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Habemus Bush
Esclareço os prezados leitores (sendo dois já são leitores) que encerro
nesta crónica a carreira de comentador político auspiciosamente iniciada a
semana passada com a previsão de que o senador John Kerry se tornaria o 44º
presidente dos EUA.
Enganei-me, aliás como a generalidade dos confrades, pois como referiu Andy
Rooney domingo, no 60 Minutes da CBS, 50% dos jornalistas americanos adoram
Kerry e 50% detestam Bush.
Apesar do Iraque e da economia, habemus Bush, conforme diz Stephen Kanitz,
associando a eleição do presidente do país mais poderoso do mundo pelos 538
membros do anacrónico Colégio Eleitoral à do Papa, pelos 70 cardeais do
Sacro Colégio Pontifício.
Na verdade, a reeleição de Bush foi uma graça de Deus, conseguida pelos
grupos de fundamentalistas protestantes, católicos, evangélicos e outros
religiosos que transformaram as igrejas em comités de campanha do Partido
Republicano.
Curioso o facto de que, embora Kerry seja católico, 58% dos católicos
votaram Bush, que é metodista.
Há quatro anos, um diplomata brasileiro disse que comprar George Bush com Al
Gore era como comparar um Rolls Royce com um Yugo e o mesmo se pode
dizer
em relação a Kerry.
Tal como Gore, Kerry também é mais culto, mais experiente, mais
transparente, mais preparado para ser presidente, mas não conseguiu bater um
candidato consideradso o pior presidente da história.
É certo que o Partido Republicano e apoiantes investiram perto de um bilião
de dólares na campanha, mas o sucesso de Bush deve-se também a ele próprio.
É um homem simples e essa simplicidade valeu-lhes os votos da gente simples
dos estados agrícolas do centro do sul do país, que é contra o casamento
gay
e o aborto. Gente que votou com emoção, mas não com razão.
É um homem simples e essa simplicidade valeu-lhes os votos da gente simples
dos estdos agrícolas do centro do sul do país, que é contra o casamento gay
e o aborto. Gente que votou com emoção mas não com razão.
O candidato democrata ganhou apenas nos estados industriais das costas este
e oeste e dos grandes lagos, onde estão as universidade de maior prestígio e
as capitais culturais e económicas.
Durante a campanha, Kerry apareceu um dia envergando camuflado e de
caçadeira ao ombro, mas quem caçou os patos foi Bush.
Ainda assim 49% dos americanos votaram em Kerry ou, mais propriamente contra
Bush.
Digamos que o candidato democrata teve o apoio dos que votaram pensando
salvar o mundo e o republicano dos que votaram pensando salvar o emprego.
Sondagem divulgada domingo diz que 39% dos americanos vivem pior do que há
quatro anos, a maioria dos próprios republicanos reconhece que a economia
vai mal, mesmo assim Bush será presidente mais quatro anos e viu também o
Partido Republicano ganhar maior controle da Câmara dos Representantes e do
Senado.
George Bush não precisa dos democratas para governar, mas tem um país ferido
e dividido. Prometeu unir o país mas também se esperava que tivesse feito
isso depois das eleições de 2000, adoptando políticas moderadas e
conciliatórias e fez precisamene o oposto, adoptou medidas radicais para
satisfazer as suas bases conservadoras.
Os democratas, que votaram na esperança do fim da era Bush, esperam,
deprimidos, mais quatro anos de guerra, terrorismo, negociatas da
Halliburton, poluição, desemprego, menos impostos para os ricos, menos
verbas para programas sociais e um Supremo Tribunal radical.
Os americanos têm a mania da liberdade, mas a sua liberdade está em risco de
não passar de nome de uma estátua em New York, tal como a liberdade nos
tempos da ditadura em Portugal, que era apenas nome de avenida.
Desde que Bush ganhou as eleições, aumentou o número de americanos que
encaram a ideia de imigrar para o Canadá e segundo a ministra canadiana da
Imigração, Maria Iadinardi, a página do seu ministério internet, que
anteriormente recebia a média de 20 mil visitas diárias dos EUA, passou a
ter mais de 100 mil.
É que o belicismo de Bush pode ser uma ameaça para a paz mundial, pois está
pegado com a realização de eleições no Iraque, o que é tão anedótico
como
pensar que a democracia se impõe à bomba.
Na Europa, a classe política esperava a eleição de Kerry, a reeleição de
Bush foi uma surpresa e ainda por cima rei e senhor do Capitólio.
Conforme diz o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Michel Barnier,
³os americanos não podem construir, animar e dirigir o mundo por si sós².
Bush é que não sabe isso e daí a preocupação. Para além do Social
Security e
do Medicare, o presidente quer também acabar com as Nações Unidas,
considerando que é suspeita por ser ponto de encontro de indivíduos que
falam outras línguas...
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Quatro luso-californianos no Congresso
Jim Costa, 52 anos, nascido a 13 de Abril de 1952, em Fresno, Ca, onde
continua a residir, foi eleito para o Congresso dos EUA. Pertence à terceira
geração de uma família açoriana que se dedica à pecuária desde 1900 no
Vale
de San Joaquim, Califórnia e foi anteriormente deputado estadual (1978-1994)
e senador estadual (1994-2002). Temos nesa altura quatro congressistas luso
californianos: Richard Pombo e Devin Nunes, republicanos e Dennis Cardoza e
Jim Costa, democratas.
O republicano Pat Toomey, da Pensilvânia, cuja mãe era de ascendência
portuguesa, tentou concorrer ao Senado mas não passou das primárias e perdeu
o lugar no Congresso.
O republicano Bem Nighthorse Campbell, do Colorado, cuja mãe era da ilha do
Faial, não concorreu a novo mandato. Era o único luso-descendente no Senado
e cedeu lugar a um hispânico.
O lugar de Campbell fou ocupado pelo democrata Ken Salazar, que derrotou o
magnate da indústria cervejeira Peter Coors.
O republicano Mel Martinez, cubano de 58 anos, que foi secretário da
Habitação do governo de George W. Bush, foi também eleito para o Senado em
representação da Florida.
John Salazar, irmão de Ken Salazar, tornou-se o primeiro congressista
hispânico do Colorado.
Nesta altura em termos de representação política, os hispânicos têm dois
senadores, 23 congressistas, 19 deles democratas e um governador, Bill
Richardson Lopez, do Novo México.
Nas legislaturas estaduais há 171 deputados e 60 senadores hispânicos. O
número dos luso-americanos em legislaturas estaduais é menor, mas não deixa
de ser razoável: meia dúzia na Califórnia, oito em Massachusetts e onze em
Rhode Island, dois dos quais eleitos agora: Hélio Melo, de East Providence e
Edwin Pacheco, de Burrillville, ambos democratas.
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JÁ SE PENSA NAS PRESIDENCIAIS DE 2008
As presidenciais de 2004 mal acabaram e o Partido Democrata, ou pelo menos
alguns membros, já começam a pensar nas presidencais de 2008. John Edwards,
candidato a vice-presidente derrotado, considerou que o seu discurso de
despedida, quarta-feira passada, pode ter sido de certa forma o primeiro
discurso da sua campanha para a Casa Branca daqui a quatro anos. Contudo,
Edwards tem problemas: vai deixar o cargo de senador da Carolina do Norte,
que exerceu apenas um mandato e daqui a quatro anos talvez já ninguém se
lembre dele. Outros potenciais candidatos democrtas para 2008, são Howard
Dean, o antigo governador de Vermont e a senadora Hillary Clinton, de New
York, que é famosa e, ao contrário de Edwards mantém-se na cena política.
O derrotado aspirante à Casa Branca, senador John Kerry, também conserva o
lugar no Senado e tenciona concluir o mandato. Kerry tem a legitimidade de
55 milhões de americanos terem votado nele e alguns dos seus assessores
gostariam de o ver assumir a liderança do Partido Democrata e tentar
recuperar da derrota. Mas os democratas têm um velho problema: sofrem de
antropofagia e comem os candidatos caídos.
KERRY PERDEU EM MASSACHUSETTS
Em Massachusetts foram esta ano às urnas 2.880.000 eleitores, batendo o
recorde de 2.822.962 atingido em 1992. Sendo da casa, John Kerry ganhou
folgadamente com 62%, enquanto George W. Bush teve 37%. Mas Bush venceu
surpreendentemente em algumas localidades do Sueste de Massachusetts, que é
predominantemente democrático: em Lakeville, teve mais 523 votos
(2.912-2.389) e em Middleboro mais 340 (54%-38%). Chatham e Sandwich também
votaram Bush e apenas em Sandwich o número de eleitores republicanos
ultrapassa os democratas. Há quem atribua o resultado à existência de uma
base aérea em Sandwich, mas a razão pode ser também a intensa campanha
desenvolvida pelo presidente do comité republicano local, Dennis Fonseca.
A VANTAGEM DOS NOMES CURTOS
Uma das preocupações dos candidatos presidenciais nos EUA é terem um nome
curto, fácil de fixar e na última batalha eleitoral os nomes não podiam ser
mais curtos, com apenas duas sílabas: George Bush e John Kerry. "Não é
frivolidade olhar-se para o número de sílabas dos apelidos dos candidatos,
uma vez que uma campanha tem a ver com logotipos e autocolantes e nesse caso
têm vantagem os nomes curtos, sonantes e de fácil memorização", diz
Barbara
Kellerman, directora de pesquisas do Centro de Liderança Pública, da
Universidade de Harvard, em Cambridge. "As pessoas prestam cada vez menos
atenção e, numa era de palavras curtas, um nome curto faz a diferença. Há
algo num nome curto que chama a atenção". O antigo governador de
Massachusetts, Michael Dukakis, perdeu em 1988 para Bush pai e hoje
admite-se que com ese apelido não tinha grandes hipóteses. Mas nem sempre
nome curto é sinal de sucesso: os democratas Jimmy Carter e Bill Clinton
derrotaram oponentes com apelido mais curto, Gerald Ford e Bob Dole. Hoje em
dia nomes longos como Dwight Eisenhower e Adlai Stevenson não teriam grandes
hipóteses, mal caberiam no boletim de voto. Nos anos 50, Eisenhower derrotou
duas vezes Stevenson, que tinha nome tão longo como o seu, mas tinha a
vantagem de ter sido o comandante das forças aliadas durante a II Guerra
Mundial.
COLÉGIO ELEITORAL
Convém lembrar que o presidente dos EUA não é eleito por voto popular
directo, como em Portugal, por exemplo, mas por um Colégio Eleitoral em que
cada estado tem um número de votos de acordo com a proporção da sua
população. Com excepção do Maine e Nebraska, o vencedor do voto popular
ganha todos os votos do Colégio Eleitoral naquele estado. Por sua vez,
Colorado está considerando uma medida para dividir os votos no Colégio
Eleitoral em vez de dá-los todos ao vencedor no voto popular.
O recenseamento populacional de 2000 veio facilitar agora a vitória do
presidente George W. Bush, pois teve mais sete votos que não teria se o
recenseamente de 2000 não tivesse confirmado o aumento populacional dos
estados do centro e do sul, enquanto o nordeste diminuiu. Os estados que
perderam votos no Colégio Eleitoral após 2000 foram os seguintes: New York
(-2, vitória de Kerry); Pennsylvania (2-Kerry), Connecticut, (1-Kerry);
Illinois (1- Kerry); Michigan, (1-Kerry).
Nas eleições da década de 80, candidato presidencial que vencesse New York
conquistaria 36 votos do Colégio Eleitoral, mas o censo de 1990 deu apenas
33 delegados e, em 2004, a eleição valeu apenas 31 votos a John Kerry.
O Texas, que tinha 29 pontos na década de 80, sete menos do que New York,
passou a ter 32 e Bush conquistou o total e mais do que Kerry em New York.
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