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António Alberto Costa
Conheci o António Alberto Costa há 32 anos, em Outubro de 1973, na redacção
do Portuguese Times, então na Wilson Avenue, Newark, New Jersey, onde existe
hoje uma pastelaria Coutinho.
Eu tinha acabado de chegar de Angola com o título pomposo de correspondente
do "Diário de Luanda" em New York, mas ainda estou à espera do
pagamento das
crónicas.
Os dólares começavam a escassear e vi-me obrigado a procurar trabalho. Na
Cabana Carioca, então ponto de encontro de portugas e brazucas em Manhattan,
alguém falou numa rádio portuguesa em New Bedford, a WGCY-FM, dirigida por
um tal Alberto Costa.
Eu trabalhara na Rádio Voz de Lisboa e, durante oito anos, tinha sido chefe
de produção do Rádio Clube do Uíge, em Angola. Não era nenhum Fernando
Pessa
ou Artur Agostinho, mas resolvi tentar a sorte em New Bedford.
O meu contacto era um contabilístico José qualquer coisa ou um qualquer
coisa José, amigo de familiares meus e, por sua vez, amigo de um tal Eduardo
Sousa Lima, proprietário da Piques Travel na Acushnet Avenue e que seria o
contacto com o Costa.
Acontece que Lima acabara de comprar a Sagres Package Store na referida
Acushnet Avenue e desloquei-me a New Bedford precisamente no dia em que ele
e o José qualquer coisa ou qualquer José procedim ao inventário e estavam
mais preocupados com as garrafas de scotch do que com a minha carreira
radiofónica.
Ainda se telefonou para a WGCY, Costa não estava e acabei por regressar a
New York com um cartãozinho do Lima pedindo os favores do Costa para com a
minha pessoa. Por sinal, nunca precisei do cartão, mas ainda conservo, pois
tem-me dado alguma sorte.
Regressado a New York sem saber como iria contactar o Costa, alguém no
consulado do Brasil sugeriu que tentasse o Canal 47 (Univision), em Newark,
onde trabalhava um brasileiro que talvez me pudesse arranjar qualquer coisa.
No dia seguinte estava na Ferry Street, à procura do Canal 47 e entrei no
Portuguese Times. Atendeu-me Augusto Saraiva, o editor. Também não sabia
onde era o Canal 47, mas havia uma vaga no jornal e não precisei de procurar
mais.
Saraiva esclareceu que fundara o jornal em 1971, mas há um ano vira-se
forçado a vendê-lo a um tipo de New Bedford, nem mais nem menos o Alberto
Costa que eu procurava.
Dias depois, Costa veio a Newark e aprovou a minha admissão num restaurante
local, num almoço regado com uma bela pomada e durante o qual confidenciou
que acabara de arranjar um sócio para o jornal, Joseph Fernandes, bem
sucedido empresário e adiantou que ele próprio era comerciante e tinha
várias Casas Costa, das quais já não conheci nenhuma.
Nessa altura, já Costa deixara a WGCY-FM, em conflito com o proprietário,
George Gray. Cometera o erro de tentar comprar o negócio do patrão e quer-me
parecer que foi o grande desgosto da sua vida.
Cabe lembrar que Costa trabalhou uns tempos como linotipista no desaparecido
Diário de Notícias, onde Manuel Calado era chefe de redacção, aliás era ele
a redacção e tinham iniciado juntos um programa dominical na estação do
Gray. Intitulava-se Ecos de Portugal e era transmitido simultaneamente em AM
e FM.
Em 1969, Gray desdobrou a emissão, passando o FM a transmitir
exclusivamente em português com indicativo de WGCY e assim nasceu a primeira
rádio portuguesa na América do Norte, que chegou a ter um afamado naipe de
cantores locutores constituído por Rui de Mascarenhas, Dário de Barros,
Álvaro António, Natércia da Conceição, talvez falhe algum.
A estação ainda hoje transmite em português, com o nome de WJFD-FM.
Em Janeiro de 1974, Costa decidiu transferir o Portuguese Times para New
Bedford e reforçou a equipa: o Adelino Ferreira, que era noticiarista da
WGCY, passou a redactor do jornal e John Henriques, antigo redactor da Voz
da América, que fazia as traduções na rádio, passou a fazer o mesmo no
jornal. Eu montava anúncios, paginava e rabiscava umas coisas.
A redacção ficava no Rodney French Boulevard, onde é hoje a estação de
serviço Cidade's Sunoco. No primeiro dia de trabalho cruzei-me à porta com a
Donzília, uma jovem admitida para fazer a composição e que é Mrs. Mendes há
20 anos.
Costa sempre foi mais radialista que jornalista e não era por acaso que a
sua coluna no jornal se intitulava Canhenho de um Homem da Rádio.
Faltava-lhe o "bichinho" do jornalismo, que só se adquire na
universidade da
vida prática da profissão, mas ao microfone era senhor de um raciocínio
rápido, inteligente e lúcido.
Assim, em 1975, estava de volta ao microfone num programa vespertino na
WRIB-AM de Providence que chamou Passaporte para Portugal, também título do
programa que então mantinha no Canal 6, com a presença regular da cantora
Natália Carreiro, também funcionária do jornal e senhora de uma bela voz.
Um dia, Costa despediu-me pela suspeita de que eu pudesse estar ligado ao
Jornal que Raimundo Canto e Castro se propunha lançar em Fall River. Não
estava, mas passei a estar.
Despedimo-nos com um abraço e nunca mais perdi tempo com ele e nem ele
comigo, penso.
Já estava na concorrência quando do surgimento da empresa irmã do Portuguese
Times, o Portuguese Channel, que começou por chamar-se Panorama de Portugal.
Em 1978, graças aos contactos políticos do seu amigo Joseph Fernandes, Costa
foi nomeado director da secção portuguesa da Voz da América, em Washington.
Nessa altura, vendeu a sua parte no Portuguese Times a Eduardo Sousa Lima, o
mesmo que, quatro anos antes, me dera o cartãozinho de apresentação que não
cheguei a utilizar.
Lima continuava (e continua) a ter a Piques. Já não tinha a Sagres Package
Store, mas em contrapartida tinha o Portuguese Times e o Portuguese Channel,
o que não era nada mau para um menino saído aos 12 anos da Fazenda do
Nordeste, São Miguel.
Acabei por voltar ao PT admitido por Lima e poucas vezes mais me cruzei com
Costa, que em 1983, depois de cinco anos em Washington e de novo associado a
Joseph Fernandes, adquiriu a WINE-AM, de Providence e converteu-a na
WRCP-Rádio Clube Português.
Mas Costa era mais idealizador que administrador e acabou por vender a
estação a Manuel Fernando Neto, que a passou a Tony Cruz, que por sua vez
vendeu à Boston University e deve ter sido o único que fez dinheiro.
Com um novo amor na sua vida (o terceiro casamento), Costa mudou-se para a
Flórida, onde ainda fez uma derradeira tentativa radiofónica, Rádio
Portugal, inicialmente na estação WHSR-AM, e agora na internet.
Aos 76 anos, o guerreiro repousava finalmente, conforme disse em
entrevista
recente ao programa Contacto da RTPi, onde aparecia bronzeado e com
excelente aspecto.
Porém, domingo a meio da tarde, tocou o telefone. Era o Adelino Ferreira com
a notícia de que o Costa tinha falecido.
É certo que a morte é a única coisa que todos temos certa, mas nunca deixa
de entristecer.
O Adelino, eu, a Natércia, a Maria Fernanda do Portuguese Channel, o José
João que está na KLBS-AM da Califórnia e tantos outros que trabalharam para
o António Alberto Costa não podemos deixar de reconhecer-lhe a capacidade de
iniciativa, ainda que lhe tenha faltado talento para dar continuidade aos
inúmeros projectos que iniciou.
Mesmo com os insucessos, António Alberto Costa foi uma figura de proa da
comunidade portuguesa de Massachusetts e Rhode Island nos anos 70 e 80 e faz
parte da história da comunidade.
So long, Mr. Costa.
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EMERIL Lagasse está nomeado para os prémios Emmy de televisão, que são
entregues dia 20 de Maio no Radio City Music Hall, New York. O
telecozinheiro luso-americano concorre na categoria Best Service Show Host,
pelo programa Essence of Emeril, que apresenta no Food Channel.
FLORA Gomes, o realizador guineense premiado no Festival de Cannes, está em
Providence a convite da Universidade Brown, para falar de cinema. Com dois
filmes ("Pau di Sangui" e "Nha fala"), Flora Gomes projectou
internacionalmente uma coisa que nem sequer existe: o cinema da Guiné
Bissau.
O NOVO director-geral da General Motors Portugal é o brasileiro Paulino
Varela, que substituiu o português Marques Gonçalves. A GM ficou bem
impressionada com o trabalho do brasileiro Fernando Pinto na TAP e tentou o
mesmo na fábrica Opel na Azambuja. Só que Fernando Pinto se naturalizou e
passou a ser português. E a fábrica da Azambuja é para fechar.
PORTUGAL tem 12.500 funcionários no Ministério da Agricultura e apenas
50.000 agricultores. Dá um funcionário por cada quatro agricultores.
CHARLES, príncipe herdeiro da Inglaterra, casou sábado com Camilla. Foram
amantes 30 anos e felizes, ao que consta. Coisa que ninguém garante agora
que estão casados.
DEPOIS de amanhã, sexta-feira, é dia 15 de Abril e, entre outros
acontecimentos, nesta data morreu o presidente Abraham Lincoln, afundou-se o
paquete Titanic e termina o prazo de pagamento das taxas nos EUA. Só
desgraças.
UMA representação da Federação das Confrarias Báquicas de Portugal
desloca-se aos EUA de 8 a 13 de Junho para "a maior promoção dos vinhos
portugueses", segundo dizem. Apenas em cinco dias não deve ir longe.
OS PREÇOS sobem nos EUA e vão manter-se altos. Culpa dos custos da energia,
diz o Departamento do Trabalho. O meu pão integral no Stop & Shop custava
$3.99 e passou para $4.49. Nem o portuguesíssimo queijo fresco de cabra
escapou: custava $2.00 a semana passada e agora $2.75.
TOMATES portugueses fornecem a maior parte do concentrado das pizas das
cadeias americanas Papa John's, Domino's na Europa. É produzido na fábrica
da Italagra em Castanheira do Ribatejo, que exporta por ano 15 mil toneladas
de concentrado de tomate para toda a Europa. Mas o negócio é italiano. A
Italagra é da Parmalat.
Os 117 cardeais a quem cabe escolher entre eles o sucessor de João Paulo II
iniciam o conclave na próxima segunda-feira. Há dois cardeais portugueses,
D. José Policarpo, patriarca de Lisboa e D. José Saraiva Martins, prefeito
da Congregação da Causa dos Santos e, em teoria, qualquer deles pode ser o
novo papa. O jornal britânico The Guardian considera Policarpo, 69 anos,
um
dos cardeais mais bem posicionados para o lugar, afirmando que pode ser o
"papa inesperado". A imprensa francesa já tinha anteriormente
admitido as
possibilidades de D. José Policarpo ser eleito, adiantando que o principal
impedimento é o facto de ser grande fumador, mas não consta que o Vaticano
seja anti-tabagista.
Se D. José Policarpo for eleito, será o segundo papa português. O primeiro
foi Pedro Hispano, nascido Pedro Julião em 1205, em Lisboa e falecido em
Viterbo, Itália, em 1277. É citado por Dante na "Divina Comédia".
Foi médico
e filósofo. Ensinou Filosofia na Faculdade de Artes de Paris, Medicina em
Siena e na corte de Frederico II. Foi o médico particular do Papa Gregório X
e, por morte deste, em 1276, é nomeado papa. Foi um dos primeiros estudiosos
cristãos de Aristóteles e o seu livro "Súmulas de Lógica" foi uma
das obras
mais editadas da Idade Média e adoptado como compêndio universitário em toda
a Europa até meados do século 14. Deixou também obras de medicina, incluindo
uma enciclopédia ("Theasarus Pauperum"), que teve mais de 80 edições
nas
principais línguas europeias. O pontificado do nosso João XXI foi muito
calmo se comparado com o do seu precedessor João XX, que teve de comprar a
cadeira de Pedro a Silvestre III e não fez grande negócio pois havia nessa
época, simultaneamente, três papas em Roma: um em S. Pedro, outro em Santa
Maria Maior e o terceiro no Palácio de Latrão.
"Jornalistas e Tribunais" é o título do livro de Sofia Pinto
Coelho que é
um "guia de procedimentos" para a cobertura jornalística de casos
judiciais
agora publicado em Lisboa numa edição Quetral. Um dos exemplos é a notícia
que o Diário de Notícias deu, em 1998, de que embaixador Henriques da Silva
era genro do ex-inspector da PIDE Rosa Casaco, tendo o visado, ao tempo
embaixador na Guiné, processado o jornal por difamação e violação da
privacidade. Mas o jornal não foi condenado. O tribunal considerou que "um
embaixador na Guiné é, quer queiramos quer não, uma figura pública. Não é
um
cidadão anónimo." Henriques da Silva chefiou o consulado em New Bedford e
recebeu nessa altura a visita de Rosa Casaco pelo menos uma vez e fazendo-se
passar por tio da mulher do cônsul. Para além do parentesco, a verdade é que
o ex-inspector da PIDE tinha um mandado de captura pendente e o genro não
deixava de ser representante do Estado português.
Tal como as pessoas, há cidades mais inteligentes que outras. Desde 1999 que
a norte-americana World Teleport Association (WTA) elege as cidades mais
inteligentes e as sete mais inteligentes de 2005 foram agora anunciadas em
Honolulu: Issy-Les-Moulineaux, arredores de Paris, França, 63.000
habitantes; Pirai, arredores do Rio de Janeiro, Brasil, 23.000 habitantes;
Singapura, 4 milhões de habitantes, premiada pela terceira vez como ilha
do
conhecimento; Sunderland, Inglaterra, 280 mil habitantes, premiada pela
quarta vez como modelo de cidade inteligente; Tianjin, perto de Pequim,
China, 11 milhões de habitantes e Toronto, Canadá, 5,2 milhões de
habitantes. Três cidades asiáticas, duas europeias, uma sul-americana e
outra norte-americana. Nenhuma portuguesa. Ou estado-unidense.
Saul Bellow, considerado com William Faulkner a "espinha dorsal" da
literatura americana do século 20, faleceu dia 5 de Abril na sua casa em
Brookline. Mass.. Contava 89 anos. Filho de imigrantes russos, nasceu com o
nome de Salomon Bellows em 1915, em Montreal, mas veio com nove anos para
Chicago. Casou cinco vezes, teve uma filha aos 84 anos e ganhou o Prémio
Nobel de Literatura em 1976. Cresceu durante a Grande Depressão e guardava
boas recordações desses dias: "As pessoas não tinham aquecimento em casa,
iam às bibliotecas para se aquecerem e liam livros".
José Lello, ex-secretário de Estado das Comunidades e responsável pela
política do PS para as comunidades na direcção nacional do partido, prometeu
em entrevista ao jornal "Portugal Post", de Dortmund, Alemanha, "um
novo
ciclo de modernização da rede consular (...) e reduzir a necessidade física
dos utentes aos postos", na certeza de que "quanto menos os
portugueses
tiverem que se deslocar aos consulados, melhor os consulados funcionarão."
Bem, o PS não venceu as eleições nos círculos da emigração (o PSD
elegeu
três deputados e o PS apenas um), mas de qualquer modo conquistou a sua
primeira maioria absoluta e nada impede de levar por diante todas as
promessas feitas aos emigrantes.
Constou que o consulado de Portugal em New Bedford deixaria de ter titular e
passaria a estar sob tutela do cônsul de Portugal, mas sempre vai ser
nomeado um cônsul. Trata-se, aliás, de uma cônsul: Fernanda Coelho. Está
colocada no Brasil e é esperada em breve em New Bedford. Nesta altura, o
consulado português em Boston é também chefiado por uma senhora, Maria
Manuela Freitas Bairos. Também já tivemos mulheres cônsules em New Bedford e
Newark, Gabriela Albergaria e Natércia Teixeira, respectivamente. E não
podemos esquecer Anabela Cardoso, que chefiou o consulado de East Providence
nos anos 80 e foi a primeira portuguesa a exercer tais funções.
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Reticências...
Se as nossas maiores necessidades fossem dinheiro, Deus tinha-nos mandado um
economista...
Se as nossas maiores necessidades fossem tecnologia, Deus tinha-nos mandado
um cientista...
Se as nossas maiores necessidades fossem divertimento, Deus tinha-nos
mandado um comediante...
As nossas maiores necessidades eram o perdão e Deus mandou-nos um Salvador...
- Ferreira Moreno
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