Uma vida inteira dedicada à música!
Faleceu Viriato Costa

Vítima de prolongada doença, faleceu sábado, 20 de Novembro, Viriato Pacheco
da Costa, 82 anos de idade.
Filho de Manuel e Eugénia (Pacheco) da Costa, já falecidos, o extinto era
natural das Furnas, São Miguel, tendo imigrado para os Estados Unidos em
1966, fixando residência em New Bedford.
Era casado com Maria Inês (Raposo) da Costa. Para além da viúva deixa cinco
filhos: Viriato J. Costa, a residir em Spring Hills, Florida; Osvaldo Costa,
em São Miguel; Helder J. Costa, de Dartmouth e Mário M. Costa e Paul M.
Costa, ambos de New Bedford. Deixa uma filha: Aida Guilherme, de Spring
Hills, Florida; um irmão, Manuel A. Costa, de New Bedford, 17 netos, 5
bisnetos, vários sobrinhos e sobrinhas. Era irmão de Modesto da Costa, já
falecido.
O funeral realizou-se na passada terça-feira, com missa de corpo presente na
igreja da Imaculada Conceição, em New Bedford, onde era paroquiano. O seu
corpo foi sepultado para o cemitério de São João, em New Bedford.

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Viriato Pacheco da Costa, com uma vida inteira dedicada à música, era um
exemplo de dedicação e talento às artes musicais. A bonita e pitoresca
localidade das Furnas, S. Miguel, perde um dos seus mais ilustres filhos e a
comunidade portuguesa desta área fica assim artisticamente mais pobre.
Antes de imigrar para os EUA, onde aqui formou a sua banda de Viriato Costa
(VC-6), que abrilhantou todo o tipo de festa nas comunidades portuguesas
desta região durante mais de vinte anos, Viriato Costa começou contudo a sua
carreira musical nos Açores, mais propriamente nas ilhas de Santa Maria, São
Miguel e Terceira.
Recordamos e publicamos aqui excertos de uma extensa entrevista concedida ao
Portuguese Times, na edição de 2 de Fevereiro de 1995.
"Sempre gostei de música. A minha mãe, que sabia bem tocar guitarra,
ensinou-me a dar os primeiros passos para a música e mais propriamente a
tocar esse  instrumento típico português. Com apenas 15 anos de idade
ingressei na filarmónica da minha terra, a Filarmónica Furnense", afirmou
Virito Costa.
Em 1947 ausentou-se da família para trabalhar como empregado de bar e tocar
música à noite no Terra Nostra, ali mesmo no aeroporto, abrilhantando
grandes serões nocturnos que ali se efectuavam, depois de alguma temporada a
tocar no Terra Nostra, nas Furnas, onde aprendeu a tocar piano.
Em Santa Maria formou um conjunto que abrilhantava serões para altas
entidades nacionais e internacionais, numa altura em que o aeroporto de
Santa Maria tinha uma importância fundamental e estratégica no Atlântico.
"Abrilhantávamos festas para tripulações de várias companhias como por
exemplo a KLM, a TWA, Pan-Am, Air France, British South American, Aero Vias
Guest e outras", recordou, tendo acrescentando: "Recordo-me perfeitamente
daquele trágico acidente ocorrido no Pico da Vara, entre as freguesias de
Santana e Algarvia, com um avião da Air France. Nessa altura eu tocava para
os tripulantes da Pan-American. Estava para fazer uma escala técnica em
Santa Maria, com destino a New York. Nesse avião iam figuras famosas como o
boxeur Marcel Cerdan e Ginete Nouveau, violinista de fama mundial. Conheci
inclusivamente a esposa do falecido primeiro comandante desse avião, que fez
questão em deslocar-se aos Açores e ver com os seus próprios olhos o local
onde o marido falecera. Mergulhada no seu sofrimento e profunda tristeza,
pediu que lhe tocasse uma melodia triste", recordou Viriato Costa, que
tocava ao tempo no grupo "Jazz Terra Nostra" e que chegaram a tocar para
grandes nomes da música internacional, como por exemplo a espanhola Lolita
Calvo.
Foi em Santa Maria que compôs as melodias mais lindas: "As minhas
composições e poemas têm muito a ver com a minha vida, com a natureza e com
o meu estado de espírito, com vivências e ambiências", recordou o saudoso
Viriato Costa.
A fama de Viriato Costa correu o arquipélago e em Setembro de 1951 foi para
a Base das Lajes, na ilha Terceira, permanecendo aí durante dois anos.
Após um regresso à ilha de Santa Maria, volta à sua terra natal em 1956,
altura em que assumiu definitivamente a regência da Harmónica Furnense e foi
sob a sua direcção artística que esta filarmónica ganhou fama em toda a
ilha.
O grande salto para os Estados Unidos deu-se em Abril de 1966, fixando
residência com a esposa e os seus filhos em New Bedford. O seu primeiro
conjunto aqui foi "Os 5 Amigos", tocando para todo o tipo de festa.
Em 1970, Viriato Costa forma o seu próprio conjunto, o VC-6, com a seguinte
constituição: os filhos Mário e Paulo Costa, o seu genro Gualter Guilherme,
José Maurício e José Pacheco e o próprio Viriato Costa aos teclados.
O grupo foi dos mais solicitados para todo o tipo de festa, gravou dois
singles e mais tarde um LP, com o título "Sou Português", incluindo canções
que se tornaram conhecidas na comunidade, nomeadamente "Cantando estou",
"Futebol, futebol", "Memórias" e "I wish we were alone". O grupo terminou a
sua actividade em 1991.
"A nossa última actuação foi em Cambridge, no salão da igreja de Santo
António, numa festa de passagem de ano. Foi muito triste e comovente para
mim. É que foram mais de 20 anos a tocar música para a comunidade portuguesa
desta área e isso não se esquece facilmente", recordou na altura Viriato
Pacheco da Costa, que foi alvo de algumas homenagens organizadas por
organizações portuguesas da área.
Antigo operário da indústria têxtil e reformado em 1984, Viriato Costa
chegou ainda a prestar serviço religioso na igreja da Imaculada Conceição,
tocando órgãos nas missas dominicais.
Em toda a parte, nos Açores e na comunidade portuguesa da Nova Inglaterra,
toda a gente conhecia Viriato Costa, um grande músico e bom amigo de todo os
que o conheceram.
Tivesse vivido noutra época ou noutro país e a sua música (centenas de
composições) teria conhecido outra divulgação.
A comunidade portuguesa desta área perde um excelente valor artístico. As
Furnas, em S. Miguel, sua terra natal, perde um dos seus mais ilustres
filhos.
A toda a família enlutada, endereçamos as nossas mais sentidas condolências.
Que a sua alma descanse em paz!


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