Rhode Island

AUGUSTO PESSOA (Correspondente)
Delegado em Rhode Island
Tel. (401) 728-4991


Numa iniciativa de Victor Santos
Opereta "Cravos d'Abril", um sucesso a ultrapassar todas as expectativas

A opereta "Cravos d'Abril", da autoria de Victor Santos, teve a sua estreia
oficial no salão nobre dos Amigos da Terceira no passado fim de semana.
Sábado, 23 e domingo, 24 de Abril de 2005 passam a fazer parte do já vasto
historial de sucessos daquele activo grupo com sede em Pawtucket.
O responsável pelo pelouro da cultura junto daquela organização recebeu os
melhores elogios de todos quantos esgotaram a lotação do salão nobre dos
Amigos da Terceira.
Vivendo o 25 de Abril aos 12 anos de idade, Victor Santos trouxe ao palco
uma passagem histórico de um Portugal novo.

Fogo na Peça
Eram exactamente 8:00 da noite de sábado quando as luzes do salão se
apagaram e os focos luminosos faziam realçar a presença em palco de
Francisco Ferreira (Francisco Santos) e Mariazinha Ferreira (Liduina
Cavaco). Era a abertura da opereta Cravos d'Abril. O silêncio na sala era
absoluto com os presentes atentos ao desenrolar da peça que tinhamos
rotulado de mais um sucesso, após a apresentação do texto e termos assistido
a um ensaio.

Já nos habituamos a que as coisas quando saídas ali do Centro Comunitário
Amigos da Terceira se não são sucesso para lá caminham.
Cravos d'Abril é mais um exemplo.

Aos poucos foram surgindo em palco Fernando Ferreira (Norman Belo), que bem
se pode considerar a revelação da noite, dado que sendo um principiante
nestas andanças se responsabilizou por um papel longo e do qual deu muito
boa conta.
Convém acrescentar que o jovem nasceu e está radicado em Stoughton, mas que
fala correctamente português.

Quem também deu muito boa conta de si e este na qualidade de veterano foi
Francisco Santos (Francisco Ferreira) que no final nos confidenciou, "já não
tenho idade para papéis tão longos. Mas como o ensaidor teimou, não tive
outra alternativa senão aceitar". Podemos acrescentar que o ensaidor é o
filho Victor Santos.
"Estou a completar 50 anos de teatro, iniciados na Terra Chã, ilha Terceira.
Estão aqui na sala pessoas que me viram lá representar. Em 1970 dei 16
espectáculos na ilha Terceira com o último na Fanfarra Gago Coutinho e
Sacadura Cabral em Angra do Heroísmo numa segunda-feira e vim para os EUA na
quarta. O teatro veio comigo", disse ao PT Francisco Santos, após ter
finalizado a peça "Cravos d'Abril", ao mesmo tempo que ia recebendo os
elogios dos presentes.
Coronel José Maria Teixeira de Alcobaça (António Parreira) era mais dos
artistas em palco. "Nos últimos 22 anos já subi ao palco entre 17 a 20
vezes, desde danças de carnaval a representações teatrais. Na peça "Namoro
Errado" tinha um papel mais longo, nos "Cravos d'Abril é mais curto. Gostei
do primeiro e gosto do segundo. O público está a reagir muito bem", disse
António Parreira. 

Liduina Cavaco (Mariazinha Ferreira) é outra figura que a comunidade já
conhece dos palcos comunitários desde as danças de espada pelo carnaval,
vocalista do rancho de Santo António, e em tudo que seja cantar e
representar junto dos Amigos da Terceira.
João Pescador (David Sousa) representa a típica figura do vendedor de peixe
em que a freguesa pede sempre mais um carapau para o gato, mesmo que não
seja possuidora daquele felino.
O Manuel (Michael Dias) é o colega de (Fernando Ferreira) e que acaba por
descobrir o namoro com Bella (Fernanda Lima) que origina a parte cómica da
opereta Cravos d'Abril. Em primeiro deixa (Francisco Ferreira) o pai de
Fernando pouco satisfeito dado que espera dedicação a cem por cento aos
estudos. Em segundo a situação muda quando descobre que a tal Bella
(Fernanda Lima) é rica. E uma terceira parte com nova mudança de atitude ao
ver que a jovem é de cor.
No meio de todo este enredo surge e a desempenhar um excelente trabalho o
Zézinho (João Lima). Faz de criado de Francisco Ferreira, que não é. Faz o
papel de maricas que também não é, dado ser casado na vida real com Fernando
Lima que representa a figura de (Bella). O que na verdade faz é a parte mais
cómica dos Cravos d'Abril e a receber os mais vivos aplausos da plateia,
depois de ter vivido a parte dramática das passagens da revolução dos
cravos, quando a liberdade era interpretada pelos mais novos, como eu é que
sei, eu é que vou endireitar o país, eu é que vou ser o dono do que não é
meu.
O coronel José Maria Teixeira (António Parreira) é outra figura que a
comunidade já conhece junto das iniciativas dos Amigos da Terceira. O
desempenho do papel está a altura dado os ares de homem de armas que dá em
palco.
A Josefina (Juracy Leal) era uma estreia. Fez a parte que lhe correspondia
com bom nível e quando fez duo com Francisco Santos na rábula "Idosos no
Jardim" entendeu-se muito bem com o veterano que nos seus 71 anos de idade
continua a representar com nível.
Maria Martins (Luanda) e Fernanda Lima (Bella) eram mãe e filha.
Integraram-se muito bem na peça e o seu contributo seria uma grande achega
ao brilho dos "Cravos d'Abril".



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