Portuguese Times Eurico Mendes - EXPRESSAMENDES

 

Até os mortos votaram

Pelos vistos, até emigrantes portugueses mortos votaram nas eleições
legislativas portuguesas de 20 de Fevereiro e um voto é sempre um voto.
Quem o diz é Fernando Ramos, residente no Brasil e candidato do PS para o
círculo eleitoral pela emigração fora da Europa.
Em entrevista à RTP, Ramos revelou que 400 e tal portugueses falecidos no
Brasil ainda figuram  nos cadernos eleitorais, os familiares continuam a
receber os boletins de voto e alguns terão aproveitado para votar em nome
dos  defuntos.
Nas eleições legislativas, os portugueses residentes no estrangeiro votam
por correspondência e não é só Portugal, outros países, nomeadamente Espanha
e Alemanha,  também permitem o voto pelo correio.
Já nas eleições presidenciais portuguesas, onde os emigrantes votaram a
primeira vez em 2001, o voto é presencial e os eleitores têm que deslocar-se
aos consulados, com o inconveniente de que na Califórnia, por exemplo,
alguns eleitores são obrigados a um passeio de 600 quilómetros.
A solução ideal é o voto por correspondência e devia ser alargado também às
presidenciais.
O eleitor  recebe em casa o boletim de voto, um folheto explicativo e dois
sobrescritos, um verde  e outro branco; põe a cruzinha  no boletim, que
fecha no sobrescrito verde. Coloca depois o sobrescrito verde e uma
fotocópia do cartão do eleitor no sobrescrito branco, que é posto no
correio.
Os únicos gastos são o selo e a deslocação aos correios.
Para maior facilidade, a legislação, uma das poucas datadas de 1976 que
ainda sobrevive, prevê que os boletins sejam recebidos depois do dia das
eleições, desde que a data indicada no carimbo dos correios  seja anterior a
essa data. Este ano, as eleições foram a 20 de Fevereiro e o prazo de
entrada dos boletins termina precisamente hoje, 2 de Março.
A votação por correspondência é simples e ajuda a combater a abstenção, o
que não é o  caso da votação presencial.
Dos quatro  milhões de portugueses espalhados pelo mundo pouco mais  de 180
mil estão recenseados, apenas votam 40 mil e, quantas mais burocracias
criarem,  menos votarão.
É certo que o voto por correspondência não é uma solução perfeita, os
eleitores votam quase sem conhecerem os candidatos e, como se sabe, quando
pensam em Portugal, os emigrantes pensam sobretudo no Benfica ou no Porto e
não nos problemas do país.
Por outro lado, os partidos não podem fazer campanha eleitoral no
estrangeiro, limitando-se as principais formações partidárias a almoços e
jantares de apoiantes nos clubes e associações dos emigrantes, o que cria à
partida situações de desigualdade perante o eleitor.
Para evitar esses problemas, uma solução aventada por alguns políticos é o
desaparecimento dos círculos da emigração e os emigrantes passarem a votar
na terra natal, mas isso levanta desde já uma questão: a votação continuará
a ser pelo correio ou o eleitor terá que deslocar-se à terra natal para
depositar por mão própria o voto nas urnas?
Se assim for e uma vez que não é legítimo esperar que sejam os emigrantes a
pagar, a viagem deveria ser assumida financeiramente pelo Estado português.
Nesse caso até podia haver eleições todos os anos. De preferência em Julho.

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Emigrantes votam menos. Segundo o semanário Expresso, de Lisboa,  está a
registar-se nestas eleições um número anormalmente  baixo de votos dos
emigrantes pelo círculo de Fora da Europa. Até 16 de Fevereiro apenas tinham
sido recebidos 4.902 votos de eleitores deste círculo, enquanto que a
votação dos emigrantes do círculo da Europa era de 13.887 votos. O
Secretariado Técnico dos Assuntos  para o Processo Eleitoral (STAPE)
reconhece que "é um número muito baixo". A questão foi levantada pelo  PS,
que manifestou preocupações quanto ao facto de "haver um número anormalmente
elevado de eleitores que não receberam os votos em sua casa", tendo ainda
notícia de "anomalias" em circunscrições como a África do Sul e Macau. O
STAPE afirma que o material enviado para os eleitores recenseados "seguiu
nos prazos normais", só que não terá chegado em devido tempo a todos os
eleitores. Com efeito, nos EUA houve eleitores, marido e mulher, com o mesmo
endereço e recenseados na mesma data,  que receberam os boletins de votos em
datas diferentes.

Voto electrónico. O voto electrónico dos portugueses residentes no
estrangeiro foi experimentado pela primeira vez nas legislativas de 20 de
Fevereiro e, se vier  a ser consagrado legalmente, poderá  acelerar a
votação nos círculos da emigração. Os eleitores receberam uma carta com um
código composto por 12 algarismos e letras para aceder a uma página na
internet criada para o efeito. O cidadão é depois convidado a inserir o seu
número de eleitor e votar. Os defensores do voto electrónico consideram-no
melhor do que o voto por correspondência e o voto presencial, desmotivador
para quem vive a grande distância das mesas de voto nos consulados. O
principal problema do voto electrónico é que pouquíssimos emigrantes dispõem
de computador.

Justificação da abstenção. Em declarações à RTP Madeira, o madeirense João
Faria, residente nos EUA e membro do Conselho das Comunidades, atribuiu a
pouca participação dos emigrantes nas eleições ao facto dos membros do
governo de Lisboa pouco visitarem a região onde vive, o que diz ser motivo
de desagrado para a comunidade madeirense: "O interesse dos madeirenses é
menor, já que somos muitas vezes esquecidos pelos governantes da República.
Já tivemos alguns secretários de Estado das Comunidades que, quando visitam
os EUA, pendem mais para New Jersey, onde está a maior parte dos
continentais e não vêm para este lado." Curiosamente, os continentais de New
Jersey queixam-se de que também não recebem visitas.NA EDIÇÃO de 28 de
Fevereiro, a revista Time dedicou 10 linhas à morte da irmã Lúcia de Jesus,
lembrando ser a última das "três crianças que, em 1917, alegaram ter visto
aparições da Virgem Maria perto da vila portuguesa de Fátima" e que, "após
exaustivas  investigações", a hierarquia da Igreja concluiu que "mereciam
crédito".

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Malassadas no Hawaii

A maior surpresa de qualquer português que visite as ilhas do Hawaii são os
hábitos alimentares portugueses. Nos McDonald de Honolulu, a linguiça levou
a melhor sobre o bacon. Qualquer restaurante serve sopa de feijão e nos
supermercados encontram-se os portuguese sweet bread. Mas a grande surpresa
é a enorme popularidade das malassadas, consumidas por toda a população.
Pode dizer-se que começou tudo em 1952, quando Frank Leonard Rego abriu a
Leonard Bakery em Honolulu e passou a servir malassadas chamando-lhes
Portuguese Donut. A especialidade da Leonard Bakery são malassadas com ice
cream (foto), "quente por fora e frio por dentro", reza a publicidade. Joe
Miw, macaense que se fixou no Hawaii, abriu o Champion Malassadas, cujo
preço são 55 cêntimos. Ainda em Honolulu, a Agnes' Portuguese Bake Shop, de
Non de Mello, também frita malassadas em quantidades industriais e com
variados recheios de frutas: ananás, papaia, guava e morango. Malassada até
tem direito a festival no Hawaii e a Oso-Ono Fried Dessert Dough, que diz
produzir as melhores malassadas do mundo, vendeu 4.400 malassadas no espaço
de oito horas num festival realizado em 19 de Junho de 2003, em Huakilau.
Mas o recorde pertence ao Punahou Carnival de 1996: em dois dias, Oso-Ono
vendeu 320.000 malassadas, que foram  fritas por 480 padeiros.

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O JORNAL Standard-Times, de New Bedford, também publicou domingo um artigo
de Joseph R. LaPlante especulando sobre o chamado terceiro segredo de Lúcia
e o best-seller The DaVinci Code. O articulista sugere que o autor da
novela, Dan Brown, andou a reboque de Fátima, mas tem acontecido isso a
muito boa gente.

FÁTIMA confunde-se com a I Guerra Mundial, que começou em 1914 e terminou em
1919 e onde Portugal sofreu pesadas baixas e com a subida ao poder dos
comunistas anticlericiais na Rússia, em 1917. Acreditando-se ou não no
milagre, o que não pode discutir-se é a fé. O santuário é visitado
anualmente por cinco milhões de peregrinos e gera receitas de  mais de 150
milhões de euros por ano.

A IGREJA de Nossa Senhora de Monte Carmelo, de New Bedford, é conhecida
popularmente  por igreja do Carmo, mas existe realmente uma Nossa Senhora do
Carmo, da qual era devota Amália Rodrigues.

NEW YORK adoptou novo slogan: "The World's Second Home".  A cidade continua
a receber milhares de imigrantes e calcula-se que sejam ali falados entre
175 e 200 idiomas. O número dos novaiorquinos que não falam inglês  é de 1,5
milhão, 20% da população. Dos que não falam inglês, 51% falam espanhol em
casa, 13% falam chinês, 8% russo e 28% falam outras línguas. Português não
chega a 0,5%. Vivem na cidade alguns portugueses e um número indeterminado
de brasileiros, que se queixam de terem sido mal contados.

O NÚMERO de homicídios em New York desceu em 2004 para o nível mais baixo
dos últimos 40 anos; Chicago também viu os homicídios cairem 25%, de 600 em
2003 para 445 em 2004. As explicações para a queda estão relacionadas com o
aumento do policiamento nas ruas e as mudanças no perfil demográfico da
população. Mas em algumas cidades o crime aumentou. Uma delas foi Boston.

PORTUGAL está na cauda salarial da União Europeia. Um francês ganha em média
24 mil euros por ano, um espanhol 16.699 e um português 17.771 euros.

Brasileiros e espanhóis no Oscar
Million Dollar Baby, o filme de Clint Eastwood, dominou o Oscar 2005,
conquistando os prémios de melhor filme, melhor realizador, melhor actriz e
melhor actor secundário, mas houve outros triunfadores, a começar pela
modelo brasileira Gisele Bundchen, que apareceu ao lado do namorado Leonardo
DiCaprio. O namoro dura há anos, mas os dois raramente são vistos juntos.
Desta vez, DiCaprio levou a namorada e a mãe, Irmalin DiCaprio, para ajudar
a esquecer o desapontamento. Concorria ao Oscar de melhor actor pelo seu
trabalho em The Aviator e tinha todas as apostas a seu favor, mas a
estatueta foi para Jamie Foxx pela sua criação na figura da lenda do soul
Ray Charles.
Outro brasileiro que esteve domingo no Teatro Kodak, de Hollywood,  foi
Walter Moreira Salles, realizador de Diários de Motocicleta, sobre as
aventuras do jovem Ernesto Guevara pela América Latina. Disputava os troféus
de melhor canção e argumento adaptado, que foi escrito pelo portorriquenho
Jose Rivera, mas perdeu para Sideways. Levou  o Oscar da canção por Al Outro
Lado Del Rio, do uruguaio Jorge Drexler, mas a entrega do prémio gerou
polémica.
Os organizadores impediram Drexler de interpretar a sua música na cerimónia
da entrega dos prémios, sendo substituido pelo actor espanhol Antonio
Banderas, que se apresentou acompanhado do guitarrista Carlos Santana. Em
sinal de protesto, o actor mexicano Gael Garcia Bernal, que interpreta Che
Guevara no filme, recusou comparecer na cerimónia e ao subir ao palco para
receber o Oscar, em vez de pronunciar o tradicional discurso de
agradecimento, Drexler desafiou os organizadores trauteando um pouco da
canção. Foi a primeira vez que uma música em espanhol recebeu o Oscar de
melhor canção.

Triunfo de Mar Adentro
Mar Adentro, filme espanhol  inspirado na história real de um tetraplégico
que lutou 30 anos pelo direito de pôr fim à própria vida, recebeu o Oscar de
melhor filme estrangeiro. Foi a quarta vitória de um filme espanhol nesta
categoria e já tinha recebido o Globo de Ouro e o prémio do National Board
of Review. Mar Adentro, que veio reacender a polémica em torno da eutanásia,
foi realizado por Alejandro Amenabar, que dedicou o prémio à memória do
galego Ramon Sampedro, protagonista  da história que inspirou o filme.

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Reticências...

Só ir à igreja não nos converte em cristãos, tal como entrar num McDonald¹s
não nos transforma em hamburgueres... Os bailes das caridades dos senhores
bispos são como qualquer outro baile, só que deduzíveis nas taxas... O que
mais incomoda no balet é ver as pobres bailarinas dançarem no bico dos pés,
seria mais fácil se contratassem raparigas mais altas... Descrevendo o bom
coração da esposa, o sujeito dizia que ela era a única pessoa do mundo capaz
de meter os travões a fundo quando as borboletas se atravessavam à frente do
carro...  O presidente Lincoln dizia que, quando um homem reza, deve
gesticular como se enfrentasse abelhas...

- Ferreira Moreno


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