Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha




Já se sabe...
Senhor Professor!...

Não vão julgar, por favor,
Nem tampouco imaginar
Que sou contra o professor
Que fala com tal fervor
Sem querer amesquinhar!

Somente vou alertar,
Alvitrar o que lhe resta.
Pare e em vez de amesquinhar,
Que trate de ensinar,
A sua missão é esta!...

Qualquer palavra que veja
Que foi mal pronunciada
Por mais difícil que seja,
O professor lá esteja
Para que seja emendada.

Este concelho tem dado
Célebres e célebres senhores,
Nenhum foi amesquinhado,
Algum até consagrado
Na história, com louvores!

Penso até que o senhor é
Um professor competente,
Reconhecido e até
Guarnecido no sopé
Por muita e boa gente.

Como mestre em português,
Veja a sua poesia
Nenhuma rima se fez,
E penso que desta vez
Não tem nenhuma harmonia.

Também a métrica não tem!
Uma canção duvidosa,
Cuja mensagem que vem,
Não diz nada p¹ra ninguém
Parece um pouco maldosa!...

Esta ou aquela  pessoa
Que fala desta maneira,
Instruída é tão boa
Como as do Porto ou Lisboa
Do Algarve ou da Beira!

Se saiu do Continente,
Confesso, não sei porquê,
Conhecendo toda a gente
Não fez um disco decente
C¹o Pá do Pá e Bochê?!...

E milhares de calões,
Que andam por lá espalhados,
Os ditos e palavrões
Que se falam, aos montões,
Sem por si serem falados!

Não venho aqui certamente
Mostrar nenhuma grandeza,
Mas, quem se cala consente
E, se é filho de boa gente,
Tem que falar, com certeza!...

Vêem alguns doutra maneira,
Pode até seja ruim
E eu tenha alguma cegueira.
Quer alguém queira ou não queira,
Confesso, eu penso assim!...

PS
Qualquer sotaque diferente
Veio de lá, da capital,
E é made in Continente,
Um pouco ou nada diferente,
Mas no fundo, todo igual!

Vejam com muita atenção
E ponham o dedo na ferida.
Os micaelenses estão
Numa nova confusão,
Coisa que estava esquecida!...

Hoje, toca-se a toda a hora,
A ver se a moda pega,
Dia dentro, dia fora,
Seja qual for emissora,
Nenhuma pessoa é cega!

Não forma nenhum sentido,
Comprar algo cujo a voz
A fervilhar no ouvido
Seja só um alarido
Sempre a falar mal de nós!...

Sou como a mulher do gancho,
O dedo nunca desmancho!...

Já nos visitou a neve,
Veio cedo, mas já chegou!
Desta vez ela foi breve,
Caiu um pouco de leve,
Mas tudo branco deixou!...

Cobriu ela bem a terra,
Mas a mim, já alquebrado
E com a neve na serra,
O meu coração se encerra
Num peito todo nevado!

Eu trago a neve comigo,
Tudo agora é tão diferente.
Eu bem tento, meu amigo,
Recordando o tempo antigo,
O que eu fui antigamente.

Tudo é diferente na vida,
A minha ânsia é tanta,
Trago a cintura descida,
Ando cabeca caída
E a espinha não levanta!

Mas, não é só a mim
Que a neve entristece.
Há muitos que são assim,
Ao aproximar-se o fim
A neve sempre aparece!

Não vim aqui p¹ra falar
De mim e minhas mazelas.
Mas sim para elogiar
A neve, ao apreciar
Através dumas janelas!

Vista através da vidraça,
É a neve linda tela.
Mas quem sobre a neve passa,
Por mais esforço que faça,
Não gosta lá muito dela!

Se a neve micróbios mata
E se doenças encobre,
P¹ra ser pessoa sensata
De facto que nesta data
Vai dando cabo do pobre!

Destes que em tábua rasa
Vão dormindo pelas ruas
Sem um calor duma brasa,
Nem um palheiro por casa
Que lhe abrigue as carnes nuas.

América é, e tem nome
De ser a nação mais rica
E esta fama ela assome!
Com tanta pobreza e fome,
Como é que se explica?!...

Damos p¹ra outras nações,
Quase todo o mundo inteiro,
Nossos dólares aos milhões.
Sejam quais forem as razões,
A nossa fome é primeiro!

Hoje a América é diferente,
Tal como um rico de nome,
Peito alto, tão prudente.
Mata a fome a toda a gente
 E em casa, filhos com fome!

Mas vamos nós os deixar,
Não queremos intervir,
Nem tampouco criticar,
Pois quem anda a governar,
Não nos vai ler ou ouvir!

Política, é um atraso,
Fala-se e ninguém faz caso!...




      
      


Voltar à primeira página desta edição

 Voltar à Primeira Página


Copyright © 1997/2001 The Portuguese Times
Autorizada a reprodução de artigos publicados nesta página desde que mencionada a origem