Portuguese Times Zé da Chica - Gazetilha




O poder da Lua!...

Pensava ser falcatrua
O interesse cientista
De enviar homens p¹rá Lua.
Qual era o assunto em vista?!

De cabeça revirada,
Dei voltas sempre pensando;
Não sendo a Lua habitada,
O que estão lá procurando?...

A Lua, por excelência,
Em tudo que ela encerra,
Tem poder e influência
Sobre tudo aqui na Terra.

Mexe c'o mar, com os seres,
Até co'a vegetação.
Vira o casco das mulheres,
Faz do homem um machão.

A Lua e a mulher
Têm fases comparadas,
Ambas fazem transparecer
Quando as coisas são mudadas.

A mulher influenciada
Pela Lua é um veludo.
Se embirra, não quer nada,
Se não embirra, quer tudo!

Quanto ao homem com a lua,
Fica mudado de rosto,
Anda aí de rua em rua
Atrás do sexo oposto!

Se a Lua está nublada,
Faz da mulher um marulho,
Deixando-a  anuviada,
Prontinha a fazer barulho!

Com a Lua assim escura
Alguns homens se encostam
Pelas ruas à procura
Daquilo que as mulheres gostam!

Quando a lua encobre toda,
Sente a mulher um azedo.
Como é o tempo da poda,
Aí o homem tem medo!

Enche e vaza volta e meia
A Lua, muitas as vezes.
A mulher quando está cheia
Vaza após os nove meses.

O homem enche também
E vaza quando deseja.
Só que a barriga que tem
É barriga  de cerveja!

Se a Lua é eclipsada
Fica entre a Terra sumida.
E a mulher fica ofuscada
Se alguém lhe passa na vida.

O homem, não é diferente,
Eclipsa-se num instante,
Vendo a esposa presente,
Ele a braços co'a amante.

Os anos que a Lua tem
Ninguém sabe na verdade.
Tal como as mulheres também,
Nunca se sabe a idade!

Para o homem, na verdade
A idade não lhe espanta.
Só se lembra da idade,
Quando já não se levanta.

A Lua tem cada mês
Sua data bem marcada.
E a mulher, por sua vez
Cada mês é regulada.

No homem, o mês inteiro
Muito cuidado ele tem
P'ra regular o dinheiro,
Que nunca regula bem.

Dorme sempre fora a Lua
Com quatro quartos que tem.
E a mulher qu'anda na rua,
Tem alguns quartos também!

Há muito homem na lua,
Andando na vida torta.
E a mulher o põe na rua
Pondo-lhe a saquinha à porta!

A Lua às vezes é cheia,
No seu quarto minguante.
Como a mulher, volta e meia
Enche e vaza num instante.

O homem, também em casa,
Ou em qualquer parte fora,
O seu copo enche e vaza,
Ingerindo a toda à hora!

Faz-se a Lua sempre nova,
Dentro do quarto crescente.
Da mulher, temos a prova,
Sempre nova eternamente!

O homem, na voz do povo,
Quando novinho se fala,
Dizendo que o galo novo
Inexperiente não gala.

Todo o mês a lua troca
No crescente e no minguante.
Na mulher, o que ela toca,
Cresce ou mingua num instante!

Gosta o homem de trocar
Muita coisa, até de amante.
Mas tem mesmo que parar
No seu quarto minguante!

Quando o Sol vai beijar
A Lua, se manifesta,
Ela estende o se luar
Com um ar feliz de festa.

E a mulher que é beijada
Logo de feliz se expande.
Sente-se segura, amada,
Num nervosismo bem grande.

E o homem que é beijado
Por moça bonita e rica,
Fica, peito muito inchado,
Que parece o Zé da Chica!...

Porque o Zé, para o pagode
Às vezes quer, mas não pode!..




      
      


Voltar à primeira página desta edição

 Voltar à Primeira Página


Copyright © 1997/2001 The Portuguese Times
Autorizada a reprodução de artigos publicados nesta página desde que mencionada a origem