Portuguese Times Eurico Mendes - EXPRESSAMENDES

 

Primitivos americanos podem ter vindo da Península Ibérica

Investigadores norte-americanos propõem-se criar um mapa das migrações no
mundo a partir do estudo genético de mais de 10 mil pessoas.
O gigante da informática IBM e a revista National Geographic apresentaram um
projecto que se baseia no estudo comparativo dos genes de dez populações
autóctones em redor do mundo.
Segundo os especialistas, o exame de doze dados de DNA revelará a fonte
genética da humanidade e permitirá responder a várias interrogações sobre o
surgimento do homem na Terra e a sua distribuição pelo planeta.
Convém lembrar que os mamíferos surgiram há 70 milhões de anos. Pequenos
animais foram, depois de milhares de anos, abandonando o chão e adaptando-se
às árvores. Da evolução desses seres surgiram os primatas e depois os
antropóides. Quando parte desses primitivos seres começou a fazer o lento
caminho de volta para o chão, nasceram os hominídeos, os nossos
antepassados.
Há duas teorias sobre a evolução do homem: a que diz que foi Deus quem criou
a terra, o universo e o homem; e a teoria evolucionista de Charles Darwin,
investigador que, em 1836, fez uma viagem de navio pelo mundo estudando a
mutação das espécies e escreveu um livro chamado "Origem das Espécies", que
diz que o homem veio de um ancestral comum.
Darwin pensou que fosse o macaco e escandalizou os seus contemporâneos.
Sabe-se hoje que o homem é parente do macaco e não seu descendente.
Acredita-se que os fósseis mais antigos de hominídeos já encontrados sejam
os do australopitecus, que surgiu no sul de África há 4,5 milhões de anos e
que passa por ser o mais antigo ancestral do homem.
Este nosso ancestral passou a andar sobre dois pés (bipedismo), isso
deixou-lhe as mãos livres para usar objectos e criou os primeiros
instrumentos de osso e pedra. Esse facto dotou-o de cultura e diferenciou-o
dos animais. A necessidade de defender levou à formação de grupos e assim
surgiram as tribos e as raças.
Há 40 mil anos, África estava cheia de antepassados dos actuais bosquímanos,
os primeiros habitantes do continente e um dos grupos a estudar. Os negros
actuais, pelo que se sabe, ainda não viviam em África, vieram da Índia
milénios depois e foram repelindo e dizimando os bosquímanos, que são hoje
cerca de 20 mil confinados ao forno do deserto do Calaari e condenados a
desaparecer.
O estudo importará em 40 milhões de dólares e prolongar-se-á por cinco anos.
"Pode converter-se na maior base de dados genéticos da humanidade", disse
Spencer Wells, chefe da equipa que conduzirá as investigações. "Há muitas
interrogações para que ainda procuramos resposta, como se os primeiros
americanos chegaram através do Oceano Pacífico ou do Atlântico?
Teoria geralmente aceite é que há cerca de 20 mil anos, num período que
corresponde ao final do que os arqueólogos denominam Idade Paleolítica
(Idade da Pedra Lascada) e que os geólogos chamam de Plistoceno, a Ásia e a
América encontravam-se unidas por uma faixa de terra que, desaparecida, deu
lugar ao estreito de Bering. Esse pedaço de terra permitia a passagem de
animais e homens de um continente para o outro por terra firme.
Acredita-se que a América do Norte começou  a ser povoada por povos de
origem mongólica originários da Sibéria (os esquimós) e, eventualmente,
conforme sustentam alguns investigadores, a América do Sul por povos
polinésios que navegaram pelo Pacífico.
Os esquimós são hoje cerca de 30 mil no Alaska e estão em vias de extinção
tal como os bosquímanos, mas por razões inversas. Há 30 anos, viviam ainda
na Idade da Pedra, dizimados pela fome e pelo escorbuto.
O Governo americano iniciou então um programa de promoção social. Os
esquimós começaram a trocar os igloos por casas pré-fabricadas, o trenó pelo
jipe, em vez de caçarem passaram a ir ao supermercado e dentro de meia dúzia
de anos estarão convertidos em vulgares americanos.
Uma terceira teoria do povoamento aponta para africanos imigrados durante as
glaciações, quando o nível dos mares baixou tanto que o Atlântico congelou.
Os defensores desta teoria alegam pontos de contacto entre as primitivas
civilizações dos dois lados do Atlântico. A semelhança das pirâmides aztecas
no México, as pirâmides egípcias, as torres cilíndricas construidas pelos
chachapyas, predecessores dos incas no Peru e as torres de Zimbabwé pode não
ser apenas coincidência.
Na Amazónia têm sido encontradas cerâmicas datando de 2000 a.C. iguais às
antigas cerâmicas egípcias e alguns investigadores acreditam que a imensa
floresta esconde ainda o segredo de uma civilização comum a África e
América.
Como exemplo vivo é apontado o facto de dos índios shukaramas e guya, das
margens do rio Xingu, usarem discos nos lábios como algumas tribos da África
Equatorial.
Outra assombrosa afinidade refere-se aos esquimós e bosquímanos: não
conhecem o choro e cortam uma falange pela perda de um ser amado.
Dois arqueólogos americanos apresentaram há tempos, num congresso em Santa
Fé, Novo México, uma nova teoria sobre a origem dos primeiros habitantes da
América do Norte. Segundo Dennis Stanford e Bruce Bradley, os colonizadores
do continente chegaram há cerca de 18 mil anos e vieram da Península Ibérica
(onde ficam hoje Portugal, Espanha e o sudoeste da França), atravessando o
Atlântico congelado.
Os  cientistas baseiam a sua tese no estudo de pontas de lanças encontradas
em escavações no território americano, muito semelhantes a outras achadas na
Europa.
A teoria ibérica, contudo, não foi completamente aceite pela comunidade
arqueológica.
E o povo americano também não é muito receptivo à ideia de que descende de
africanos ou esquimós. Quase todos pensam que os seus antepassados viajaram
no Mayflower.

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DIA 12 de Maio, o Papa Bento XVI proferiu as primeiras palavras em português
na audiência-geral das quartas-feiras: "Zaudo conafetó os prrregrrrinus
delingua porrrtugueze, espezialmente augunos vezitantes brrezilerros." Foram
estas as primeiras palavras do papa Bento XVI em português, que pretendeu
dizer apenas o seguinte: "Saúdo com afecto os peregrinos de língua
portuguesa, especialmente alguns visitantes brasileiros".

NA CONVENÇÃO realizada no passado fim-de-semana em Lowell,  ficou assente o
empenhamento do Partido Democrático de Mass. na defesa do casamento gay. Um
dos principais defensores desssa estratégia é o senador estadual Jarret
Barrios, de Cambridge. Gay assumido, Barrios casou em Dezembro do ano
passado com Dough Harraway, seu companheiro de longa data. São tão felizes e
tão optimistas que já compraram um bercinho.

O ANTIGO congressista Gerry Studds, 68 anos, o primeiro gay assumido no
Congresso, casou faz agora um ano com o seu companheiro de longa data, Dean
Hara, 47 anos. Casaram em Boston em 24 de Maio de 2004, um dia depois dos
casamentos gay terem sido autorizados. Studds foi congressista de 1973 a
1996, venceu 12 eleições com 70% dos votos. Em 1983, veio a público o seu
relacionamento com um jovem pagem do Congresso, de 17 anos, que o acompanhou
numa viagem a Portugal. Foi nessa altura obrigado a admitir a
homossexualidade em pleno Congresso, mas não pediu desculpa conforme lhe era
exigido e, no ano seguinte, voltou a ser reeleito com 56% dos votos.

PAULO Portas, o ex-ministro português da defesa, recebeu a semana passada,
em Washington, uma condecoração atribuída pelo Departamento de Defesa dos
EUA pela ajuda Portugal na guerra do Iraque, com o envio de uma companhia da
Guarda Nacional Republicana. A condecoração provocou discussão em Lisboa.
Acontece que a GNR depende do Ministério do Interior e não do Ministério da
Defesa. Como tal, quem devia ter vindo a Washington era o ministro do
Interior.

PAULO Portas já decidiu vir no próximo ano para a Universidade de
Georgetown. A Polícia Judiciária está a meter o nariz em contratos do
Ministério da Defesa para compra de helicópteros, submarinos e sistemas de
transmissões e os amigos recomendam ao ex-ministro da Defesa uma estada
prolongada em Washington.

APESAR de crítico assumido da intervenção militar dos EUA no Iraque, Freitas
do Amaral, ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, está a
entender-se com a secretária de Estado. Segundo o Expresso, Freitas do
Amaral convidou Condoleeza Rice para um fim-de-semana em Portugal e Rice
convidou o seu homólogo a visitar os EUA. Em agenda, revisão constitucional
que permita as extradições de cidadãos de Portugal para os EUA, interdita
desde 1908. A lei portuguesa não permite extradição para países onde exista
pena de morte.


Os fados da Benvinda
Benvinda Correia nasceu na Madeira. Ainda menina trocou a sua ilha por
Lisboa sonhando  ser actriz. Estreou numa revista do Parque Mayer. Tinha um
bonito palminho de cara, voz fresca e sentia-se mais Beatriz Costa que a
própria Beatriz. Mas um dia deu por si a cantar fado. Longe de pensar que o
seu próprio fado seria ser fadista fora de Portugal.
Naquele tempo, anos 50, os nacionalismos já tinham começado a soprar na
África portuguesa, mas ainda não tinham levantado nenhum pé de vento e os
actores e cantores portugueses deslocavam-se com frequência a Angola e
Moçambique, iam e vinham. Benvinda resolveu ficar.
Gostou de Lourenço Marques, cidade cosmopolita onde sul-africanos e
rodesianos passavam férias. Pensou que, com tanto turismo, talvez resultasse
um restaurante típico e acertou.
Diz-se que o famoso "Barco Negro", que Amália internacionalizou, foi cantado
a primeira vez pela Maria da Conceição na casa da Benvinda. E o mesmo se
pode dizer de "Casa Portuguesa", do maestro Artur Fonseca. Mas se não foi no
restaurante da Benvinda, foi lá perto de certeza.
Um dos clientes assíduos era o advogado Almeida Santos, que gostava também
de cantar o seu fadinho (de Coimbra).
Tão inesperadamente como decidira trocar Lisboa por Lourenço Marques,
Benvinda resolveu  trocar Lourenço Marques por Luanda, nos anos 60. Abriu o
Muxima, onde se revelaram, entre outros, Vasco Rafael.
Foi numa época em que surgiram outras casas de fado na capital de Angola,
nomeadamente do Fernando Peyroteu, um dos famosos cinco violinos, mas a
sorte voltou a sorrir à Benvinda.
Apanhada no vendaval da descolonização, Benvinda regressou a Lisboa em 1975
e constatou que já não aguentava viver ali. E ainda menos na Madeira, embora
continuasse linda.
Tinha um irmão em Cambridge e resolveu vir até cá, mas já sem pachorra para
abrir mais casas de fado.
Ainda canta, sobretudo na área de Boston, onde reside. De vez em quando dá
um salto a Montreal,  ao "Le Grand-Pére du Fado" e lançou o ano passado um
CD.
Mas gosta sobretudo é de ficar à conversa sobre os bons velhos tempos de
Lourenço Marques e Luanda  com os amigos que aparecem de vez em quando.

BRAZUCAS. O jornal The Times constata que Londres está cada vez mais
abrasileirada e chama-lhe "Rio de Janeiro do Norte". Brasileiros são cerca
de 60 mil. Samba e caipirinha tomam  conta da noite londrina e, segundo The
Times, "se não fosse pela ausência da praia e de jogadores de futebol
capazes de bater recordes mundiais, a capital inglesa poderia ser
brasileira". Bem, já só falta a praia. O primeiro clube brasileiro a
disputar campeonatos oficiais ingleses, Brazilian Football Show, acaba de
conquistar o segundo título em dois anos de existência, a Federation Cup e
foi convidado a ingressar na Ryman's, liga superior de acesso à Taça de
Inglaterra. Se continuar a ser promovido, daqui a seis anos o Brazilian
Football Show pode disputar a Premiership, a primeira divisão do futebol
inglês.

VARIG. A transportadora aérea portuguesa TAP vai comprar 20%  da congénere
brasileira Varig, o máximo permitido pelo Governo brasileiro. Fundada há 77
anos, a Varig tem 30 mil funcionários e opera com 93 aviões. É a maior
companhia de aviação da América Latina, mas tem um défice de 2 mil milhões
de euros. Havia outros interessados além da TAP, nomeadamente os grupos
portugueses Espírito Santo e Pestana.

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Reticências...

O nosso Santo António, o santo mais popular entre padres e leigos, foi um
ferveroso pregador e um excelente teólogo. Eis uma passagem de um dos seus
sermões:
"Aquele que está iluminado pelo Espírito Santo fala diferentes línguas.
Essas diferentes línguas são as diferentes maneiras de vermos  Cristo, com
humildade e pobreza, paciência e obediência. Falamos essas línguas quando
revelamos essas virtudes aos outros com o nosso próprio exemplo. As acções
falam mais alto do que as palavras. Deixe que as suas palavras ensinem e as
suas acções falem..."

QUANDO o pároco notou que o jovem  deixara de aparecer na igreja, resolveu
procurá-lo e inquirir as razões. O jovem baixou a cabeça e murmurou: "Deus
me perdoe, padre! Mas eu sou ateu."

ESTA estória já é antiga, mas não perdeu frescura. Conta-se que três notas
americanas morreram e foram para o céu do dinheiro. A nota de $50 falou com
entusiasmo: "Eu tive uma boa vida na terra. Fartei-me de visitar Las Vegas,
Atlantic City e Monte Carlo."
A nota de $20 também se mostrou entusiasmada: "Eu fui jantar a muitos
restaurantes, ao cinema e ao teatro. Foi excelente."
Por fim, a nota de $1 teve este desabafo: "A minha vida foi muito chata: eu
ia todos os domingos à missa!"


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