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Natal em New York
Dei uma saltada a New York. Gosto da cidade no Natal e outros 27 milhões de
turistas pensam o mesmo. O pior é que, desta vez, parece que resolvemos ir
todos no mesmo dia e o trânsito era um inferno.
Li um dia que a altura ideal para visitar Washington é no Outono, quando as
folhas e a temperatura começam a cair e New York no Natal, quando as ruas e
as lojas se tornam espectaculares. Concordo quanto a New York, mas quanto a
Washington a melhor altura para uma visita é Julho, os políticos estão
todos
de férias.
O ano passado, o Natal novaiorquino ainda foi marcado pelas tristes
lembranças dos atentados de 11 de Setembro de 2001, mas no Ground Zero, onde
se erguiam as torres gémeas, foi construído um memorial com os nomes das
vítimas dos ataques e o local tornou-se turístico.
A estação do Path, o metro que liga a ilha de Manhattan a New Jersey, que
ficou soterrada pelos escombros das torres, já reabriu. Quase todos os
portugueses de Newark que trabalham na Big Apple ou Gran Manzana, como dizem
os hispânicos, utilizam o Path, sigla de Porth Autorithy.
Na estação havia um quiosque Ticketmaster (TKTS para os locais), onde se
conseguem bilhetes para os shows da Broadway por metade do preço e que
também já reabriu no Seaport, zona de restaurantes e discotecas no antigo
porto de New York, uma espécie das Docas lisboetas, mas com vista para a
Estátua da Liberdade em vez do Cristo Rei.
Ainda se vêem militares nas estações do metro e barreiras de cimento à
entrada do Empire State Building e outros edifícios importantes, mas os
novaiorquinos preocupam-se cada vez menos com as ameaças terroristas que
ainda por cima mudam de cor conforme as conveniências políticas do governo.
Os EUA vivem uma época de medos semelhante à guerra fria, quando milhares de
americanos construiram caves para se abrigarem em caso de ataque atómico dos
russos e nunca lhes passou pela cabeça que, se os russos quisessem atacar,
bastava uma caixa de fósforos para destruirem todas estas casas de madeira.
Agora também não passa pela cabeça de muitos americanos, a começar por
George W. Bush, que os iraquianos talvez não estejam interessados numa
democracia imposta a tiro.
Não faltam árabes em New York, aliás também não faltam indianos (controlam
os quiosques de jornais e cigarros), chineses, coreanos e latino-americanos.
Música caribenha na rádio, programas árabes na TV e comida mexicana em fast
food é a consagração do melting pot.
A febre natalícia começou dia 28 de Novembro, Thanksgiving Day, com a
tradicional parada da loja Macy¹s e a inauguração das ornamentações e
iluminações das ruas e do pinheiro do Rockefeller Center, capital não
oficial do Natal nos EUA.
No Natal de 1931, os operários que construiam o Rockefeller Center colocaram
um pinheiro no ringue de patinagem, a ideia pegou e a árvore passou a ser
iluminada em 1933, quando foram inaugurados os edifícios.
Este ano, é um pinheiro com 71 pés de altura, nove toneladas de peso,
decorado com 30 mil lâmpadas e que permanecera no local até 6 de Janeiro.
O Rockefeller Center é um dos rituais dezembrinos em New York. É um centro
comercial de lojas careiras, o ringue cercado de bandeiras e um restaurante
onde se pode tomar um chocolate quente e rir dos tombos dos patinadores
inexperientes.
Durante a época de Natal e fim de ano, chegam a New York visitantes de todos
os pontos dos EUA e do mundo, mas este anos constata-se um aumento de
europeus, tirando partido da valorização do euro.
New York no Natal é uma mistura de passeio cultural e roteiro de compras,
ainda que lojas como o Macy's tenham filiais em quase todos os pontos do
país.
Não faltam espectáculos de todo o tipo e os mais tradicionais da quadra são
as Rockettes do Radio City Music Hall e o bailado Quebranozes pelo American
Ballet, que este ano cumpre 50 anos de apresentações ainda com a coreografia
original criada por George Ballantines em 1954 e o pinheiro de Natal que
cresce 28 pés num minuto e continua a surpreender miúdos e graúdos.
"O Messias" é outra tradição natalícia novaiorquina e estão
anunciados mais
de 20 concertos em diferentes locais, o mais conhecido dos quais na igreja
de Trinity, onde a obra de Haendel foi interpretada pela primeira nos EUA,
em 1770.
Há quem vá ao Chinatown à procura de pechinchas como malas Gucci por 20
dólares, mas são como as Lacoste dos ciganos lá em Portugal.
Não sei se já repararam, mas nenhum chinês faz compras no Chinatown.
Melhor é deixar as compras para o dia 26 de Dezembro, quando as lojas entram
em saldos de liquidação, mas ainda assim cautela. Os saldos novaiorquinos
são suspeitos, em particular saldos de encerramento, há loujas que estão
para fechar há mais de 30 anos.
Mesmo sem comprar, é agradável admirar as montras espectaculares, como a do
Bloomingdale, tendo este ano como tema "O Fantasma da Ópera", célebre
musical que continua em cena na Broadway.
Outros dos meus prazeres, e que mata saudades de Lisboa, é passear pela
cidade e comer castanhas assadas e aquecer depois com um café expresso, mas
desta vez não avistei fumo de nenhum fogareiro, não sei se foram banidos por
razões de segurança.
Quanto ao expresso, há 30 anos, só se encontrava num ou outro clube mafioso
e no Café Reggio, na MacDougal Street, que passa por ter introduzido o
expresso na cidade em 1927.
Hoje, abundam coffee-shops como a Veniero, na East 11th Street, para não
falar das lojas fast-coffee como Starbucks, 60 lojas em toda a ilha.
O Reggio é um cantinho barroco italiano no Greenwich Village e, mais
propriamente, na chamada Little Italy, o bairro dos italianos e que já foi
também dos portugueses.
Ainda conheci na Varick Street, Portuguese American Progressive Club,
fundado em 1937 com 400 sócios. Por sinal, assisti à festa de Natal de 1973.
Nessa altura, os sócios já eram pouco mais de uma centena, as fábricas do
Soho e do Bronx tinham começado a fechar e os portugueses estavam a trocar
Manhattan por Queens, Mineola, Newark e outros subúrbios onde as rendas eram
mais baratas.
Em 1988, o PAPC foi obrigado a mudar as instalações para a Grand Street, mas
acabaria por desaparecer e dificilmente voltará a surgir outro clube
português em New York.
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Bush e Barroso foram eleitos figuras do ano
A revista Times deu pela segunda vez ao presidente George W. Bush o título
de "personalidade do ano".
A revista deu crédito a Bush por se ter mantido fiel à sua estratégia
política, garantindo a reeleição.
Bush foi distinguido pela Times a primeira vez em 2000, após a sua primeira
vitória na polémica eleição em que venceu o candidato democrata Al Gore.
A Times começou a escolher a personalidade do ano 1927, quando o
aviador
Charles Lindbergh recebeu o título.
Na lista de agraciados há nomes como Adolf Hitler (1938), Martin Luther King
(1963) e Bill Clinton e Kenneth Star (1988).
O ano passado, o título de personalidade do ano foi atribuido à figura do
soldado americano, que, na descrição da Time, "enfrenta o dever de
viver e
morrer pelo seu país".
O editor da revista, Jim Kelly, disse que os simpatizantes de Bush ficarão
satisfeitos com a escolha e "até mesmo aqueles que não votaram nele,
reconhecem que Bush é um dos presidentes americanos mais influentes dos
últimos 50 anos".
Apesar de ter ganho as eleições de Novembro, o nível de aprovação do
presidente Bush está em 49%, que significa que 51% dos eleitores não o
aprovam.
Durão Barroso, antigo primeiro-ministro português e actual presidentre da
Comissão Europeia, também foi considerado a personalidade do ano em Portugal
pela Associação de Jornalistas Estrangeiros, que reúne meia centena de
jornalistas estrangeiros acreditados em Portugal.
O ano passado, a associação escolheu a fadista Mariza, mas este ano Durão
Barroso está realmente em foco com nomeação para a presidência da Comissão
Europeia. Ainda o próprio Durão Barroso diz que se tivesse direito a voto,
escolheria o treinador José Mourinho como o português com maior projecção
internacional da actualidade.
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Boas Festas electrónicas podem espalhar vírus
Os postais de boas festas estão a desaparecer, tal como passaram os discos
de 33rpm, os cafés e muitas outras coisas que há meia dúzia de anos eram
consideradas imprescindíveis e, entretanto, deixaram de fazer parte dos
nossos hábitos.
Agora, as boas festas desejam-se pela Internet e o negócio da Hallmark Cards
está ameaçado.
Os postais de boas festas tradicionais podem ter a sua graça mas os postais
virtuais são tão eficazes que se torna dfícil não aderir à inovação.
É só entrar no Google, digitar "cartões de Natal" e temos à
disposição umas
40 páginas de cartões virtuais com variadíssimas sugestõesm com música e
ainda a vantagem de serem grátis.
Não é preciso ir ao correio e gastar dinheiro em selos, basta escrever
"Feliz Natal e Próspero Ano Novo" debaixo da cena escolhida e
mandar para
e-mail dos nossos amigos ou dos nossos inimigos.
Com efeito os cartões de boas festas electrónicas tornaram-se tão populares
que alguém aproveitou para espalhar por diversos países um vírus que destrói
o antivírus dos computadores.
Em vários países, o assunto do e-mail (Feliz Natal) é traduzido
automaticamente para a língua do destinatário da mensagem.
Na mensagem, as palavras "boas festas" também são traduzidas, o
que faz com
que o e-mail tenha uma abrangência internacional, de acordo com empresas de
segurança antivírus.
Portanto, não abra boas-festas electrónicas que lhe parecerem suspeitas.
Quando a pessoa abre a mensagem, o que aparece são as imagens de duas caras
sorridentes e que lançam um vírus no computador.
Os principais países atingidos são, na Europa, a Itália, Espanha, Portugal,
Bulgária e Húngria e todos os países hispânicos da América Latina.
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PRESÉPIO
José Franco é um dos mais conhecidos artesãos portugueses. A sua ³aldeia
de
figuras em barro atrai milhares de turistas e colocou no mapa o Sobreiro,
lugarejo nos arredores de Mafra. A sua especialidade são presépios e Santos
Antónios, mas um dos seus últimos trabalhos foi uma Nossa Senhora de Fátima
encomendada por uma cliente dos EUA e destinada a rezar pela paz no Iraque.
Durante tantos anos preocupada com a reconversão da Rússia, Nossa Senhora de
Fátima ainda não se pronunciou sobre a guerra no Iraque.
INJUSTIÇA
A humanidade procura ter espírito de justiça na quadra natalícia, mas ainda
não tentou corrigir uma das maiores injustiças do Natal: o perú é que
morre
e a missa é do galo.
PAI NATAL
O Pai Natal é como o Benfica, veste de encarnado e é grande e por isso não
consegue entrar em certas portas como a Liga dos Campeões.
REIS MAGOS
Sem em vez de três Reis Magos, tivessem sido três Rainhas Magas, teriam
notado logo que o menino não se parecia nada com o José.
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Reticências...
A nossa ideia de pessoa agradável é, a maioria das vezes, a de alguém que
concorda connosco... Dê graças a Deus por ter que lavar pratos. Significa
ter
tido que comer... Faça o seu melhor e Jesus fará o resto... Pensa não ter
razões
para dar graças a Deus? Bem, pelo menos o seu coração continua a bater...
Aspire e inspire, antes de expirar... A fé não anda por aí de mãos nos
bolsos...
Servir a Deus é como aprender golfe: mantenha os joelhos curvos e os braços
estendidos... Algumas pessoas têm o nome nos jornais apenas três vezes:
quando
nascem e são demasiado jovens para ler, quando estão demasiado ocupadas para
ler e quando morrem e já é tarde para lerem...
Ferreira Moreno
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BOLAS
O meu avô Pedro, beirão rijo que chegou quase aos 100 anos, considerava que
"na árvore de Natal e nos homens de 80 anos (e às vezes nem isso), as
bolas
são só para decorar".
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