Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha




Perdi a esperança
no meu voto!...

Após tantos combates,
O ditado percebi;
Quanto mais tu me bates,
Mais gosto ainda de ti!...
               *
Votei e podem bem crer,
Sem no partido pensar.
Somente para escolher
Quem havia governar!

Sem querer deixar na mão
D¹alguém,  na última volta,
Ter a força de Sansão
Governando à rédea solta.

Agora, só nos encerra
Pedir e Deus que nos valha.
Isto não foi uma guerra,
Foi somente uma batalha!

Por isso, há que batalhar,
Trazer de novo a esperança,
Teimar, teimar e teimar,
Quem espera sempre alcança.

Eu não votei num partido
Porque isto não me ilude,
Mas em alguém, no sentido
De me tratar da saúde!

Votei sim, com devoção,
Em alguém que prometia
Saúde e educação,
E o pão de cada dia.

Alguém com algo de novo
Olhasse por nossas casas,
Acudindo ao nosso povo
Qu¹anda a viver sobre brasas.

E cujo poder que encerra
Lembre qu¹os americanos,
Que são mandados p¹rá guerra
Também são seres humanos!

Seja quem seja os mandões
Veja se a vida melhora.
E não lhe saiam os milhões
Por entre os dedos, mão fora!

Um homem que dê valor
Ao pobre velho infeliz,
Que deu seu sangue e suor
E seu saber ao país!

Enquanto novos usados,
P¹rá nação, foram a mina
E agora, velhos,  cansados,
Nem ganham p¹rá medicina,

Algum que foi mais acérrimo
E tenha economizado,
Tem que se tornar paupérrimo
P¹ra poder ser ajudado!

E que ajuda controfeita,
Que no fim, em conclusão,
Dão algo com a direita,
Tirando c¹oa outra mão!

Nosso povo, com certeza,
Foi votar naquele dia,
Só pensando na defesa,
Sem se lembrar que comia.

Votou naquela ilusão,
Esquecendo a ruina
Da saúde, educação,
Trabalho e a medicina.

Mas eu trago na lembrança,
Uma fé a fervilhar
Uma vontade, a esperança
Que tudo irá mudar!

Tenho esperança, porque até
Entre estas forças tamanhas,
Minha esp¹rança traz a fé
E a fé remove montanhas!

Tenho esperança no amor
Que nos modifica tanto.
Olhem... Paulo foi pecador
E depois tornou-se santo!...

Sanguessugava os pobres,
Nos impostos arrancava
Até aos últimos cobres.
Tudo e todos explorava.

Mas, se modificou tanto
Que cumprindo a sua sina,
Ajudou, enxugou pranto,
Cumprindo a Lei Divina.

Quem sabe se está mudado
E agora, coração nobre,
Tal como o Zé do Telhado,
Vai ele ajudar ao pobre?!

Não se esqueça certamente
O pobre envergonhado
Porque o pobre indigente,
Este já é ajudado!

A pobreza envergonhada
Cujo trabalho lhe faltou,
Ou a velhice cansada
 De tanto que trabalhou!

A pobreza que precede
Desta falta de trabalho
Que necessita e não pede
E ninguém lhe quebra o galho!

E o velhinho já cansado....
Que força alguma lhe resta
E que é classificado
Como máquina que não presta!

Não interessa o governante,
Ou quem seja, velho ou novo.
O que é mais importante
É cuidar bem do seu povo!



PS
Não estou pedindo por mim,
Já não faz muito proveito,
Porque eu estou no fim.
Mas se me derem...aceito!...

Porque anda sem tarelo
O preço da medicina,
Levando coiro e cabelo,
Que o velho já não atina.

Podiam vender por menos.
É a droga, quanto a mim,
Àgua pura com venenos
E um rótulo em Latim!

É este veneno às gotas
Que, quem não tem um ceitil,
Vai ter que unir as botas
E esticar o pernil!

Cá por mim, podem bem crer,
De novo não vou morrer!...




      
      


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