Fado aplaudido no Novo México
- Catarina Avelar levou o fado pela primeira vez à Universidade de Novo
Mexico


Celebrando as raízes musicais dos dois países da Península Ibérica, Espanha
e Portugal, realizou-se no sábado, 22 de Janeiro, na Universidade do Novo
México, cidade de Albuquerque, estado de Novo México, EUA, um espectáculo de
flamenco e fado.
Correspondendo a um convite endereçado por aquele instituto de ensino
superior ao Portuguese Times, em Março de 2004, no sentido de contratar uma
intérprete de fado, a escolha recaiu em Catarina Avelar, a voz angelical do
fado made in America, jovem luso-descendente natural de New Bedford e que se
tem evidenciado no mundo artístico comunitário português dos EUA.
Acompanhada à guitarra portuguesa por José Silva, viola clássica por Viriato
Ferreira e baixo acústico por Cristiano Castelo, Catarina Avelar encantou as
cerca de 1.800 pessoas que acorreram ao Popejoy Hall, uma sala com
capacidade para 2.040 lugares e dotada de excelentes condições sonoras e
visibilidade para qualquer tipo de espectáculo, quer se trate de um concerto
com orquestra sinfónica (local habitualmente usado pela New Mexico Symphony
Orchestra), teatro ou até mesmo num concerto mais intimista, como é o caso
do fado.
Numa comitiva de 10 pessoas, lá fomos até Novo México para fazer a cobertura
do evento na companhia dos artistas e alguns familiares, juntamente com
Floriano Cabral e Ricardo Farias, para o Portuguese Times, RTP-Açores, RTPi
(Contacto EUA) e WJFD. Saída de Providence com escala em Atlanta, eram 6:00
da noite (8:00 da noite na Costa Leste dos EUA) quando o Boeing 757 da Delta
Air Lines aterrou em Albuquerque. Depois do merecido jantar num restaurante
brasileiro (rodísio) e de umas voltas à noite pela cidade, a malta descansou
e no sábado de manhã o obrigatório teste e ensaio de som no Popejoy Hall.
"What kind of music are you gonna play"?, "Fado", retorquimos. "I never
heard of it", disse um dos técnicos de palco, ficando a saber que se tratava
de um género musical muito intimista, numa voz repleta de sentimento e
adornada com os sons acústicos de uma guitarra que nunca viram e ouviram,
instrumento popular de expressão qualificadamente lírica, uma viola clássica
(violão na gíria popular) e um baixo acústico. "Fado is the soundtrack of a
movie called Portugal", diria mais tarde Ricardo Farias, da WJFD, numa curta
abordagem sobre o fado e numa excelente apresentação em inglês a um público
que desconhecia completamente a canção nacional portuguesa.
Depois do teste de som e de coordenação das luzes e outros pormenores de
ordem técnica e coreográfica, Paul Suozzi, director artístico e de contratos
da UNM, ultima os pormenores sobre a sequência e conteúdo do espectáculo com
o autor destas linhas, o apresentador (Ricardo Farias), músicos e Catarina.
Tudo está em ordem.
Após obrigatório e apetecido descanso pela tarde, no hotel, o regresso ao
Popejoy Hall, duas horas antes do espectáculo. No camarim, entre café, sumos
e um jantar buffet, o pessoal não consegue disfarçar o nervosismo, em
especial este vosso servo e Catarina Avelar. Tudo normal. Afinal não é todos
os dias que se canta para 1.800 pessoas, numa sala magnífica e para um
público que não conhece Portugal nem a sua música, mas que sabe apreciar boa
música.
O supervisor de palco avisa: temos cinco minutos. É chegada a hora da
verdade. Os guitarristas, apresentados por Ricardo Farias, entram em palco
sob aplausos da plateia. O primeiro número é um instrumental. Aplausos para
José Silva, Viriato Ferreira e Cristiano Castelo. Entra Catarina Avelar com
o tema "Confesso". Aplausos para ela. "They say that a fadista has to be
born in Lisbon in order to truly sing fado. I disagree", diz Catarina, sendo
interrompida com os aplausos cúmplices da afirmação da jovem
luso-descendente. "Zanguei-me com meu amor" foi o fado que se seguiu, com os
temas "Gaivota", "Maria Lisboa" e "Loucura" a encerrarem a primeira parte e
uma guitarrada.
Com os primeiros acordes do violão de Viriato Ferreira, Catarina voltou ao
palco para cantar "Chuva", de Jorge Fernando, seguindo-se "Estranha forma de
vida", "Barco Negro", "Fado da Maria Benta" e "Foi Deus".
No final do espectáculo o quarteto foi aplaudido de pé e o regresso ao palco
(encore) com o tema "Fado do Sr. Vinho".
Em suma, um espectáculo que ficará certamente na memória de Catarina e seus
guitarristas, pela sua importância, responsabilidade e dimensão. Na sessão
de autógrafos que se seguiu, Catarina Avelar foi muito solicitada e a
certeza de que agradou em pleno. Pode ser que a experiência venha a
repetir-se.
Já de regresso a casa, no aeroporto de Albuquerque, no domingo, a chamada
telefónica para o nosso celular. Do outro lado da linha, Linda Spaulding,
uma das responsáveis pelo espectáculo: "Frank, tell Catarina that we loved
it. Amalia would be proud".
O fado esteve bem representado em Novo México. Foi aplaudido de pé. A
comunidade portuguesa da Nova Inglaterra pode orgulhar-se desta jovem.


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