O Benfica fez finalmente um jogo de encher o olho e conseguiu uma vitória
robusta frente à equipa que mais pancadaria dá no futebol português (o
Boavista of course!) à excepção do jogo da Académica frente ao Porto
que
valeu tudo menos tirar olhos e o juiz da partida até conseguiu o milagre de
chegar ao fim com 22 homens em campo.
Mas não é a vitória do Benfica que me traz satisfeito, ma sim o facto de
finalmente os responsáveis do clube começarem a tomar decisões
justificadas
e acertadas, executando num ápice uma operação de limpeza que já há
muito se
justificava.
A começar pelo acordo feito com o malandro Zahovic, jogador que esteve
sempre a mais no clube desde que o Valência se viu livre dele. Leve-se em
conta que este esloveno tem dois pés maravilhosos, tem uma visão de jogo
extraordinária e poderia, se assim lhe desse na real gana, ser um jogador
de
primeiro plano em qualquer clube e em qualquer campeonato da Europa. Atingiu
o seu auge ao serviço do F.C. do Porto e, ao contrário do que muitos
julgam,
não saíu do dragão apenas pelo negócio envolvido no seu passe. Saíu
porque
já vinha arranjando complicações e essas no Porto não as admite Pinto da
Costa.
A vinda para o Benfica foi um erro. Não só pelo muito que veio ganhar (era
o
segundo jogador mais bem pago do clube atrás de Nuno Gomes) mas porque já
na
altura os responsáveis pelo Benfica sabiam do seu mau feitio, das suas
birras e da sua reconhecida indisciplina dentro e fora do campo.
Também o brasileiro Argel saíu para Espanha e também neste caso o Senhor
Santo Cristo dos Milgares o acompanhe. Nunca provou nada no Benfica e a
massa associativa do clube estava farta das suas doidices, dos seus pontapés
à toa, das suas entradas à moda dos toiros da Fonte do Bastardo, muitas
delas verdadeiramente embaraçosas para quem gosta de futebol. Dele conta-se
que é excelente companheiro e no balneário tinha muita aceitação. Então
que
fique com essas virtudes, desconhecidas do grande público e que as leve
para
nuestros hermanos.
Outro com a mala aviada é Sokota e deste gostava eu a sério. Gostava, como
quem diz! Trata-se de um jogador abnegado, que suou sempre a camisola que
vestiu dando sempre o litro pelo Benfica. Mas a Sokota faltou, falta e vai
sempre faltar o mais importante marcar golos. Esbanjou oportunidade atrás
de oportunidade e como foi contratado para marcar golos e não cumpriu a
saída está religiosamente certa. Diz-se, agora, que não renova porque
queria
muito dinheiro e fala-se que estava barato no Benfica. Não sei quanto
ganhava mas como o futebol é medido pelos golos e se foi contratado para os
fazer acaba por ser um desperdício de dinheiro. Também para ele uma viagem
muito feliz...
Há mais saídas diz-se agora e uma delas deve ser o querido Roger.
Aqui
está mais um exemplo de Nosso Senhor dar por vezes nozes a quem não
tem
dentes, porque este franzino brasileiro é um monstro a jogar à bolaS
quando
quer! Aí está, sim senhor, o problema. Uma equipa precisa de jogadores que
mantenham uma regularidade exibicional acima dos 75 por cento e este médio
canhoto chega a descer aos 15 por cento. Não está nem melhor nem pior do
que
quando o Benfica o recambiou para o Brasil. Este é dos que não mudam e se
mudasse tinha lugar certo onde estava, até porque o Benfica ficava muito
contente se isso acontecesse, mesmo perdendo uma boa fatia do bolo que tem
de lhe pagar.
Vai acertar agora? Duvido muito, mas oxalá esteja enganado.
E se de saídas estamos conversados mas falta falar de entradas. Estão a
chegar alguns e dos nomes anunciados, prá'í uns cinquenta e não sei
quantos,
gosto do Nuno Assis. E como ele há outros no futebol português, capazes de
jogar no Benfica, no Sporting ou no Porto. Mas a moda são os brasileiros e
até há um com nome de cão de raça. Chama-se Pitbull e destes tenho más
recordações. É que durante mais de seis anos o meu vizinho tinha um
desses
queridos, com cara de mau e tudo. Peito levantado, chegava à esquina da
agência Sagres e levantava a perna para a sua consolada mijadela. Maldito
cachorro!...