Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha




Após muito matutado,
O peru foi perdoado!...

No Dia de Acção de Graças!...
Tantas semanas seguidas
A falar-vos de desgraças,
Hoje venho de mãos erguidas
No Dia de Acção de Graças!

Levantando as mãos aos Céus,
Com a minha fé imensa
E agradecendo a Deus
A vida que me dispensa.

Pois, cada dia que passa,
De manhã ao acordar
Agradeço a Deus a graça
De ainda por cá andar!

Vou pedindo com fervor
Pela minha salvação.
Pois, como sou pecador,
Não sei se terei ou não!

Sabemos nós que Jesus,
Há dois mil anos passados,
Sofreu, morreu numa cruz
P¹ra nos remir dos pecados.

Mas não vá alguém pensar
Que com esta remissão
Agora pode pecar
E obter o perdão!

Não pensem, são devaneios,
Quimeras e pensamentos.
Há uma lei, cujos os meios
Estão nos Dez Mandamentos!

Estes sim, sendo cumpridos
À risca, sempre legal,
Aí somos nós remidos
Do pecado original!

A Lei, no seu conteúdo
É não se pecar a esmo.
Amar a Deus sobre tudo,
Ao próximo como a si mesmo.

E quem num triste momento
Pecar, não premeditado,
Fé, muito arrependimento,
Pode bem ser perdoado.

A fé tem força tamanha
Que por si pode mudar
Uma casa, uma montanha,
Do sítio a outro lugar.

Quantas vezes o Senhor
Diz na Bíblia a quem pecou:
< Tu eras um pecador,
A tua fé te salvou!...

Deus é Pai, Nosso Senhor,
E como Pai Ele quer
Que se o filho é pecador
Tente se arrepender!...
PS
Afastem-se de Belzebu,
Não se deixem ir em chalaças
De que a festa é do peru.
(A Festa é de Acção de Graças!...)

? ? ?

A morte do peru!...
Tudo estava planeado,
O peru ia morrer
Naquele dia seguinte.
Após tudo preparado,
Nada havia que fazer,
Tudo feito com requinte!

Na hora de o ir buscar
Olhou o peru p¹ra mim
E disse: Zé atenção,
Tu podes bem me matar
Mas se eu nunca fui ruim,
Diz-me qual é a razão?!...

Não sou eu que aqui na Terra
Ando a fazer as maldades
Aí por todo este mundo.
Nem ando a fazer a guerra,
Ou estas  atrocidades,
Feitas a cada segundo!

Não tenho cofre nem nome
De me por no pedestal
Nem tampouco sou culpado
De todo esta grande fome
Da doença nem do mal
Deste mundo alienado.

Não ando sanguessugando
Este meio mundo que sofre
Sem trabalho e sem comida.
Não mato, nem vou roubando
Para encher o meu cofre
À custa de tanta vida!

Eu não sou nenhum governo
Que anda p¹raí à conquista
Dos bens de alguns países.
Fomentando um inferno
Às mãos d¹ alguns terroristas
E outros pobres infelizes!

Não sou eu, cheio de aflição
Fingida, com certo cunho,
Pressionando os que padecem.
Com a mão no coração,
A outra, pistola em punho,
Gritando: - Vocês merecem!...

Não fui, não sou e por sorte,
Todos conhecem o meu nome.
Eu sempre é que sou julgado.
Tem sido a minha morte
Que tem saciado a fome
A um mundo esfomeado!...

Nas festas de nomeada,
Eu ando ao desbarato
Nas casas de muita a gente.
Minha carne cozinhada,
É sempre o principal prato
O pité do exigente!...

Ouvindo o peru, calado,
Pensei  na conveniência
E fiz um tamanho esforço.
Fui comprar um congelado,
Assim minha consciência,
Não acusava o remorso!

O Perú, muito contente
Olhou-me num glu...glu.
Bastante reconhecido.
Depois disse; certamente
Se o carasco não és tu,
Por outro vou ser comido!...

Por mim, não lhe dei maus tratos,
E lá fui, pelas caladas
Comprar outro, certamente.
Eu fiz como fez Pilatos
Lavei as mãos bem lavadas
P¹ra me tornar inocente!...

Agora, sentado à mesa,
O galináceo canta
No seu constante glu, glu...
E cá dentro, com certeza,
Não vou sentir a garganta
Nem o bicar do peru!...

Cá por mim, não sou culpado,
O peru foi perdoado!...





      
      


Voltar à primeira página desta edição

 Voltar à Primeira Página


Copyright © 1997/2001 The Portuguese Times
Autorizada a reprodução de artigos publicados nesta página desde que mencionada a origem