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Augúrios para 2005
Desde já, votos de bom 2005, embora o novo ano seja tão ruim e tão bom como
todos os outros anos, passados e futuros.
Não faço da passagem de ano uma explosão obrigatória de alegria, embora
também brinde à meia-noite com o champanhe da ordem e coma 12 passas na
esperança de que tragam sorte.
Também já apurei que a soma de 2005 é 7, o que, segundo os estudiosos da
numerologia, indica que haverá um maior senso de responsabilidade.
Mas não sinto obrigação de acender velas de esperança apenas porque se
muda
de calendário, o sistema criado pelo homem para medir o tempo em função dos
dias, dos meses ou dos anos e dos movimentos astronómicos.
O calendário que usamos foi desenvolvido em 1582 a mando do Papa Gregório
XIII e por isso mesmo chama-se gregoriano.
Mas não é o único calendário. Outros povos seguem os seus calendários e
também tomam uns copos e boas resoluções na passagem de ano.
Os judeus têm o seu calendário, que já vai no ano 5765 e cujo ano começa a
21 de Setembro.
Os chineses seguem calendário ainda mais antigo e cujo começo varia de
acordo com a lua.
Portanto, se quiser tomar decisões como deixar de fumar ou simplesmente
desejar um feliz ano novo ao vizinho não precisa esperar pela meia-noite do
dia 31 de Dezembro, pode fazê-lo em 21 de Maio ou 25 de Abril.
Serve qualquer data e talvez seja melhor que Dezembro. O pior do calendário
gregoriano é começar o ano em pleno Inverno, com chuva, neve e dias curtos.
Se começasse no Verão seria mais agradável.
De qualquer forma, 2005 nasceu de luto: no último domingo de 2004, uma das
maiores tragédias de sempre, o tsunami, ondas gigantes que devastaram 11
países e provocaram 150 mil mortes.
Tsunami é uma palavra japonesa que significa "onda da baía" e
descreve um
fenómeno de grandes ondas provocadas por terremotos ou erupções vulcânicas
submarinas.
Perante a morte de 150 mil pessoas a vida fica sem sentido e sentimo-nos
barco à deriva num mar de dúvida e aflição.
O mais preocupante é que a tragédia poderia ter sido evitada.
Desde 1996 que a Agência Meteorológica da Indónesia tem um sismógrafo na
ilha de Java para alertar sobre os devastadores tsunamis no Oceano Índico,
mas os dados não foram recebidos pelo governo central, em Jacarta, pelo
facto da linha telefónica estar desligada desde 2000.
Há outros sismógrafos na Indonésia (uns 60), que alertaram sobre o sismo,
mas se o sismógrafo de Java tivesse emitido o alerta de tsunami poderiam ter
sido salvas milhares de pessoas, uma vez que as ondas levaram duas horas a
cobrir a distância de 1.500 quilómetros desde o epicentro do sismo até à
ilha de Sumatra, a primeira a ser atingida.
É incrível, mas aconteceu no começo de um ano em que, segundo as previsões,
o número de utilizadores da internet ultrapassará 1.000 milhões e um terço
da população mundial - 2.000 milhões de pessoas - possuirá telefone
celular.
Tanta comunicação, tanta tecnologia, mas nada funcionará se uma simples
linha telefónica estiver desligada.
O início do ano é sempre um momento de perspectivar os 12 meses que se
seguem e criar alguma esperança, mas metade dos trabalhadores deste planeta
- 1.400 milhões de pessoas - continuarão a viver, com menos de dois dólares
por dia.
A pobreza varia de terra para terra e, enquanto os pobres africanos morrem
de fome, os pobres norte-americanos morrem de gordura.
Os pobres americanos são gordos e estão a matar-se com pizzas, coca-colas,
hambúrgueres e batatas fritas.
A obesidade tornou-se o segundo assassino dos EUA e, em 2005, matará mais
americanos do que o tabaco ou as armas, perdendo apenas para os carros, que
são o assassino número um.
Apesar da ameaça do bin Laden, o maior inimigo do povo americano é o carro,
que mata 117 pessoas por dia nos EUA, 46 mil por ano.
Os americanos nunca tiveram tantos carros, 230 milhões para 193 milhões de
motoristas e também nunca morreram tanto nas estradas.
Cada automobilista americano percorre 12 milhas para o trabalho e, num ano,
a média de 21.200 milhas, quase oito vezes a distância entre New York e Los
Angeles.
Daí as reclamações quanto ao preço da gasolina, mas se os americanos
tivessem que pagar quatro dólares o galão, como pagam os portugueses, já
teria havido uma revolução.
Na sua infinita sabedoria, Deus ou Alá, não está esclarecido, tomou a
decisão de dar os carros aos americanos e o petróleo aos árabes e por isso
temos os EUA metidos numa guerra absurda, que sabemos como começou, mas não
sabemos como acabará.
Por isso faço minhas as palavras de Alfredo Barroso no Expresso: em 2005,
"a
maior alegia que me podiam dar era garantirem-me que não vai durar muito
tempo o "sono da razão" em que Bush filho mergulhou a América".
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Carlos Alberto da Costa um português no FBI
Carlos Alberto Costa, o ex-chefe do FBI no Brasil, demitido alegadamente por
se ter recusado a cumprir ordens para vigiar a comunidade muçulmana no
Brasil por alturas da invasão do Iraque, em 2003, segundo revelou em
entrevistas à revista Carta Capital, de São Paulo e ao jornal Expresso, de
Lisboa, é português e viveu nos EUA.
Carlos Alberto da Costa é o nome completo do ex-agente que nasceu em Lisboa
a 23 de Junho de 1954, filho único de António da Fonseca Costa, nascido a 30
de Abril de 1916, também em Lisboa e de Faustina Antónia Mendez Lafuenga,
espanhola nascida em La Bandera, província de Leão e cuja família se fixou
em Portugal por altura da guerra civil de Espanha.
Casaram em 1953, Faustina morreu em 1961, em Madrid, onde está sepultada.
Contava 47 anos e foi vítima de leucemia, segundo o filho, que contava então
sete anos.
Carlos não faz por menos: diz que o avô materno, Filipe Mendez, foi alcaide
de Madrid durante a guerra civil mas a autarquia madrilena diz que nunca
teve nenhum alcaide com aquele nome.
António Costa não voltou a casar. Durante uns tempos viveu com o filho numa
moradia em Almada, onde Carlos fez a instrução primária e frequentou o
liceu
até ao segundo ano. Segundo Carlos, viviam desafogadamente, com motoristas e
empregadas domésticas.
À revista Carta Capital, Carlos Alberto Costa disse que o pai tinha sido
"um
alto escalão da Pide" e recebia Salazar em casa "para almoços e
jantares". O
Expresso apurou que o nome de António da Fonseca Costa não consta dos
arquivos da extinta polícia.
Carlos disse que o pai era engenheiro, mas o nome de António também não
consta da Ordem dos Advogados. Na realidade era electricista e segundo a
irmã, Maria Luísa Costa Almeida, hoje com 83 anos e que viveu nos EUA, teve
um escritório de compra e venda de terrenos, mas faliu: "Disse-me que
foi um
sócio que o roubou. Passou a viver com muita dificuldade e estava sempre a
pedir-me dinheiro emprestado. Eu enviava-lhe as notas por carta, sem o meu
marido saber. Fui eu quem o chamou para os EUA".
"O meu irmão nunca me disse que pertencia à Pide", lembra Maria
Almeida. "Só
me disse que pertencia a uma associação, que lhe pagava alguma coisa".
Segundo o filho, António tornou-se "dissidente" e uma noite, em
fins de
Março de 1968, agarrou nas malas e deixaram Portugal num avião militar que
levantou da base militar de Figo Maduro, rumo a Madrid, onde apanharam um
avião da Panam para os EUA e que aterrou em Washington.
Carlos Costa disse ainda que na viagem foram acompanhados por dois
americanos que falavam espanhol e que seriam agentes da CIA. Ficaram dois ou
três dias nas instalações da CIA, na Virginia e, dia 1 de Abril voaram para
Boston, onde os esperava Maria Luisa.
Carlos Costa contava 13 anos. Nos primeiros meses viveram em casa da tia, em
Cumberland, mas as relações não eram as melhores e mudaram para um
apartamento na Broad Street.
Como tantos outros portugueses, António arranjou emprego na American
Insulated Wire, mas adoeceu de cancro no pulmão e faleceu em Setembro de
1973. Está sepultado no cemitério de Cumberland e o filho diz que se
empenhou para pagar o funeral (cinco mil dólares).
Sozinho e de relações cortadas com a tia, Carlos Costa estudou e trabalhou
em fábricas de jóias e de têxteis e ainda no Centro de Assistência ao
Imigrante que surgiu em Pawtucket e, em 1976, formou-se em Ciências
Políticas e Relações Internas na Universidade de Rhode Island.
Entre 1979 e 1982 foi director de recursos humanos da American Tourister,
fábrica de malas em Warren. Nesta altura matriculou-se nos cursos nocturnos
do Bryant College, na especialidade de negócios internacionais, mas só
concluiu o curso quatro anos depois e já a viver na Florida, na Southeast
University.
Ainda na universidade, candidatou-se à CIA e ao FBI, não foi admitido na
primeira, mas a segunda abriu-lhe as portas em 1982, começando por ser
colocado em Boston e depois em Pittsburgh.
Pensa ser o único agente do FBI nascido em Portugal, mas visitou o país de
origem em serviço apenas uma vez, em 1992, com o então director William
Sessions.
Em 1998, Carlos Costa foi transferido paraWashington e promovido a chefe do
sector internacional de contra-espionagem industrial, mas entretanto o FBI
decidiu abrir um escritório no Brasil e o português foi escolhido, tendo
chegado a Brasília em Setembro de 1999.
Ficou adido à embaixada dos EUA, mas as pressões depois do 11 de Setembro
ter-lhe-ão desagradado, não cumpriu ordens, foi chamado a Washington e, em
Outubro de 2003, deixou o FBI.
O ex-agente projecta publicar um livro sobre os seus 22 anos no FBI e já tem
título provisório: "FBI: o Mito e a Realidade". Não exclui a hipótese
de
regressar aos EUA ou até a Portugal, mas para já permanece em Brasília e
constituiu uma empresa a que chamou Costas Consultores Internacionais,
especializada em segurança e investigação.
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