|
"Ai Mouraria" deu "Star of
the Night"
O musical "Amália", de Filipe La Féria, vai ser apresentado nos
EUA em 2005.
Inspirado na vida de Amália Rodrigues, o espectáculo estreou em 1999 em
Portugal, já foi visto por cerca de cinco milhões de pessoas e começou
agora
a visitar comunidades portuguesas no estrangeiro, foi apresentado em França
e Suíça e, em Março próximo, vira aos EUA.
Foi anunciado inicialmente que "Amália" seria apresentado no
Lincoln Center,
em New York, mas as últimas informações dizem que será no Newark
Performing
Arts Center, na cidade de Newark e parece a sala ideal para este
espectáculo.
Vive em Newark numerosa comunidade portuguesa, que por si só garante várias
salas esgotadas, sem considerar as excursões que irão por certo organizar-se
noutras comunidades portuguesas nos EUA, como New Bedford ou Fall River.
O Lincoln Center é um palco prestigioso, mas a maioria dos portugueses não
imagina sequer onde fica e, dos habituais frequentadores americanos, poucos
apreciarão fado.
Ao contrário do que por vezes se diz em Portugal, o fado (ainda) não tem
neste país o sucesso que conseguiram, por exemplo, o flamenco espanhol, o
samba brasileiro ou mesmo a morna cabo-verdiana.
Portanto, qualquer espectáculo de fado tem de contar com a comunidade
portuguesa ou luso-descendente.
Numa visita a Lisboa, qualquer americano é capaz de ir aos fados pela
curiosidade turística, não propriamente como apreciador e quem o disse, já
lá vão uns anos, foi Frederico Valério, autor de alguns dos mais belos
fados
de Amália.
Falecido em 1982 em Lisboa, onde nascera 69 anos antes, Frederico Valério
foi o primeiro (e o último, até ver) português a trabalhar nos teatros da
Broadway.
Nos anos 50, Valério tocava na orquestra do Casino Estoril, onde conheceu
uma noite um empresário da Broadway que o convidou a vir para New York.
Foi uma experiência de sete anos, trabalhando como compositor para várias
companhias e que permitiu ao maestro português conhecer o público americano
e aperceber-se das dificuldades de internacionalização da música portuguesa,
em especial nos mercados anglófonos.
"Os estrangeiros apreciam a nossa música, consideram que tem carácter,
ainda
que um pouco estranha. O problema reside no idioma", disse um dia
Frederico
Valério, em entrevista a um jornal de Lisboa.
Com efeito, os maiores sucessos da música portuguesa nos EUA foram só
orquestrais: "Coimbra", originalmene um fado cantado por Alberto
Ribeiro no
filme "Capas Negras", celebrizou-se como "Avril au Portugual",
na versão de
várias orquestras; "Lisboa Antiga", criada por Hermínia Silva numa
revista,
também fez carreira no repertório de várias orquestras americanas.
As razões, segundo Valério, é que não é fácil escrever letras inglesas
para
canções portuguesas:
"Enquanto na língua inglesa as letras das canções terminam em sílaba
aguda,
na nossa língua terminam, em geral em sílaba grave. Daí a dificuldade em
escrever uma letra inglesa para uma canção portuguesa".
Ainda assim, Frederico Valério conseguiu ter uma versão inglesa de "Ai
Mouraria", um dos mais bonitos fados que escreveu para Amália e que, nos
EUA, foi gravado por Vic Damone e Eddie Fisher, entre outros.
Mas a letra foi escrita por alguém que sabia do ofício, Mitchell Paris,
autor de êxitos como "Night and Day" e Bengin the Begin". Mas
o "Ai
Mouraria, da velha Rua da Palma, onde um dia deixei presa a minha alma"
levou uma reviravolta, passou a chamar-se "Star of the Night" e nada
tinha a
ver com o fado de Amália.
Tonight Show à Portuguesa
A propósito de música portuguesa nos EUA, cabe relembrar a noite em que,
inesperadamente, foi ouvida uma canção portuguesa no "Tonight Show"
da NBC,
há 13 anos.
Foi no dia 5 de Abril de 1989, por sinal na emissão em que foi também
entrevistada Jodie Foster, a Sarah Tobias do filme "The Accused",
baseado no
caso Big Dan de má memória para os portugueses de New Bedford.
Johnny Carson era apresentador do programa e tinha um concurso em que os
concorrentes davam o título de canções que a orquestra tentava executar. Se
a orquestra não acertasse, os concorrentes trauteavam a canção e ganhavam
um
jantar num restaurante de Los Angeles.
"E qual é a sua canção?", perguntou Carson a um concorrente
gorducho que se
apresentou como John Santos.
"A minha terra", respondeu o Santos, em português correcto.
"What?!", estranhou Carson.
"A minha terra", insistiu Santos.
Suspeitando de influências ibéricas, a orquestra atacou um passodoble ou
coisa parecida, mas não acertou e Santos trauteou então a sua canção em
português:
"Ó minha terra, onde eu nasci/ quantas saudades eu tinha de ti..."
Era a canção da autoria de Rezende Dias que António Calvário lançou em
1960,
no Festival da Canção da Figueira da Foz e, se a música portuguesa fosse
mais conhecida nos EUA, Santos teria sido desqualificado: o título da canção
é "Regresso" e não "A minha terra".
De qualquer forma, se alguém em Portugal se lembrasse de apresentar uma
canção portuguesa no "Tonight Show", era capaz de morrer de susto
com o
preço que pediriam, pois o programa tem uma das tabelas de publicidade mais
caras da TV americana, além de alergia à música estrangeira por razões de
audiência.
Contudo, um anónimo imigrante português perdido na Califórnia, conseguiu
cantarolar uns minutinhos uma canção portuguesa no programa de maior
audiência dos EUA e, ainda por cima, ganhar uma palmada nas costas, de
Carson, e um jantar para quatro no restaurante Fontana di Trevi.
============================
Reticências...
A propósito do Thanksgiving, lembre-se que só há uma coisa pela qual
devemos
estar gratos: apenas Deus e nós próprios sabemos a verdade a nosso
respeito... Não devemos estar gratos pelo que temos na algibeira, mas pelo
que
temos no coração... Antes do casamento, ele fala e ela ouve; durante a lua
de
mel, ela fala e ele ouve; já casados, falam os dois e os vizinhos ouvem... A
união dá segurança e daí os maus cantores formarem corais... Um prato é
uma
coisa que às vezes é difícil de cozinhar, mas sempre facílimo de quebrar...
Ferreira Moreno
=========================
McDonald's à portuguesa
A McDonald's está a render-se à boa comida portuguesa e começou a servir,
nos seus 113 restaurantes em Portugal, sopas de feijão branco, grão com
espinafres e cremes de legumes. É possível que as sopas portuguesas sejam
exportadas para outros países, a exemplo do que já acontece com os pastéis
de nata, que são vendidos nos restaurantes McDonald's de Espanha.
Poupanças
- Passei a viajar sem gastar dinheiro, vejo o Travel Channel e tenho poupado
um dinheirão.
- E se vires também o Food Channel poupas ainda mais.
De visita
João Almeia e Bruno Silva são dois jovens estudantes de Viseu, que ganharam
um concurso promovido pela Agência Espacial Europeia e viajam brevemene para
os EUA, de visita à NASA.
O nadador Fernando Costa, 19 anos, que participou nas Olímpiadas de Atenas,
também está de malas aviadas para os EUA, onde estudará e prosseguirá a
preparação com vista às Olímpiadas de 2008, em Pequim. Chega em Janeiro
com
destino à Universidade do Texas, em princípio ou do Michigan como
alternativa.
Trabalho
Segundo estatísticas da União Europeia, Portugal, Grécia, Irlanda e Reino
Unido são os únicos países da comunidade onde há mais homens que mulheres
a
trabalhar ao sábado. A médica europeia em 2000 é de 24% das mulheres contra
21% dos homens. Em Portugal, os homens são 21,4% e as mulheres 19,2%.
Faleceu Américo Rebordão Correia
Faleceu em Oeiras, arredores de Lisboa, o jornalista Américo Rebordão
Correia, 75 anos. Começou na Emissora Oficial de Angola nos anos 60 foi
dirigir a edição de Lisboa da "Notícia", a revista que João
Charula de
Azevedo lançara em 1961, em Luanda. A "Notícia" lisboeta não
pegou e
Rebordão Correia ingressou no "Diário de Notícias", tendo
visitado os EUA em
1975, ao serviço daquele matutino.
Shirley Gomes
Há também uma luso-descendente na Câmara de Representantes de
Massachusetts
e já pode considerar-se veterana. A republicana Shirley Gomes foi reeleita
nas eleições de 2 de Novembro, bateu folgadamente a oponente democrata, a
advogada Sarah Peake, de Provincetown. Shirley reside em South Harwich e há
dez anos que representa várias localidades do Cape Cod, de Harwich a
Provincetown.
ÍCONES TURÍSTICOS
Num estudo realizado na costa leste dos EUA e no qual era pedido aos
inqueridos que identificassem o país que correspondia a 20 ícones (imagens)
turísticos de países de todo o mundo, cem por cento dos entrevistados
reconheceram a Estátua da Liberdade como a imagem turística dos EUA e o
canguru ficou em segundo lugar, com 98,3 por cento das pessoas a reconhecer
o saltitante marsupial como animal originário da Austrália. A parisiense
Torre Eiffel ficou em terceiro lugar, enquanto o coala, um mamífero
australiano, como o canguru, ficou em quarto lugar com 91 por cento. A
notícia não se refere a ícones portugueses, mas quais serão os símbolos
que
os americanos conhecem melhor e relacionam com Portugal? A Torre de Belém e
o barco rabelo são candidatos, mas por enquanto o símbolo português mais
conhecido dos americanos é uma garrafa e dá pelo nome de Mateus Rosé.
TORRADA MÍTICA
Criado em 1995, nos EUA, o eBay é o maior site de leilões na internet.
Leiloa coisas como sutiãs de Britney Spears e o facturamento atingiu este
ano 3,2 biliões de dólares. O site não armazena os produtos que vende,
apenas divulga e uma das últimas novidades é uma torrada com a imagem da
Virgem Maria, posta à venda por Diana Dyser, americana de 52 anos que diz
ter torrado a fatia de pão há dez anos e, quando se preparava para comer,
apercebeu-se de que parecia ter a imagem da Virgem. Diana garante que a
torrada lhe trouxe sorte, já ganhou 70 mil dólares num casino e agora quer
facturar mais algum vendendo a torrada, que além de Nossa Senhora tem dias
em que mostra George W. Bush ou o Luis Figo.
OS 150 ANOS DE JOHN PHILIP SOUSA
John Philip Sousa nasceu a 6 de Novembro de 1854 e o 150º aniversário
natalício está a ser assinalado em vários pontos dos EUA. Nasceu em
Washington, filho de uma alemã que lhe deu formação germanófila, e de João
de Sousa, nascido em Espanha mas filho de portugueses. Sousa, que era músico
da Banda da Marinha, encarregou-se da formação musical do filho e alistou-o
quando ele contava 13 anos. John Philip Sousa foi no seu tempo um ídolo das
multidões, como Sinatra e Presley seriam mais tarde. Faleceu em 1932, horas
depois de ter dado o seu último concerto, mas continuam a existir várias
John Philip Sousa Band, que executam as 137 marchas que compôs e vestem os
casacões de corte militar que o seu titular usava. Há também a John Philip
Sousa Foundation, promovendo o "entendimento internacional através das
bandas". Era um trabalhador infatigável escreveu sete livros e foi também
inventor do Sousaphone uma tuba especial que o executante apoiava no ombro.
O passatempo do "rei das marchas" era o tiro aos pratos e foi um dos
melhores atiradores do seu tempo. Confirmando que nem sempre filho de peixe
sabe nadar, nenhum descendente de John Philip Sousa se dedicou à música.
MORREU VIRIATO COSTA
Morreu Viriato Costa, 82 anos, natural de São Miguel, há largos anos
radicado em New Bedford. Imigrou nos anos 60 e fundou um grupo, o VC6, que
animou muita festa, mas foi sobretudo nos Açores que Viriato Costa
representou uma forma romântica de fazer música. Começou numa filarmónica
das Furnas, onde nascera e fez a carreira possível ao tempo nos Açores
quando as alternativas eram a banda militar ou tentar a sorte em Lisboa.
Viriato Costa preferiu os Açores, dirigiu filarmónicas, tocou em paquetes e
hotéis da empresa Bensaúde, fez amizade com Octávio de Matos pai e outras
figuras do espectáculo que acompanhavam nas suas digressões açorianas e o
aconselhavam a ir para o Continente e conquistar outros públicos. Nunca se
atreveu e, sobretudo como compositor acabou por fazer uma carreira sem
reconhecimento e sem discos de ouro. Deixou muitas obras inéditas mas que
fazem parte do património cultural açoriano e por isso merecem divulgação.
DAMA DE COMPOSTELA
A portuguesa Dina Matos McGreevey (natural de Cantanhede) compensou a perda
do título de primeira-dama do estado de New Jersey e tornou-se dama da Ordem
de Santiago de Compostela em cerimónia realizada há dias na catedral de
Newark. Na família McGreevey, ela é agora a única com um título honorífico,
pois o marido deixou de ser governador no passado dia 15. James McGreevey,
outrora potencial presidenciável do Partido Democrata, resignou na sequência
de um escândalo de homossexualidade. Em 12 de Agosto, surpreendeu o país ao
revelar que tivera uma ligação homossexual com Golan Cipel, israelita que
conhecera numa viagem a Telavive e que, em 2002, contratou para director do
departamento estadual de segurança interna. O escândalo rebentou na
sequência de tentativa de extorsão de Cipel. Nessa altura, tal como a semana
passada no discurso de despedida, McGreevey admitiu a homossexualidade e
precisou que "does not apologize for being a gay American". Enfim,
é lá com
ele, mas para a esposa não deixa de ser desconfortável.
Copyright © 1997/2001 The Portuguese Times
Autorizada a reprodução de artigos publicados nesta página desde que mencionada a origem