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Após muito matutado, O peru foi perdoado!... No Dia de Acção de Graças!... Tantas semanas seguidas A falar-vos de desgraças, Hoje venho de mãos erguidas No Dia de Acção de Graças! Levantando as mãos aos Céus, Com a minha fé imensa E agradecendo a Deus A vida que me dispensa. Pois, cada dia que passa, De manhã ao acordar Agradeço a Deus a graça De ainda por cá andar! Vou pedindo com fervor Pela minha salvação. Pois, como sou pecador, Não sei se terei ou não! Sabemos nós que Jesus, Há dois mil anos passados, Sofreu, morreu numa cruz P¹ra nos remir dos pecados. Mas não vá alguém pensar Que com esta remissão Agora pode pecar E obter o perdão! Não pensem, são devaneios, Quimeras e pensamentos. Há uma lei, cujos os meios Estão nos Dez Mandamentos! Estes sim, sendo cumpridos À risca, sempre legal, Aí somos nós remidos Do pecado original! A Lei, no seu conteúdo É não se pecar a esmo. Amar a Deus sobre tudo, Ao próximo como a si mesmo. E quem num triste momento Pecar, não premeditado, Fé, muito arrependimento, Pode bem ser perdoado. A fé tem força tamanha Que por si pode mudar Uma casa, uma montanha, Do sítio a outro lugar. Quantas vezes o Senhor Diz na Bíblia a quem pecou: < Tu eras um pecador, A tua fé te salvou!... Deus é Pai, Nosso Senhor, E como Pai Ele quer Que se o filho é pecador Tente se arrepender!... PS Afastem-se de Belzebu, Não se deixem ir em chalaças De que a festa é do peru. (A Festa é de Acção de Graças!...) ? ? ? A morte do peru!... Tudo estava planeado, O peru ia morrer Naquele dia seguinte. Após tudo preparado, Nada havia que fazer, Tudo feito com requinte! Na hora de o ir buscar Olhou o peru p¹ra mim E disse: Zé atenção, Tu podes bem me matar Mas se eu nunca fui ruim, Diz-me qual é a razão?!... Não sou eu que aqui na Terra Ando a fazer as maldades Aí por todo este mundo. Nem ando a fazer a guerra, Ou estas atrocidades, Feitas a cada segundo! Não tenho cofre nem nome De me por no pedestal Nem tampouco sou culpado De todo esta grande fome Da doença nem do mal Deste mundo alienado. Não ando sanguessugando Este meio mundo que sofre Sem trabalho e sem comida. Não mato, nem vou roubando Para encher o meu cofre À custa de tanta vida! Eu não sou nenhum governo Que anda p¹raí à conquista Dos bens de alguns países. Fomentando um inferno Às mãos d¹ alguns terroristas E outros pobres infelizes! Não sou eu, cheio de aflição Fingida, com certo cunho, Pressionando os que padecem. Com a mão no coração, A outra, pistola em punho, Gritando: - Vocês merecem!... Não fui, não sou e por sorte, Todos conhecem o meu nome. Eu sempre é que sou julgado. Tem sido a minha morte Que tem saciado a fome A um mundo esfomeado!... Nas festas de nomeada, Eu ando ao desbarato Nas casas de muita a gente. Minha carne cozinhada, É sempre o principal prato O pité do exigente!... Ouvindo o peru, calado, Pensei na conveniência E fiz um tamanho esforço. Fui comprar um congelado, Assim minha consciência, Não acusava o remorso! O Perú, muito contente Olhou-me num glu...glu. Bastante reconhecido. Depois disse; certamente Se o carasco não és tu, Por outro vou ser comido!... Por mim, não lhe dei maus tratos, E lá fui, pelas caladas Comprar outro, certamente. Eu fiz como fez Pilatos Lavei as mãos bem lavadas P¹ra me tornar inocente!... Agora, sentado à mesa, O galináceo canta No seu constante glu, glu... E cá dentro, com certeza, Não vou sentir a garganta Nem o bicar do peru!... Cá por mim, não sou culpado, O peru foi perdoado!... |
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