Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha




Depois das guerras e tudo que
a humanidade apronta, vamos chamar desgraça a este maremoto!...

Tanta morte, tanta guerra,
Neste globo se passa,
E ninguém sobre esta Terra
Chamam a isto desgraça!

A tudo acham normal,
Seja qual for a vileza!
Um tremor, ou  vendaval,
É desgraça, com certeza!...

Este globo em que habita
A nossa humanidade
De vez em quando se agita
Semeia a calamidade.

Sacode de polo a polo
Com sua força interior
Nascida no subsolo
Dum poder destruidor.

Treme a terra no Japão,
Abissínia, China e Prússia,
Nos Açores, no Industão,
América, Itália e Rússia.

Mais forte na Ásia agora
Toda a zona, que por sorte
Num chacinar por aí fora
Desta vez muito mais forte.

Na idade que em mim passa,
Que já vai bem avançada,
Eu nunca vi tal desgraça,
Tanta morte, amontoada.

Cidades desmoronadas,
Com cadáveres decepados,
Criancinhas entulhadas,
Mulheres, homens enterrados.

Olhei e bradei aos Céus,
Pensei, vendo tal desgraça:
- O que nos quer dizer Deus
Com tudo quanto se passa?!...

Será que quer perguntar
Aos ditos senhores da Terra
O porquê tanto lutar,
Tanto crime e tanta guerra!

Abrir-lhes a consciência
E mostrar-lhes com certeza
Toda a sua impotência
Perante a Natureza!

Dizer que dêem as mãos,
Amigos, sem arrogâncias.
Viverem como irmãos
Sem ódios e sem ganâncias.

E qu¹o rico que mergulha
Nos seus milhões a nadar,
Abra o fundo d¹agulha
Para o camelo passar!

Que se vejam no espelho
Que a Natureza mostrou.
Não há novo, não há velho,
Tudo na água se foi!

Entre mortos aos montões,
Perante o que lá se passa,
Há miseráveis ladrões
A saquear a desgraça!

Nos escombros e abandonos
De casas a desmoronar
E na ausência dos donos,
Vão tentando as sequear!

São pessoas afinal
Sem Deus, vivendo á vontade,
Uns vermes sem ter moral,
Escarros da sociedade!

Senhor, o que a muito custo
Aceito, com muita dor,
Foi ter que ver tanto justo
Pagar pelo pecador!

Vi e fiquei contrafeito,
Tantas criancinhas mortas.
Será que escreveu direito
Deus, usando as  linhas tortas!?...

Deus perdoe o meu espanto,
Mas ao ver tanta desgraça
Isto cá dentro dói tanto,
Sem eu ter bem que o faça.

Agora quais as esperanças
Estas criancinhas têm?
São milhares destas crianças
Que não têm pai nem mãe!

Algumas, sendo roubadas,
Por uns tarados sem nexo,
Para serem adoptadas,
Ou mesmo escravas do sexo!

Usam-as p¹ra coisas mais,
Que repugna-me dizer,
Que só os irracionais
São capazes de o fazer!

A catástrofe ninguém muda,
Nada poderão fazer
Para além de alguma ajuda,
Conforme a gente puder.

Até os açorianos,
Quer radicados ou não,
Sentem profundo estes danos,
Sofrem da mesma razão.

Porque casos como aquele,
Está para a nossa gente
Embutido em sua pele,
Presente na sua mente!

Claro qu¹em menor grau,
Pois sabemos, com lamento
Que, quanto maior a nau
Maior será o tormento!

PS
Nada que se faça muda
A desgraça, no entanto
É bom dar alguma ajuda
P¹ra que enxugue algum pranto.

Mas há que nos prevenir,
Ter um pouco na gaveta.
Breve podemos pedir,
Porque a coisa anda preta!

Todos vão nos avisando
Como economizar,
Em seguida aumentando
Nas contas para pagar!

Quem não tem, não lhe faz mal,
Do modo que verifico
Quem tem...vai ficar igual!...
Só vai haver pobre e rico!...

E a classe média muda
P¹ra pobre, pedindo ajuda!...





      
      


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