Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha




Meter o nariz
aonde não se é chamado!...

É um velho predicado
Que à boca cheia se diz
Ter de meter o nariz
Aonde não é chamado.

Quase todos dão conselho
De maneira matizada,
Fingindo não saber nada,
Sempre metendo o bedelho.

Dizem que não são de intrigas,
Mas vão sempre se metendo
E, para irem sabendo,
São pessoas muito amigas.

Muita coisa que se diz,
Está tão desconchavada
Distorcida, estropiada,
Qu'há que meter o nariz!

Há aqueles que vasculham,
Meiguinhos, cheios de bons tratos,
Inventam, fazem boatos,
As coisas todas embrulham.

Intrigam, armam banzé,
Depois, põem-se calados,
Saem, rabos enrolados,
Logo à primeira maré.

Mas há gente intrometida,
Que precisa, vez em quando,
Algo dizer, apontando
Sempre o dedinho na ferida.

Alertando os descuidados
E os senhores da incerteza,
Que por terem pão na mesa
Fingem-se desinteressados.

Bobos e celebridades,
Tem o povo  em geral,
Que saber o bem e o mal,
Mas sempre as suas verdades.

Por isso, agora o que eu fiz,
Perante o mal que se passa,
Com verdade e certa graça,
Fui lá meter o nariz!

Cá estou eu na minha vida,
De apontar o bem e o mal,
Lembrando sempre a moral,
Deitando o dedo na f'rida!

Posso às vezes estar errado,
Mas a minha intenção
É a boa educação,
Um viver civilizado!

Hoje, com certo desagravo
Vou falar da triste sorte
E o que eu penso sobre a morte
Da triste Terri  Schiavo.

Primeiro eu vou falar
De quem tinha a primazia,
Ou melhor, a ousadia
Da Terri mandar matar!

Seria os pais, o marido?
Mas se alguém era interessado
Devia ficar de lado,
Pois não formava sentido!

Não foi lá muito sensato,
A maneira escolhida
Para lhe tirar a vida,
Foi um puro assassinato!

Se matar é intenção,
Para quê fazer penar,
Há que com tudo acabar
Dando-lhe uma injecção!...

Mas teve ela mais dez dias,
Nuns sacrifícios bem loucos,
Coitada, morrendo aos poucos,
Sofrendo as agonias!

Quanto à morte, não entendo,
Ela viva não estava,
O que é que se esperava
Se ela não estava vivendo?!

De que serve, podem crer
Trazer vivo um moribundo
Que já não está neste mundo?
Só p'ra quem o quiser ver!

Morreu Sua Santidade
O Papa...
E tudo está consumado!...

São palavras pelo visto
Ditas ao Pai lá na cruz
Por Nosso Senhor Jesus,
O Nosso Rei Jesus Cristo.

Muito se diz em louvor
Deste Papa viajeiro
Que correu o mundo inteiro
Levando a Paz e o Amor.

Que uniu religiões,
Com ensinamentos novos,
Conseguindo unir os povos,
Trazendo a paz às nações!

Sempre aclamando o civismo,
Com as palavras de Deus
Transformou muitos ateus,
Abalou o comunismo.

Sempre a favor da vida,
Criticando o desconforto
Da eutanásia e o aborto
E alertando p'rá sida.

Morreu Sua Santidade,
Acabou seu desafio,
Deixando um grande vazio
P'ra toda a humanidade.

É bem digno de registo
Todo o louvor que lhe é dado.
Foi sempre um crente ferrado
Pela Mãe de Jesus Cristo.

Nos atentados, o Papa,
Afirmou que foi Maria
Quem o acudiu no dia,
Cobrindo com sua capa.

Já Lúcia, para ser franco,
No seu segredo contava
Como alguém baleava
Um ser vestido de branco.

E este ser não escapa
À ideia que nos vem
Que quem tais vestes tem
Brancas,  pode ser o Papa!

Reza-se em alta voz
Por a Sua Santidade.
Melhor seria em verdade
Que Ele reze por nós!...

Porque ele entre os pecadores
Creio que é um dos melhores!...





      
      


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