Desporto

Afonso Costa

 

OPINIÃO

Benfica, Mourinho, Pinto e Valentão

Ora aí está como os entendidos na matéria (como eu, por exemploS passa lá
pra fora) se enganam! Escrevi, há tempos, que o Benfica não tinha um mínimo
de hipóteses de ser campeão e agora tenho de dar a mão à palmatória e dar o
dito por não dito. É que, com seis pontos de avanço do pelotão de mais
quatro candidatos se não ganhar desta vez é atirá-los todos pela rocha
abaixo, usando o termo do meu estimadíssimo amigo Pica-Pau, born in Santa
Clara, ele que chora de manhã pelo Benfica e à tarde pelos outros vermelhos
de Ponta Delgada.
E, diz ele ainda, com muita razão, que o problema do Porto ou do Sporting
terem perdido tantos pontos não é dele, nem do Benfica. Palavras santas, as
do Pica-Pau.
Cá por mim continuo a dizer que este Benfica não convence, tem um futebol
amorfo, sem perfume, sem chama, sem alegria. Mas, ora bolas, se for campeão
vai-se deitar a taça fora!?
Depois há o Mourinho, de quem não quero falar mal, até por ser tempo de
Páscoa e o meu querido amigo padre Gastão fica zangado quando eu falo mal. E
eu, que sempre fui um rapaz educadíssimo, não falo mal.
Mas o Mourinho já descobriu que há países em que as pessoas do futebol são
mais evoluidas do que em Portugal. Têm a mesma paixão pela bola, vão em
maior número aos recintos onde ela salta, mas não se deixam embarcar em
cantigas. Têm leis que são para cumprir, não há amigos de télélé na mão a
telefonar a qualquer hora do dia ou da noite a meter a cunha, há gente
séria, muito séria. Mete-se em barulhos sem necessidade e a força e orgulho
que poderíamos tirar da sua extraordinária apetência e jeito para ganhar
jogos estraga-a com baboseiras e uma arrogância estupidamente feia. Que raio
de feitio!
Do F.C. do Porto as más notícias caem em cima de Pinto da Costa. Segundo o
último balanço das continhas, diz-se que já resta muito pouco dos oitenta
milhões conseguidos pela excelente carreira na "champions league" e pelas
vendas de Deco, Ricardo Carvalho e companhia.
Ex-director do clube anda a dar à língua e entre outras coisas disse que
Pinto da Costa deve colher, sim senhor, os louros do muito de bom que já deu
ao clube, mas deve agora ser responsabilizado pela miserável época que a
equipa está realizando este ano. Entre outras coisas, diz que foram gastos
40 milhões de euros com jogadores de categoria duvidosa e com dois
treinadores estrangeiros, afirmando ainda que Pinto da Costa se preocupou
muito em desfeitear os rivais, contratando jogadores que lhes interessavam
para os emprestar ou vender logo a seguir. Aponta, como exemplo, os casos de
Rossato que entrou pela mão de um agente e saíu pela mão de outro, dando
lugar a Areia, suplente do Beira-Mar. Também o caso de Paulo Assunção, que
foi desviado de Alvalade e acabou no AEK da Grécia, seguindo-se a
contratação de 17 jogadores, entre eles alguns brasileiros que ainda não
provaram nada, ou a tal troca de Pedro Mendes por Postiga com os resultados
que se conhecem e o montante  escandaloso envolvido nesta troca, mais o
ordenado do Postiga que é três vezes superior ao de Pedro Mendes.
Falta agora o Valentim Loureiro, que um destes dias veio cá fora dizer que
está inocente e quer continuar a sua vidinha como antes. Significa isso, "of
course", que quer voltar à presidência da Liga de Clubes por onde por lá
andou anos sem fim e nunca fez nada de jeito.
O futebol português pode muito bem viver sem Valentim Loureiro e é pena que
em Portugal não se venha cá para fora dizer isso mesmo. O futebol português
precisa de sangue novo, caras novas, ideias novas e, sobretudo, gente fora
do tal sistema de que fala o sempre engasgalhado Dias da Cunha.
Promessa cumpida. Não falei mal, disse tudo certinho mas Deus é que sabe da
raiva que me vai na alma quando vejo estas figuras vaidosas falar na
televisão.