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O que nos faz a solidão!... Neste mundo tão medroso, Sem nenhuma compaixão E sem pingo de moral, Da criança ao idoso, Se fecham na solidão, Um ser individual! O idoso, mal se sente Entre uma sociedade Que o aceita a fingir. Não o tratam como gente, E à sua necessidade Ninguém o vem acudir! Já foram os braços fortes, Hoje, velhos, cansados, tontos, E uma reforma choruda. Deste nada fazem cortes, Com descontos, mais descontos, E uma fictícia ajuda! Com a ajuda não há perda, A conta é sempre bem feita, Por homens bem competentes. Ajudam com a mão esquerda, Tirando c'oa mão direita, E ficamos tão contentes!... A solidão nas mulheres, Hoje, já bem acentuada, Na presente situação. Temem todos os prazeres, Receiam qualquer cilada, Entregam-se à solidão! Mirando o homem que gosta, Pensa dez vezes na vida Quem será seu companheiro? Mulher hoje, está exposta Desde a gonorreia à sida, Se não tem um bom parceiro! Homem que não vai ouvindo Os conselhos, na loucura, Do sexo e não se interessa, Nem só se vai destruindo, Como destrói qualquer pura, Que foi na sua conversa! Há homem que perde o tino Sabendo-se infectado, Continua no pagode. Este homem é um assassino, Que deve ser desviado P'ra onde não incomode. Do mesmo modo a mulher Que o vírus apanhou, Sabe e vai sempre à vida, É crime se o fizer. Ao saber continuou Na propagação da sida! Há que ter muito cuidado, Com trabalhos oferecidos Às mulheres actualmente. Muito bem remunerados Com ganhos apetecidos Mas de moral deprimente! Quanto às pobres crianças, Hoje são como um material Em muitos ramos usados. Servem p'ra muitas festanças, Desde do prazer sexual Ao que pensam os tarados! Mas, há mais e muito mais, Em que estes inocentes Chegam a perder a vida. À mercê das mães, dos pais E outros tipos dementes, Que os tristes não têm saída! Perante uma tal loucura Daí nos vem a razão Da individualidade. O ser humano procura O sossego, a solidão, Viver em seguridade! Muitos abandonam lares, Procuram companheirismo E aí o futuro jogam. Formam "gangs", formam pares, Metem-se no alcoolismo, Na prostituição e droga! Solidão, no seu teor, Pode abranger a pessoa Rica, pobre, ou quem seja, De qualquer raça ou cor, Gente má e gente boa, Onde quer que ela esteja! Todos têm seus caminhos, Cada qual sua mania, Os seus modos de viverem. Tentam uns ficar sozinhos, Alguns querem companhia, Outros não sabem o que querem! E é nesta indecisão, Nesta espécie de cegueira, Que em nada se acredita, Metido na solidão, Se faz alguma asneira, Por vezes bem esquisita! Solidão é como um frio, Um nervoso miudinho, Como uma bússola sem norte. Dentro do peito um vazio, Uma tenaz, um espinho Causando uma dor bem forte! As causas são bem diversas, Desde uma rejeição Divórcios, falecimentos. São muitas e bem dispersas Que levam à solidão Até a maus pensamentos! Mas há que ser-se bem forte, Ir procurar companhia Certa e que lhe entenda. Faça dela um suporte! Amanhã é outro dia, Novo sol e nova senda! Não se deixe ir na ideia, Porque qualquer solidão Traz-nos pensamentos vários. E procure volta e meia Alguém cuja compreensão Tem os dotes necessários! PS Quem não tem amor, carinho, Por vezes, haja cuidado. Mais vale estar sozinho Do que mal acompanhado! A solidão é escura, Mas é ela muitas vezes Que faz esquecer e cura Muitos e muitos revezes! Estamos sós, muito embora Não sejamos escutados, Deita-se a bílis p'ra fora, Ficamos aliviados! Quando o rancor não esquece, Há que orar bem aos Céus. Fazendo a Deus uma prece, Pedindo auxílio a Deus! A Prece... Senhor... O vosso servo deseja Que lhe mostres em retratos Qual o Judas que lhe beija E o entrega a Pilatos! Este ser que me atraiçoa Não o quero maltratar, Mas conhecer a pessoa Para a poder perdoar!... Perdoando o seu defeito, Vou viver mais satisfeito!... |
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