmacêuticos americanos não produzem vacinas contra gripe por
causa dos "sues".
Mentira. Os laboratórios não estão interessados na produção da vacina
contra
a gripe por ser dispendiosa, com prazos de validade e ter que ser produzida
todos os anos conforme o vírus, que varia.
Há vários anos que os EUA importam vacinas, mas este ano surgiu um problema
no principal fornecedor, a multinacional britânica Chiron Corp: devido a
contaminação de Saúde Pública do Reino Unido suspendeu por três meses a
produção de medicamentos na fábrica da Chiron em Liverpool e os stocks da
vacina para a época de 2004-2005 foram inutilizados.
No Reino Unido, a comunidade médica foi avisada em Agosto para começar a
vacinar com prioridade pessoas de maior risco como crianças, idosos e
doentes e, segundo o jornal "Washington Post", em Setembro as
autoridades de
saúde britânicas advertiram as congéneres americanas sobre os problemas no
fornecimento, mas o Departamento de Saúde Pública nada fez.
Além da Chiron há mais sete marcas de vacinas contra a gripe no mercado, mas
já começou a especulação dos fornecedores: cada frasco de 10 doses de
vacina
custava $85 e agora o preço varia entre $300 e $800.
Uma comissão da Câmara de Representantes já tinha estudado o problema e
propusera mudança das regras de compra de vacinas da gripe, recomendando que
as seguradoras médicas públicas e privadas fossem obrigadas a cobrir a
vacinação por forma a imunizar toda a população e interessar os laboratórios
americanos na fabricação.
O governo não se preocupou com o assunto e, possivelmente, daqui uns tempos
teremos vacinas da gripe no mercado negro e à venda pelas esquinas, tal como
a cocaína e a morfina.
A verdade é que se Bush não resolve a crise de uma simples vacina da gripe,
como é que vai resolver todos os outros problemas do país?
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Corrida para Belém passa pela Casa Branca
Sondagens revelam que 65% dos dirigentes políticos europeus preferem a
eleição do candidato democrata John Kerry, caso de José Sócrates, novo
secretário-geral do Partido Socialista Português, que, tal como o senador de
Massachusetts, parece ter John F. Kennedy como émulo e considera que o
falecido presidente representa "o melhor da esquerda mundial".
De acordo com o semanário "Expresso", de Lisboa, a eleição de Sócrates
terá
criado "uma nova motivação" em António Guterres para ser
candidato do PS à
Presidência da República portuguesa mas o antigo primero-ministro prefere
aguardar o desfecho da corrida à Casa Branca para anunciar a decisão.
Na qualidade de presidente da Internacional Socialista, Guterres tem mantido
contacto com o Partido Democrático e foi um dos convidados da convenção do
Partido realizada em Julho, em Boston.
Guterres já teve oportunidade de se encontrar muitas vezes com Kerry e é de
prever bom relacionamento entre Portugal e EUA se ambos forem eleitos.
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João Paulo II lembra cardeal Medeiros
O cardeal Humberto Medeiros desapareceu há 21 anos, mas ainda é lembrado
pelo Papa João Paulo II, conforme revelou o bispo Robert Mulvee, da Diocese
de Providence, em entrevisa ao "Providence Journal" de 9 de Setembro
de que
Onésimo Almeida nos dá conta.
O bispo acaba de regressar de Roma aonde foi a um encontro regular (chama-se
"ad limina") com o Papa. Depois de contar como há seis anos o tinha
encontrado tão frágil que pensava que não duraria muito, o bispo admite ter
mudado de opinião agora, achou-o ainda bem vigoroso e diferente do que
aparece na TV.
O bispo Mulvee diz que o Papa lhe falou com voz muito clara, perguntando
como estava a Diocese de Providence, quis saber quantas paróquias
portuguesas, polacas e espanholas existiam e se havia padres para todas. O
bispo aproveitou então para apresentar quatro seminaristas de Rhode Island
que frequentam o Colégio Norte-Americano de Roma e o Papa notou
imediatamente que dois tinham nomes aparentemente portugueses e a conversa
desenrolou-se a partir daí.
"Ele perguntou-me se eu tinha conhecido o cardeal Humberto Medeiros.
Disse-lhe que sim. Perguntou-me então se eu sabia onde ele tinha nascido. Eu
sabia que era nos Açores", recordou o bispo.
"Que freguesia?" - perguntou o Papa.
"Eu não sabia, mas ele sabia a freguesia", admitiu Mulvee.
É interessante o Papa lembrar-se que Humberto de Sousa Medeiros nasceu nos
Arrifes, ilha de S. Miguel. Talvez não soubesse a data, mas aqui fica: 6 de
Outubro de 1917. Foi ordenado em 1946 em Fall River e nomeado bispo de
Brownsville, Texas, em 1966. Paulo VI nomeou-o arcebispo de Boston em 1970 e
elevou-o à dignidade cardinalícia em 1973. Faleceu a 17 de Setembro de 1983.
As relações de Humberto Medeiros com Carol Wityla terão principiado durante
uma visita do futuro Papa a Boston, quando era arcebispo de Cracóvia.
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AÇOR-AMERICANOS. Para além dos militares no destacamento norte-americano
da base das Lajes, ilha Terceira, há nos Açores 15 mil cidadãos, americanos
com direito a voto nas eleições nos EUA. Na maioria dos casos, trata-se de açorianos
que viveram nos EUA e se naturalizaram americanos, tendo
regressado às origens depois da reforma. Contudo, pouco votam. Pouco votam
nas eleições regionais e ainda menos nas americanas.
VOTO MILITAR. Nas eleições de 2000, devido a atrasos e falhas na
identificação, 29% dos 500 mil militares norte-americanos em missão no
estrangeiro tiveram os votos anulados e por isso o Pentágono decidiu
facilitar a votação este ano. Os militares poderão usar a internet ou o fax
para eleger o presidente dos EUA. Apesar dos problemas de segurança os
estados do Missouri e Dakota do Norte permitirão que os seus militares no
exterior utilizem a internet e outros 23 estados permitirão a votação por
fax. A participação dos militares no estrangeiro costuma ser superior à dos
civis em idêntica situação: nas eleições de 2000 votaram 68% dos
militares e
51% dos civis.
SUPERPOTÊNCIAS. Portugal foi, em Quinhentos a primeira superpotência
da
história e os ingleses e holandeses seguiram depois o exemplo português,
disse ao Expresso o académico norte-americano George Modelski, professor da
Universidade de Washington, em Seattle. Para este académico, a China e a
Índia serão as próximas superpotências. Quanto aos EUA, Modelski prevê
que
os EUA ainda aguentem uns tempos como superpotência, mas é peremptório: só
se Bush não for reeleito...
GUINÉ-BISSAU. Naturais da Guiné-Bissau residentes nos EUA estão
inquietos
com os acontecimentos na terra natal. Reivindicando pagamento dos salários
em atraso, soldados mataram três oficiais de alta patente, que acusam de
desvio de dinheiro. A Guiné voltou à calma, mas segundo o Expresso duas
rádios locais transmitem com insistência uma canção da autoria de José
Manuel Fortes, um guineense radicado na Califórnia que não poupa críticas
ao
"chefe que tem carro novo, mas cujo vencimento não é suficiente para
ter
casa e carro novos", e é uma espécie de "Grândola" dos
rebeldes.
Nova modalidade
Não sei se têm conhecimento de um desafio de futebol feminino que se
realizou há dias entre equipas da Guatemala e do Salvador. A Guatemala
ganhou por 6-1. (Pelos vistos sabiam muito mais da poda). Até aqui tudo mais
ou menos bem. A novidade é que as duas equipas estavam formadas por
prostitutas. Fizeram-no para chamar a atenção para a sua falta de direitos
civis. Suponho que em breve este exemplo será seguido por outros países
latino-americanos. Nesse caso não seria de estranhar que alguém saísse com
um novo nome para a modalidade. Putebol estaria apropriado?
Mayone Dias
COMEÇOU A VOTAÇÃO
As urnas já abriram segunda-feria na Florida, em locais especialmente
designados, para os eleitores interessados em votar na eleição presidencial
antes da data oficial de 2 de Novembro e, segundo as sondagens, 20% dos
eleitores tencionam votar. Outros 29 estados prevêem o voto adiantado e as
urnas já abriram em alguns: Texas, Colorado, Iowa, Nevada, Ohio, Novo México
e Oregon, que é o único estado que permite o voto pelo correio. Mas a
Florida é especial porque foi o estado que determinou a vitória de George W.
Bush em 2000 pela escassa margem de 537 votos e depois de várias
recontagens.
APOIOS
Alguns dos mais importantes jornais americanos já anunciaram qual o
candidato que apoiam nas eleições presidenciais. Em editoriais, o "New
York
Times" e o "Boston Globe" anunciaram domingo apoio ao candidato
democrata
John Kerry. O presidente George W. Bush recebeu o apoio do "Chicago
Tribune", "Miami Herald" e de jornais dos estados do Colorado,
Texas e Novo
México. Mas santos da casa não fazem milagres e "The Iconoclast",
semanário
que se publica em Crawford, no Texas, localidade onde Bush tem o seu rancho
e passa largas temporadas, apoia John Kerry. Sob o lema "Bush
desiludiu-nos", director da publicação, W. Leon Smith, escreve que
George W.
Bush não parece ter aprendido com os erros dos últimos quatro anos e não
parece que vá melhorar no segundo mandato.
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