Comunidade

 

EDWARD A. MELLO, FILHO DE UM BARBEIRO NASCIDO NOS AÇORES
Luso-americano é o Chefe da Polícia mais novo no estado de Rhode Island

- Por Henrique Mano (Luso-Americano)
em Westerly, RI
Especial para o PORTUGUESE TIMES


No estado de Rhode Island, é de origem portuguesa o chefe mais novo de um
departamento de Polícia. Edward  Mello,  agora  com 36 anos de idade, tinha
apenas 35 quando em Agosto do ano passado aceitou a responsabilidade  de
passar  a comandar a Polícia de Westerly, uma municipalidade junto  ao
Atlântico onde Connecticut termina  e  o "Estado Oceano" começa.
A extraordinária trajectória de carreira de Edward Mello começou aos vinte
anos de idade, quando o luso-americano se juntou à polícia local. Uma década
depois era promovido a sargento, passando posteriormente a capitão, em 2002.
Em Agosto de 2004, Edward Mello era nomeado Chefe, quinze anos após ter,
pela primeira vez, envergado a farda de agente policial. Mello foi escolhido
para o importante cargo de chefia pelo administrador executivo de Westerly,
com o aval dos vereadores locais. A Polícia de Westerly tem 49 agentes a
tempo inteiro, a que se acrescentam outros 50 em regime part-time durante o
verão e ainda 13 funcionários administrativos, operando com um orçamento
anual de 4 milhões de dólares. A localidade, que ocupa o décimo terceiro
lugar em Rhode Island em termos demográficos, desce, contudo, três lugares
na tabela dos departamentos que mais detenções operam. Em Westerly, segundo
o chefe Mello, "ocorre um homicídio de 18 em 18 meses, regra geral ligado a
violência doméstica".
 A Polícia local recebeu, em 2004, 31 mil pedidos de ajuda e fez 1200
detenções, com relação, invariavelmente, a casos de pessoas apanhadas a
conduzir em estado de embriaguez, consumo e venda de drogas e distúrbios
domésticos.
O pai do chefe Mello nasceu nos Açores, Portugal e emigrou para o sudeste de
Massachusetts na década de 20 do século passado.
"Acabou por deixar a região de Fall Fiver-New Bedford para, ainda muito
novo, se radicar aqui em Westerly, onde trabalhou sempre como barbeiro",
conta Edward Mello.
O pai Mello acabaria por casar-se com uma norte-americana de origem
irlandesa, nascida em Brooklyn, e também desterrada para Westerly. O chefe
lembra-se das visitas a familiares e amigos de seu pai, que dominava o
português, em Massachusetts e diz ter crescido "consciente das minhas
origens lusas".
A morte levou o pai de Edward Mello em 1981, antes que pudesse testemunhar o
filho chegar ao posto máximo do departamento de Polícia onde começou
carreira.
Edward Mello nasceu e cresceu em Westerly, onde também fez o liceu.
Seguidamente estudou Criminologia numa escola superior local, "enquanto
trabalhava no sector da construção civil" - revela.
"Mas quando fui para o liceu já sabia que era polícia que queria ser. Já o
sabia desde criança, por influência de um vizinho nosso que também era
profissional do mesmo ramo".
O chefe Mello acredita que, pelo facto de ter nascido e crescido em
Westerly, e por ter iniciado carreira no departamento que agora dirige, está
em posição de vantagem para  compreender  melhor "a dinâmica da nossa
comunidade" e de saber "o que de facto os residentes de Westerly esperam da
polícia".
Westerly tem 23 mil habitantes e absorve 33 milhas quadradas de superfície.
No verão, as suas praias e a proximidade de Stonington, CT atraem outros
tantos milhares de visitantes. Dos cerca de 100 agentes que garantem a
segurança da municipalidade, incluem-se três equipados com cães de treino.
Westerly está a apenas 35 milhas de Providence, a capital do estado, mas a
sua posição geográfica coloca o município em dependência maior de grandes
centros urbanos em Connecticut - nomeadamente New London e Hartford.
"Na época de férias, a nossa população chega a 50 mil habitantes",
acrescenta.
Apesar do estatuto de localidade relativamente pequena, para o chefe Edward
Mello a segurança é um assunto sério. Explica ele: "Digo sempre às pessoas
para não pensarem que só porque estamos em Westerly, estamos imunes a
ataques como  os  que  ocorreram  a 11 de Setembro. Em dias de
acontecimentos de vulto, como as eleições, aumentamos a segurança. Um ataque
com armas biológicas, por exemplo, num dia desses, teria tanto impacto em
Westerly  como  em  Nova Iorque ou Boston".
O chefe Mello não se arrepende da profissão que abraçou. É uma carreira
"muito honrada", assegura.
"E tenho imensas saudades dos tempos em que fazia patrulha, em que lidava
directamente com o público.
Não é que não goste do que faço agora,  é  uma  actividade mais
administrativa, sem a adrenalina e a excitação de quando se lida
directamente com aspectos mais práticos da profissão de polícia".



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