|
Um caso Bicudo
Afinal, que razões terão levado à demissão de José Rodrigues dos Santos
da
direcção de informação da RTP e que tanta polémica provocou em Portugal?
Um jornal de Lisboa disse tratar-se de uma espécie de "cadavre esquis",
com
várias pistas para despistar.
A televisão pública portuguesa abriu concurso interno para escolha de cinco
correspondentes internacionais e o director de informação, José Rodrigues
dos Santos portanto, foi também responsável pelo júri de selecção.
No tocante à capital espanhola tratava-se de escolher o substituto de
Cesário Borga (ou será Borba?) e concorreram Isabel Silva Costa, que já
tinha sido correspondente em Berlim, Pedro Bicudo, actual correspondente em
Washington, Paulo Dentinho, da redacção do Algarve, se não estou em erro,
Duarte Valente, da redacção do Porto e Rosa Veloso.
Nos meios jornalísticos luso-americanos já constava há algum tempo, mesmo
antes da realização do concurso, que Bicudo poderia ir para Madrid, mas só
ele saberá as razões que o levavam a deixar a mais importante representação
da RTP no estrangeiro.
Os critérios do concurso não são conhecidos, mas a classificação foi a
seguinte: Isabel Silva Costa, Duarte Valente, Paulo Dentinho, Rosa Veloso e
Pedro Bicudo.
O quinto lugar não deixa de ser um embaraço para o concorrente e para a
própria RTP, visto "não ser compreensível que o correspondente mais
importante do aparacesse como preterido para um posto francamente inferiro
ao que ocupa", referiu o Expresso.
Acrescente-se que Bicudo foi o jornalista que teve melhor nota no critério
"qualidades", mas a avaliação nos restantes itens foi inferior e
relegou-o
para o quinto lugar.
Se Isabel Silva Costa foi primeira faria sentido a sua nomeação, mas
conforme escreveu o Jornal de Notícias, a escolha recairia na quarta
classificada para evitar um "grande sarilho" com o quinto.
A dada altura, a administração decidiu interferir no concurso de selecção
do
novo correspondente em Madrid, Rodrigues Santos sentiu-se desautorizado e
pediu a demissão das funções de director de informação.
Depois da demissão de Marcelo Rebelo de Sousa na TVI e da direcção do Diário
de Notícias por alegadas ingerências governamentais, o Parlamento e a a Alta
Autoridade para a Comunicação Social convocaram o director demissionário e
o
presidente da empresa, Almerindo Marques, para quem "aceitar a demissão
ordinal nos concursos internos iria dividir a empresa, levando à demissão de
um quadro superior da RTP a exercer funções algures".
O tal "grande sarilho" seria Bicudo que, supostamente, teria ameaçado
demitir-se se o lugar fosse preenchido por Duarte Valente, o segundo da
lista.
Claro que se Bicudo se demitisse, Rodrigues dos Santos ou até mesmo
Almerindo Marques, a RTP não parava. Todos eles sabem isso e, embora tenha
deixado a direcção de comunicação, Rodrigues dos Santos mantém-se como
pivô
do Telejornal.
Envolvido na polémica, Bicudo negou quaisquer ligações ao episódio e
adoptou
um prudente silêncio. No fundo deve sentir-se apanhado na esparrela.
Washington é o mais importante e mais bem pago de todos os postos
internacionais da RTP, com alcavadas como subsídio de habitação e
transportes.
Não falta na RTP gente interessada em vir para Washington e não duvido que
Bicudo tenha sido pressionado para concorrer ao lugar de Madrid.
Nunca vi referência a isso na imprensa de Lisboa, mas nos EUA já constava há
algum tempo que, se Bicudo fosse para Madrid, Rodrigues dos Santos viria
para Washington...
Deixar de fumar
Imagine o prezado leitor que, inesperadamente, o seu médico lhe dá a notícia
brutal de que tem apenas oito meses de vida.
Pode acontecer a qualquer e aconteceu a um amigo meu. Tem 58 anos, sempre
gozou de saúde, mas de repente dizem-lhe que está em riscos de fazer parte
da lista dos quatro milhões de fumadores que morrem todos os anos em todo o
mundo.
Salvo suicidas, ninguém quer morrer e o meu amigo está a fazer tudo para
vencer a doença. Para já deixou de fumar, infelizmente pelo método mais
radical, o cancro no pulmão.
Milhares de indivíduos que dizem não conseguirem deixar de fumar, abandonam
o cigarro quando o médico lhes dá a má notícia, mas muitas vezes já é
tarde.
Todo o fumador quer deixar de fumar, o que deu origem a uma nova indústria
nos EUA, a indústria do parar de fumar, tão lucrativa como a própria
indústria tabaqueira e menos sujeita ao pagamento de indemnizações.
Todos os dias surgem no mercado novos xaropes, pastilhas e adesivos com
nicotina para ajudar ex-fumadores. E não faltam médicos, psicólogos e
curandeiros prometendo tratamentos eficazes para deixar o cigarro sem
sofrimento mas o meu método é mais eficaz, mais barato e mais simples.
Durante 40 anos fumei três maços por dia, trabalhando em redacções era
inevitável fumar, ajudava a concentrar. Um dia, a contar com uma gripe,
deixei de fumar e foi mais simples do que eu próprio imaginava.
Não tive crises de mau humor, não fui acometido de suores frios ou de
insónias e nem sequer foi necessária grande força de vontade.
Durante uns tempos ainda andei com cigarros e isqueiro no bolso, não podia
passar sem eles mesmo não fumando. Mas a confiança aumentava à medida que a
tosse diminuia e assim deixei de fumar lá já vão treze anos.
A única necessidade que continuo a sentir é de pôr algo na boca enquanto
escrevo. Durante uns tempos masquei pastilhas elásticas, mas corria o risco
de ficar desdentado e deixei as guloseimas.
Agora trinco palitos. Exactamente, pauzinhos para limpar os dentes. Gasto
uma caixa por semana, que me custa 70 cêntimos. Por sinal, tanto como
custava um maço de cigarros quando cheguei à América, há 30 anos.
======================
Reticências...
As mentes humanas são como os pára-quedas, só funcionam se estiverem
abertas... As mentes também são como vagões: quando estão a carregar são
mais
barulhentos do que depois de cheios... A mente é como o estômago: não é o
que
pômos lá dentro que conta, mas como digerimos... Algumas pessoas enganam-se,
pensam que uma mente fértil requer muito estrume... Como as janelas abertas,
as mentes abertas devem ter rede para evitar a entrada das moscas...
Ferreira Moreno
====================
Tom Hanks filma "O Código Da Vinci"
O anúncio, há duas semanas, de que o actor Tom Hanks vai desempenhar o
principal papel do filme "O Código Da Vinci", veio alegrar milhões
de
pessoas que já compraram o livro de Dan Brown e em particular os
luso-americanos, uma vez que Hanks é luso-descendente pelo lado materno.
O filme será dirigido por Ron Howard, que já trabalhou com Hanks em "Splash"
e "Apollo13".
Hanks interpreta Robert Langdon, o professor da Universidade de Harvard que
investiga a fascinante intriga que já levou 17 milhões de pessoas a
comprarem o livro que interessa particularmente aos que se interessam pela
história do Cristianismo.
O livro nada tem de doutrinário, na verdade é um romance policial que
descreve a investigação de segredos como o facto de Jesus Cristo ter sido
casado com Maria Madalena e terem tido filhos.
Um dos principais vilões é Silas, o monge albino e assassínio da Opus Dei,
que é descrita como uma seita rica, poderosa e violenta.
Na verdade, a Opus Dei não é uma seita e nem tem monges. E nem rituais
secretos, que se saiba.
Parte da acção decorre em Paris, na igreja de Saint Sulpice, que esconde um
dos principais segredos do código Da Vinci e onde Silas assassina
brutalmente uma freira.
A igreja de Saint Sulpice existe na realidade, mas não possui o templo
romano de que fala o autor. E nem o obelisco existente no local esconde uma
caverna secreta.
Mas têm sido tantos os turistas a visitar a igreja que a administração teve
de espalhar cartazes dizendo que os acontecimentos do livro são pura ficção.
O grande mistério de "O Código Da Vinci" é o próprio sucesso do
livro,
apesar de nos revelar Cristo sem origens divinas.MALASSADAS
No livro "The US: A Culinary Discovery", o estado do Hawaii está
representado pelas malassadas, que os açorianos introduziram no arquipélago
e são conhecidas localmente como "Portuguese donuts". No Hawaii as
malassadas são consumidas na altura da Páscoa, nos Açores é sobretudo no
Carnaval e em Portugal continental pelo Natal. Mas em New Bedford e Fall
River, as padarias têm malassadas ao domingo e são uma tradição do
pequeno-almoço.
MICROSOFT
A sede da Microsoft em Portugal está instalada na Rua Professor Cavaco
Silva, no Tagus Park, em Lisboa, o que, segundo o Expresso, tem levantado
problemas para a empresa de Bill Gates - alguma correspondência oriunda do
estrangeiro omite a palavra rua no endereço e fica depositada nos Correios,
à ordem do antigo primeiro-ministro português.
PINTO BASTO
O grupo português Pinto Basto, agente de navegação e de representações,
está
a instalar-se em Angola, Moçambique e Macau e, quando estas operações
estiverem em andamento, planeia começar a operar também nos EUA e já não
era
sem tempo. A firma Pinto Basto, com sede no Cais do Sodré, em Lisboa, é mais
antiga que os EUA, existe há 233 anos.
HOLLYWOOD
Em entrevista à RTP, o madeirense Virgilio Teixeira, protagonista de 92
filmes (46 espanhóis, 20 portugueses, nove ingleses, nove italianos e 18
americanos), considera que, ainda assim, passou ao lado de uma carreira de
actor e confessou que há anos, na primeira visita a Hollywood, se sentiu
como o modesto pároco de uma pequena aldeia de visita a Roma para ver o
Papa.
GRAMMY
A maestrina portuguesa Joana Carneiro, directora da Orquestra Filarmónica de
Los Angeles, foi convidada para dirigir a orquestra da cerimónia de
atribuição dos Grammy 2005, que se realiza em Fevereiro naquela cidade. Com
27 anos, Joana Carneiro é filha do antigo ministro da Educação Roberto
Carneiro.
TABLEWARE
A 4US é uma marca portuguesa de "tableware" criada por Miguel
Ramada Leite e
Paula Alegria, dois jovens "designers" do Porto que já exportam as
peças
para a Espanha, França, Bélgica e Alemanha e pretendem entrar tamém nos
EUA.
A colecção 4US são 160 peças que vão de manteigueiras individuais a uma
boleira que pode servir também de queijeira e que vão ser apresentadas no
inicio do próximo ano no Gourmet Show de New York. Depois da louça das
Caldas, os plásticos portugueses estão a chegar aos EUA.
Copyright © 1997/2001 The Portuguese Times
Autorizada a reprodução de artigos publicados nesta página desde que mencionada a origem