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De quem é esta Igreja?

Foi esta pergunta que fiz a minha mãe quando, pela mão dela, comecei a ir à
igreja. Ela respondeu-me: é nossa, é dos ricos e dos pobres, é de toda a
gente, dos que já morreram, dos que vivem e dos que hão-de nascer, e assim
comecei a entender que, afinal, todos tínhamos algo em comum. Cresci e
continuei a ouvir que a Igreja Católica era uma organização ao serviço de
Deus e o do povo, portanto uma organização sem fins lucrativos. Portanto, as
comunidades eram responsáveis pela manutenção da igreja e sustento do
pároco.
Com a vinda para os Estados Unidos continuei a pensar que a Igreja era do
povo, dum povo que nesta terra ergueu as mais bonitas igrejas para todas as
suas actividades religiosas. Éramos um povo de bonitas tradições religiosas.
Infelizmente, a vida religiosa parece não interessar aos nossos jovens e a
falta de padres e todos os escândalos acabam por ser um desastre para os
católicos. Sabemos que os padres são humanos como todos nós, portanto
sujeitos ao pecado, mas pensava que por um errar não deveriam ser todos os
católicos a pagar. É que se eu fizer uma coisa mal feita, não é a companhia
onde trabalho que vai pagar.
Ao entrar em qualquer igreja, desde a entrada da porta até ao altar podem
ver-se memoriais de recordação, em especial para as suas famílias, dos
paroquianos que levantaram aquela igreja. Não admira pois que em muitas
paróquias se luta pela sobrevivência.
O senhor Bispo dos Açores, quando se apercebeu de todos estes escândalos, em
nota pastoral informou que qualquer padre era responsável por qualquer erro
e que além de ter que pagar, seria expulso. Não sei porque é que não se faz
o mesmo.
Em 1996, na área onde vivo, havia uma bonita igreja de São Pedro, que foi
deitada abaixo. Houve um movimento para salvar a igreja, até mesmo por parte
de portugueses, só que o senhor Cardeal entendeu que era abaixo que a igreja
tinha de vir e assim foi, o que já começou a ser escândalo para os católicos
desta área, e a partir daí passaram a ser contados os que iam à igreja, para
avaliação. Essa avaliação chegou, igreja fechada, posta à venda e todos os
memoriais lá se vão.
Felizmente, a igreja de Santo António, orgulho dos portugueses, ficou, por
enquanto, mas já os portugueses da vizinha cidade de Lawrence, não tiveram a
mesma sorte. Claro que estes encerramentos mexem com todos nós e parece não
interessar aos que governam a Diocese. Dá impressão que a Igreja agora é
como uma cadeia de supermercados ou restaurantes de comida rápidaS não dá
lucro, encerra-se e pronto. Temos nesta cidade dois cemitérios católicos.
Será que os nossos mortos estarão bem, ou mais tarde o terreno também estará
à venda?

José Mendonça, Lowell, Mass.


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